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Questão de Português — Questões Variadas de Classe de Palavras — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsQuestões Variadas de Classe de Palavras
Código
ce396081
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE SC
Ano
2023
Cargo
Prom Jus ( )

O ordenamento jurídico vem sendo confrontado com as inovações tecnológicas decorrentes da aplicação da inteligência artificial (IA) nos sistemas computacionais. Não apenas se vivencia uma ampliação do uso de sistemas lastreados em IA no cotidiano, como também se observa a existência de robôs com sistemas computacionais cada vez mais potentes, nos quais os algoritmos passam a decidir autonomamente, superando a programação original. Nesse contexto, um dos grandes desafios ético-jurídicos do uso massivo de sistemas de inteligência artificial é a questão da responsabilidade civil advinda de danos decorrentes de robôs inteligentes, uma vez que os sistemas delituais tradicionais são baseados na culpa e essa centralidade da culpa na responsabilidade civil se encontra desafiada pela realidade de sistemas de inteligência artificial.

 

Perante a autonomia algorítmica na qual os sistemas de IA passam a decidir de forma diversa da programada, há uma dificuldade de diferenciar quais danos decorreram de erro humano e aqueles que derivaram de uma escolha equivocada realizada pelo próprio sistema ao agir de forma autônoma. O comportamento emergente da máquina, em função do processo de aprendizado profundo, sem receber qualquer controle da parte de um agente humano, torna difícil indicar quem seria o responsável pelo dano, uma vez que o processo decisório decorreu de um aprendizado automático que culminou com escolhas equivocadas realizadas pelo próprio sistema. Há evidentes situações em que se pode vislumbrar a existência de culpa do operador do sistema, como naquelas em que não foram realizadas atualizações de software ou, até mesmo, de quebra de deveres objetivos de cuidado, como falhas que permitem que hackers interfiram no sistema. Entretanto, excluídas essas situações, estará ausente o juízo de censura necessário para a responsabilização com base na culpa.

 

B. L. da Anunciação Melo e H. Ribeiro Cardoso. Sistemas de inteligência artificial e

responsabilidade civil: uma análise da proposta europeia acerca da atribuição de

personalidade civil. In: Revista Brasileira de Direitos Fundamentais

& Justiça, 16(1), 2020, p. 93-4 (com adaptações).

Texto 2A1-I

   

No que se refere a aspectos gramaticais do texto 2A1-I, julgue o seguinte item.

 

No parágrafo, o vocábulo “que”, em “que culminou com escolhas” e “que hackers interfiram no sistema”, pertence à mesma classe gramatical.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O "que" em "que culminou" e "que hackers interfiram" — classes gramaticais distintas

Gabarito: letra E (Errado). O vocábulo "que" em "que culminou com escolhas" é pronome relativo (retoma "aprendizado automático" e exerce função sintática de sujeito), enquanto em "que hackers interfiram no sistema" é conjunção subordinativa integrante (introduz oração subordinada substantiva objetiva direta, sem função sintática própria). Como as classes são diferentes, a afirmação do item é falsa.

O comando: classificar a classe gramatical do "que"

A questão pede que você julgue se os dois "que" pertencem à mesma classe gramatical. Isso é uma tarefa de análise morfossintática: não basta olhar a palavra isolada; é preciso ver a função que ela exerce na oração. O "que" é uma das palavras mais polissêmicas da língua — pode ser pronome relativo, conjunção integrante, conjunção causal, partícula expletiva, etc. A classificação correta depende do contexto sintático.

O texto: onde estão os dois "que"

No segundo parágrafo, encontramos:

"...o processo decisório decorreu de um aprendizado automático que culminou com escolhas equivocadas..."

"...como falhas que permitem que hackers interfiram no sistema."

No primeiro trecho, "que" retoma "aprendizado automático" e introduz uma oração que caracteriza esse aprendizado: "que culminou com escolhas equivocadas". Trata-se de uma oração subordinada adjetiva restritiva, e o "que" é pronome relativo — exerce a função de sujeito da oração (o aprendizado culminou).

No segundo trecho, "que" introduz a oração "que hackers interfiram no sistema", que funciona como objeto direto do verbo "permitem" (permitem o quê? que hackers interfiram). Essa é uma oração subordinada substantiva objetiva direta, e o "que" é conjunção subordinativa integrante — não exerce função sintática, apenas conecta a oração ao verbo.

A técnica: como distinguir pronome relativo de conjunção integrante

A distinção é clássica e cai muito em prova. Veja o passo a passo:

  1. Pronome relativo: retoma um termo anterior (antecedente) e exerce função sintática dentro da oração que introduz. Pode ser substituído por "o qual", "a qual", "os quais", "as quais".

    • Ex.: "O livro que comprei é ótimo." → "que" = "o qual" (objeto direto).

  1. Conjunção integrante: introduz uma oração subordinada substantiva (que exerce função de sujeito, objeto, etc. em relação à oração principal). Não retoma termo anterior e não tem função sintática própria. Pode ser substituída por "isso" (em muitos casos).

    • Ex.: "Espero que você venha." → "que" = "isso" (espero isso).

Aplicando ao texto:

  • "aprendizado automático que culminou" → substitua por "aprendizado automático o qual culminou" → funciona. É pronome relativo.

  • "permitem que hackers interfiram" → substitua por "permitem isso" → funciona. É conjunção integrante.

"Que" — classes distintas
  • 1Pronome relativo
    • Retoma antecedente
    • Exerce função sintática
    • Substituível por "o qual"
    • Ex.: "que culminou"
  • 2Conjunção integrante
    • Introduz oração substantiva
    • Sem função sintática
    • Substituível por "isso"
    • Ex.: "que hackers interfiram"
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Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que os dois "que" pertencem à mesma classe gramatical é falsa. Como demonstrado, o primeiro é pronome relativo e o segundo é conjunção integrante. A banca tenta confundir o candidato com a grafia idêntica, mas a função sintática é o que define a classe.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O item está errado porque os "que" são de classes diferentes. O gabarito é a letra E, pois a assertiva é falsa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na confusão entre o "que" pronome relativo e o "que" conjunção integrante. Ambos são grafados igual, mas exercem funções distintas: o relativo retoma um antecedente e tem função sintática; o integrante apenas conecta a oração subordinada substantiva.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar, tente substituir o "que" por "o qual" (se funcionar, é pronome relativo) ou por "isso" (se funcionar, é conjunção integrante).

Conclusão: a questão testa a habilidade de analisar a função do "que" no contexto. A resposta correta é a letra E, pois os dois "que" pertencem a classes gramaticais diferentes: pronome relativo e conjunção integrante.

Gabarito: letra E

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