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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2020

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce374046
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TJ PA
Ano
2020
Cargo
AJ ( )

Texto CG1A1-I

 

“Família, família/ vive junto todo dia/ nunca perde essa mania” — os versos da canção Família, composta por Arnaldo Antunes e Tony Belotto na década de 80 do século passado, no Brasil, parece que já não traduzem mais a realidade dos arranjos familiares. Observa-se que a solidez dos lugares ocupados por cada uma das pessoas, nos moldes da família nuclear, não se adéqua à realidade social do momento, em que as relações são caracterizadas por sua dinamicidade e pluralidade. De acordo com o médico e psicanalista Jurandir Freire Costa, “família nem é mais um modo de transmissão do patrimônio material; nem de perpetuação de nomes de linhagens; nem da tradição moral ou religiosa; tampouco é a instituição que garante a estabilidade do lugar em que são educadas as crianças”.

 

Então, o que é a família? Como defini-la, considerando-se que uma de suas marcas na pós-modernidade é justamente a falta de definição? Para a cientista social e política Elizabete Dória Bilac, a variabilidade histórica da instituição família desafia qualquer conceito geral de família.

 

A centralidade assumida pelos interesses individuais no mundo contemporâneo é um dos aspectos que influenciam a singularidade de cada família e distinguem os propósitos que justificam a escolha de duas pessoas ou mais viverem juntas, compartilhando regras, necessidades e obrigações. Se não é fácil definir a família, é legítimo o esforço de tentar decifrar quem é o homem pós-moderno e quais as necessidades emergentes que o impulsionam ao encontro com o outro, seja no espaço social, seja no interior da família, produzindo significados e razões que o lançam na busca de realização.

 

Segundo o filósofo francês Dany-Robert Dufour, a pós-modernidade produz um sujeito não engendrado, o que significa um sujeito que se vê na posição de não dever mais nada à geração precedente. Trata-se de uma condição que comporta riscos, pois, segundo Dufour, desaparece o motivo geracional. No que tange à família, a consequência é o surgimento de relações pautadas em trocas reais e carentes de valores simbólicos que se contraponham à lógica do consumo. Assim, assiste-se a uma ruptura na ordem da transmissão, o que gera indivíduos desprovidos de identidade sólida, condição esta que acarreta a redução de sua capacidade crítica e dificulta o estabelecimento de compromisso com a causa que lhe precede.

 

Fernanda Simplício Cardoso e Leila Maria Torraca de Brito. Reflexões sobre a paternidade

na pós-modernidade. Internet:<www.newpsi.bvs-psi.org.br> (com adaptações).

 

De acordo com o último parágrafo do texto CG1A1-I, um sujeito não engendrado

  1. Ainverte a ordem de transmissão familiar existente.
  2. Bsente-se isento de dívidas para com a geração precedente.
  3. Crelaciona-se com os demais a partir da construção de vínculos sólidos.
  4. Dé mais envolvido com a geração vindoura do que com a geração precedente.
  5. Etem capacidade crítica reduzida e não demonstra compromisso com os laços familiares.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — sente-se isento de dívidas para com a geração precedente.

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