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Questão de Português — Uso do Hífen — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsUso do Hífen
Código
ce395618
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE SC
Ano
2023
Cargo
Prom Jus ( )

O ordenamento jurídico vem sendo confrontado com as inovações tecnológicas decorrentes da aplicação da inteligência artificial (IA) nos sistemas computacionais. Não apenas se vivencia uma ampliação do uso de sistemas lastreados em IA no cotidiano, como também se observa a existência de robôs com sistemas computacionais cada vez mais potentes, nos quais os algoritmos passam a decidir autonomamente, superando a programação original. Nesse contexto, um dos grandes desafios ético-jurídicos do uso massivo de sistemas de inteligência artificial é a questão da responsabilidade civil advinda de danos decorrentes de robôs inteligentes, uma vez que os sistemas delituais tradicionais são baseados na culpa e essa centralidade da culpa na responsabilidade civil se encontra desafiada pela realidade de sistemas de inteligência artificial.

 

Perante a autonomia algorítmica na qual os sistemas de IA passam a decidir de forma diversa da programada, há uma dificuldade de diferenciar quais danos decorreram de erro humano e aqueles que derivaram de uma escolha equivocada realizada pelo próprio sistema ao agir de forma autônoma. O comportamento emergente da máquina, em função do processo de aprendizado profundo, sem receber qualquer controle da parte de um agente humano, torna difícil indicar quem seria o responsável pelo dano, uma vez que o processo decisório decorreu de um aprendizado automático que culminou com escolhas equivocadas realizadas pelo próprio sistema. Há evidentes situações em que se pode vislumbrar a existência de culpa do operador do sistema, como naquelas em que não foram realizadas atualizações de software ou, até mesmo, de quebra de deveres objetivos de cuidado, como falhas que permitem que hackers interfiram no sistema. Entretanto, excluídas essas situações, estará ausente o juízo de censura necessário para a responsabilização com base na culpa.

 

B. L. da Anunciação Melo e H. Ribeiro Cardoso. Sistemas de inteligência artificial e

responsabilidade civil: uma análise da proposta europeia acerca da atribuição de

personalidade civil. In: Revista Brasileira de Direitos Fundamentais

& Justiça, 16(1), 2020, p. 93-4 (com adaptações).

Texto 2A1-I

   

Considerando as regras gramaticais e ortográficas da língua portuguesa, julgue o item que se seguem, relativamente ao texto 2A1-I.

 

No parágrafo, o emprego do hífen em “ético-jurídicos” é facultativo, razão por que estaria igualmente correta a grafia eticojurídicos.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O hífen em “ético-jurídicos” é obrigatório, não facultativo

Gabarito: letra E (Errado). O hífen em “ético-jurídicos” não é facultativo: trata-se de um adjetivo composto formado por justaposição, e a norma ortográfica exige o hífen nesse caso. A grafia “eticojurídicos” estaria incorreta, pois violaria a regra que manda usar hífen em compostos que designam uma unidade de sentido, como “sócio-econômico”, “luso-brasileiro”, “verde-amarelo”. A banca tenta fazer o candidato acreditar que o hífen é opcional, mas a regra é categórica.

O comando da questão

O enunciado pede que se julgue a afirmação: “o emprego do hífen em ‘ético-jurídicos’ é facultativo, razão por que estaria igualmente correta a grafia eticojurídicos”. Trata-se de uma questão de ortografia — mais especificamente, de emprego do hífen em palavras compostas. Não há interpretação de texto aqui; o que se cobra é o conhecimento da regra gramatical que rege a grafia de adjetivos compostos. O verbo “julgar” indica que devemos dizer se a afirmativa está certa ou errada com base na norma culta.

A regra que decide

A regra é clara: emprega-se o hífen nos adjetivos compostos, ou seja, naqueles formados por dois ou mais adjetivos que, juntos, qualificam um substantivo. Exemplos clássicos: “sócio-econômico”, “político-partidário”, “verde-amarelo”, “luso-brasileiro”. O hífen é obrigatório nesses casos, pois os elementos mantêm sua individualidade gráfica e semântica, mas formam uma unidade de sentido. Não há previsão de grafia sem hífen para esses compostos.

No texto, a expressão “ético-jurídicos” é exatamente isso: um adjetivo composto que qualifica “desafios” (ou “sistemas”, conforme o contexto). A forma “eticojurídicos” não é aceita pela norma, pois a justaposição de dois adjetivos exige o hífen. Portanto, a afirmação de que o hífen é facultativo está errada.

Por que a banca afirma que é facultativo?

A banca explora uma confusão comum: muitos candidatos acham que o hífen é opcional em compostos, mas isso só ocorre em casos específicos previstos na norma, como em “paraquedas” (que pode ser grafado com ou sem hífen, embora a forma sem hífen seja preferida) ou em certos compostos com prefixos. No caso de adjetivos compostos, não há essa facultatividade: o hífen é obrigatório. A pegadinha está em generalizar uma exceção e aplicá-la a um caso que segue a regra geral.

Análise da alternativa

Hífen em adjetivos compostos
  • 1Regra: obrigatório
    • Ex.: ético-jurídicos
    • Ex.: sócio-econômico
    • Ex.: luso-brasileiro
  • 2Facultativo? Não
    • Grafia sem hífen incorreta
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa de que o hífen é facultativo está errada. Como vimos, a regra é obrigatória para adjetivos compostos. A grafia “eticojurídicos” seria um erro, pois desrespeitaria a norma. Portanto, a alternativa C não pode ser o gabarito.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está errada, e é exatamente isso que a banca pede: julgar o item como errado. O hífen em “ético-jurídicos” é obrigatório, não facultativo. A grafia “eticojurídicos” não é aceita. Portanto, a alternativa E é a correta, pois nega a afirmação do enunciado.

Conclusão

A questão testa o conhecimento da regra de hífen em adjetivos compostos. A pegadinha é a palavra “facultativo”, que leva o candidato a pensar que há duas grafias possíveis. Na verdade, para adjetivos compostos, o hífen é obrigatório. Lembre-se: sempre que houver dois adjetivos formando um composto, use o hífen. Não há exceção para esse caso.

Gabarito: letra E (Errado).

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