Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
ce227379
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEDUC-SE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica - Área de Atuação: Grupo I - Ensino Fundamental e Médio - Disciplina: Língua Portuguesa
Uma análise semiótica do poema apresentado deve
Arealçar o caráter descritivo do poema e a caracterização do trem e da paisagem rural por meio de aspectos sonoros, explorados no ritmo e na repetição de palavras, e visuais, por meio do emprego predominante de palavras de natureza adjetiva ao longo do texto.
Bdemonstrar a interação entre os recursos expressivos dos signos materiais explorados no texto e seus efeitos de significado.
Cvalorizar os aspectos estilísticos do poema, como o emprego dos versos brancos, em harmonia com as propostas da poesia modernista que se evidenciam no texto.
Drelevar desvios da norma culta, como o emprego de vírgula entre o verbo e o sujeito em “Foge, bicho / Foge, povo” (quinto e sexto versos), e considerar o emprego estilístico de uma linguagem popular.
Edestacar a onomatopeia dos sons ritmados de um trem em movimento, percebida pelo emprego de palavras paroxítonas nos finais de todos os versos.
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GabaritoB — demonstrar a interação entre os recursos expressivos dos signos materiais explorados no texto e seus efeitos de significado.
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Análise semiótica do poema "Trem de ferro"
Gabarito: B. A alternativa B é a única que corresponde ao objetivo de uma análise semiótica: demonstrar a interação entre os recursos expressivos (signos materiais) e os efeitos de significado. O poema de Manuel Bandeira explora repetições, ritmo e sonoridade para recriar a experiência do trem, e a semiótica estuda exatamente como esses sinais produzem sentido.
Alternativa
Descrição
Erro/Justificativa
Gabarito
A
Realçar caráter descritivo e caracterização por aspectos sonoros e visuais (adjetivos)
Poema não tem predominância de adjetivos; é mais rítmico e sugestivo que descritivo
❌
B
Demonstrar interação entre recursos expressivos dos signos materiais e efeitos de significado
Corresponde ao objetivo da análise semiótica: forma e conteúdo se integram
✅
C
Valorizar versos brancos em harmonia com o modernismo
Poema não usa versos brancos (há rimas e métrica irregular)
❌
D
Relevar desvios da norma culta (vírgula entre verbo e sujeito) e linguagem popular
Análise semiótica não se limita a desvios gramaticais; foco é na produção de sentido
❌
E
Destacar onomatopeia por palavras paroxítonas no final de todos os versos
Palavras paroxítonas não são onomatopeias; há oxítonas e proparoxítonas nos versos
❌
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
"realçar o caráter descritivo do poema e a caracterização do trem e da paisagem rural por meio de aspectos sonoros, explorados no ritmo e na repetição de palavras, e visuais, por meio do emprego predominante de palavras de natureza adjetiva ao longo do texto."
Erro: O poema não apresenta predominância de adjetivos. A maioria das palavras são substantivos (café, pão, bicho, povo, ponte, poste, pato, boi, boiada, galho, ingazeira) e verbos (foge, passa, cantar). O único adjetivo relevante é "debruçada". Portanto, a afirmação sobre o caráter visual por adjetivos é falsa. Além disso, o poema é mais rítmico e sugestivo do que descritivo – ele não descreve minuciosamente a paisagem.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"demonstrar a interação entre os recursos expressivos dos signos materiais explorados no texto e seus efeitos de significado."
Justificativa: Uma análise semiótica, por definição, investiga como os signos (palavras, sons, ritmos, repetições) se combinam para gerar significados. No poema, a repetição de "Café com pão" e os versos "Foge, bicho / Foge, povo / Passa ponte / Passa poste…" imitam o movimento e o som do trem, criando a sensação de viagem. A alternativa B capta precisamente essa relação entre forma e conteúdo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"valorizar os aspectos estilísticos do poema, como o emprego dos versos brancos, em harmonia com as propostas da poesia modernista que se evidenciam no texto."
Erro: O poema não emprega versos brancos (versos sem rima e com métrica regular, típicos do classicismo). Na verdade, há rimas e sons repetidos (pão/pão, povo/ponte/poste, etc.), e a métrica é irregular. Embora o poema seja modernista, a alternativa se fixa em um conceito estilístico que não se aplica ao texto, desviando do foco semiótico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"relevar desvios da norma culta, como o emprego de vírgula entre o verbo e o sujeito em 'Foge, bicho / Foge, povo' (quinto e sexto versos), e considerar o emprego estilístico de uma linguagem popular."
Erro: Primeiro, a vírgula em "Foge, bicho" não é desvio: trata-se de um vocativo (chamamento), o que é perfeitamente normativo. Segundo, destacar supostos desvios gramaticais não é o cerne de uma análise semiótica; ela deve focar nos signos e seus efeitos, não em correção gramatical. A linguagem popular é um elemento, mas a alternativa reduz a análise a um aspecto periférico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"destacar a onomatopeia dos sons ritmados de um trem em movimento, percebida pelo emprego de palavras paroxítonas nos finais de todos os versos."
Erro: A onomatopeia é reconhecível, mas a afirmação sobre paroxítonas é falsa. Muitos versos terminam com palavras oxítonas (pão, povo, ponte, poste, pato, boi, boiada, galho, cantar). Exemplos: "pão" (oxítona), "povo" (paroxítona? na verdade "povo" é paroxítona, mas outros como "poste" é paroxítona, "boi" é oxítona). A diversidade de tonicidade desmente a generalização. A banca usa um dado factual incorreto para invalidar a alternativa.
NÃO CAIA NESSA!
As alternativas erradas inserem informações que o poema não contém (predomínio de adjetivos, versos brancos, suposto desvio gramatical, todas as palavras finais paroxítonas) ou desviam o foco da semiótica para aspectos periféricos. O candidato deve reconhecer que a semiótica trata da relação entre signo e significado.