Uso da primeira pessoa do plural — inclusão do autor no coletivo
Gabarito: letra E. A flexão verbal na primeira pessoa do plural (“Convivemos”, “temos de conviver”) indica que as autoras se incluem em um coletivo de falantes de português, compartilhando a experiência dos empréstimos linguísticos. Como se lê no último parágrafo: “Convivemos perfeitamente bem com palavras [...] do árabe, [...] do francês, [...] do inglês. E mais recentemente temos de conviver também com deletar...”. O “nós” aí é o mesmo da comunidade de falantes brasileiros — as autoras fazem parte dela, não se dirigem exclusivamente ao leitor nem falam apenas de si.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto menciona empréstimos do árabe, francês e inglês, mas em nenhum momento afirma que o leitor fala essas línguas. A conclusão de que o leitor é falante delas é uma invenção sem apoio textual.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: opinião embutida / extrapolação. As autoras não dizem que o leitor compartilha suas ideias. O uso da 1.ª pessoa do plural pode sugerir inclusão, mas o foco está no coletivo de falantes, não na concordância de opiniões. Não há no texto qualquer marca textual que associe “Convivemos” a uma adesão ideológica do leitor.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: tangenciar (fuga ao tema). O texto tem estilo acadêmico, mas o motivo do uso da 1.ª pessoa do plural não é “adotar recurso de autoridade”. Em textos acadêmicos, o “nós” pode ser de modéstia (plural majestático) ou de inclusão. Aqui, o contexto mostra inclusão no grupo dos falantes, não autoridade. A alternativa confunde a função do pronome.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. Interpelar o leitor significa dirigir-se a ele diretamente (como em “você sabe disso”). Os verbos “Convivemos” e “temos de conviver” estão na 1.ª pessoa do plural e não trazem marcas de interpelação (como vocativo, imperativo ou pronome “você”). O texto não interpela; apenas constata uma convivência partilhada.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Justificativa textual: O último período afirma: “Convivemos perfeitamente bem com palavras como álcool e almofada, do árabe, garagem e personagem, do francês, e futebol, do inglês. E mais recentemente temos de conviver também com deletar...”. O “nós” das autoras abrange todos os falantes do português brasileiro, inclusive elas mesmas. Não é um “nós” restrito ao eu-lírico acadêmico, mas um coletivo linguístico. A flexão de 1.ª pessoa do plural cumpre exatamente essa função: incluir o enunciador no grupo a que se refere.
Gabarito: letra E