Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — CESPE / CEBRASPE 2023
Português›Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
ce395623
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE SC
Ano
2023
Cargo
Prom Jus ( )
Justiça é justiça social. É atualização dos princípios condutores, emergindo nas lutas sociais, para levar à criação de uma sociedade em que cessem a exploração e a opressão do homem pelo homem. O direito não é mais, nem menos, do que a expressão daqueles princípios supremos, como modelo avançado de legítima organização social da liberdade. Mas até a injustiça como também o antidireito (isto é, a constituição de normas ilegítimas e sua imposição em sociedades mal organizadas) fazem parte do processo, pois nem a sociedade justa, nem a justiça corretamente vista, nem o direito mesmo, o legítimo, nascem de um berço metafísico ou são presente generoso dos deuses: eles brotam nas oposições, no conflito, no caminho penoso do progresso, com avanços e recuos.
Direito é processo, dentro do processo histórico. Não é uma coisa feita, perfeita e acabada. É aquele vir a ser que se enriquece nos movimentos de libertação das classes e dos grupos ascendentes e que definha nas explorações e opressões que o contradizem, mas de cujas próprias contradições brotarão as novas conquistas.
Roberto Lyra Filho. O que é direito. São Paulo: Brasiliense, 2003, p. 86 (com adaptações).
Texto 2A2-III
Acerca de aspectos gramaticais do texto 2A2-III, julgue o item subsequente.
O segundo período do texto é iniciado por uma forma verbal impessoal.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Forma verbal impessoal no segundo período
Gabarito: ERRADO (E). O segundo período do texto não é iniciado por uma forma verbal impessoal. A afirmação está incorreta porque o verbo que abre o período é "É", que, no contexto, é um verbo de ligação com sujeito claro ("Direito"), e não um verbo impessoal, que seria aquele sem sujeito, como "haver" no sentido de existir ou "fazer" indicando tempo.
"Direito é processo, dentro do processo histórico."
O período citado tem como núcleo o verbo "é", que estabelece uma relação de predicação entre o sujeito "Direito" e o predicativo "processo". A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que o verbo "ser" poderia ser impessoal, mas ele só é impessoal quando indica tempo ou fenômeno da natureza (ex.: "É tarde", "É inverno"), o que não ocorre aqui.
O comando da questão
O enunciado pede um julgamento sobre um aspecto gramatical: se o segundo período do texto é iniciado por uma forma verbal impessoal. Isso exige do candidato duas habilidades: (1) identificar corretamente o segundo período do texto e (2) reconhecer o que caracteriza um verbo impessoal. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise morfossintática aplicada ao texto.
O texto e o período em questão
O texto é um fragmento dissertativo-argumentativo de Roberto Lyra Filho sobre a natureza do direito. O primeiro período é: "Justiça é justiça social." O segundo período é: "É atualização dos princípios condutores, emergindo nas lutas sociais, para levar à criação de uma sociedade em que cessem a exploração e a opressão do homem pelo homem." É importante notar que o segundo período começa com o verbo "É", que retoma o sujeito "Justiça" do período anterior (elipse do sujeito). Portanto, o verbo "É" tem sujeito oculto/determinado, e não é impessoal.
A técnica: o que é um verbo impessoal?
Verbos impessoais são aqueles que não possuem sujeito. Eles são usados em orações sem sujeito. Os principais casos são:
Verbos que indicam fenômenos da natureza: chover, nevar, trovejar, ventar, etc.
Verbo "haver" no sentido de existir ou indicando tempo decorrido: "Há pessoas na sala", "Há dois anos não o vejo".
Verbo "fazer" indicando tempo ou fenômeno da natureza: "Faz calor", "Faz dois anos".
Verbo "ser" indicando tempo, distância ou fenômeno da natureza: "São três horas", "É longe", "É inverno".
No segundo período do texto, o verbo "É" não se encaixa em nenhum desses casos. Ele é um verbo de ligação que liga o sujeito "Justiça" (elíptico) ao predicativo "atualização dos princípios condutores". A oração tem sujeito, ainda que oculto, portanto o verbo é pessoal.
A pegadinha da banca
A banca explora a confusão entre o verbo "ser" em sua forma impessoal (quando indica tempo, distância ou fenômeno) e o verbo "ser" como verbo de ligação. Como o período começa com "É", o candidato desatento pode associar imediatamente à impessoalidade, sem verificar se há sujeito. A dica é: todo verbo que admite um sujeito (mesmo oculto) é pessoal. Pergunte sempre: "quem é?", "o que é?". Se a resposta existir, o verbo é pessoal.
Verbo impessoal (sem sujeito)
1Fenômenos da natureza
Chover, nevar, trovejar
2Haver (existir/tempo)
"Há pessoas na sala"
3Fazer (tempo/fenômeno)
"Faz calor"
4Ser (tempo/distância/fenômeno)
"São três horas"
"É longe"
5Verbo pessoal (com sujeito)
Sujeito claro
Sujeito oculto/elíptico
"É atualização..." (Justiça)
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PEGA ESSA DICA!
Ao julgar se um verbo é impessoal, teste a existência de sujeito. Se você consegue identificar "quem" pratica ou "o que" é descrito, o verbo é pessoal. Verbos impessoais não admitem sujeito algum.
Conclusão
A afirmação está errada. O segundo período do texto é iniciado pelo verbo "É", que é um verbo de ligação com sujeito elíptico ("Justiça"), e não um verbo impessoal. A banca tentou induzir o candidato a confundir a forma "É" com o uso impessoal do verbo "ser", mas o contexto mostra claramente a presença de um sujeito.