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Questão de Português — Orações Coordenadas — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsOrações Coordenadas
Código
ce396085
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE SC
Ano
2023
Cargo
Prom Jus ( )

O ordenamento jurídico vem sendo confrontado com as inovações tecnológicas decorrentes da aplicação da inteligência artificial (IA) nos sistemas computacionais. Não apenas se vivencia uma ampliação do uso de sistemas lastreados em IA no cotidiano, como também se observa a existência de robôs com sistemas computacionais cada vez mais potentes, nos quais os algoritmos passam a decidir autonomamente, superando a programação original. Nesse contexto, um dos grandes desafios ético-jurídicos do uso massivo de sistemas de inteligência artificial é a questão da responsabilidade civil advinda de danos decorrentes de robôs inteligentes, uma vez que os sistemas delituais tradicionais são baseados na culpa e essa centralidade da culpa na responsabilidade civil se encontra desafiada pela realidade de sistemas de inteligência artificial.

 

Perante a autonomia algorítmica na qual os sistemas de IA passam a decidir de forma diversa da programada, há uma dificuldade de diferenciar quais danos decorreram de erro humano e aqueles que derivaram de uma escolha equivocada realizada pelo próprio sistema ao agir de forma autônoma. O comportamento emergente da máquina, em função do processo de aprendizado profundo, sem receber qualquer controle da parte de um agente humano, torna difícil indicar quem seria o responsável pelo dano, uma vez que o processo decisório decorreu de um aprendizado automático que culminou com escolhas equivocadas realizadas pelo próprio sistema. Há evidentes situações em que se pode vislumbrar a existência de culpa do operador do sistema, como naquelas em que não foram realizadas atualizações de software ou, até mesmo, de quebra de deveres objetivos de cuidado, como falhas que permitem que hackers interfiram no sistema. Entretanto, excluídas essas situações, estará ausente o juízo de censura necessário para a responsabilização com base na culpa.

 

B. L. da Anunciação Melo e H. Ribeiro Cardoso. Sistemas de inteligência artificial e

responsabilidade civil: uma análise da proposta europeia acerca da atribuição de

personalidade civil. In: Revista Brasileira de Direitos Fundamentais

& Justiça, 16(1), 2020, p. 93-4 (com adaptações).

Texto 2A1-I

   

Em relação às construções sintáticas do texto 2A1-I, julgue o próximo item.

 

No parágrafo, a oração “essa centralidade da culpa na responsabilidade civil se encontra desafiada pela realidade de sistemas de inteligência artificial” está coordenada, por adição, à oração imediatamente anterior a ela e ambas estão coordenadas à oração inicial desse período.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise sintática: orações coordenadas no texto sobre IA

Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque a oração destacada não está coordenada por adição à oração imediatamente anterior; na verdade, ela estabelece uma relação de explicação/conclusão com o que foi dito antes, e não de simples soma. A passagem que sustenta isso é o trecho final do primeiro parágrafo: “...a questão da responsabilidade civil advinda de danos decorrentes de robôs inteligentes, uma vez que os sistemas delituais tradicionais são baseados na culpa e essa centralidade da culpa na responsabilidade civil se encontra desafiada pela realidade de sistemas de inteligência artificial.” A conjunção “uma vez que” introduz uma oração subordinada adverbial causal, e a oração destacada, embora esteja ligada por “e”, não é coordenada aditiva da anterior, pois o “e” aqui tem valor de explicação (equivale a “e por isso”, “e assim”).

O comando da questão

A questão pede que se julgue uma afirmação sobre a estrutura sintática do período. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de análise sintática: identificar se a oração destacada é coordenada aditiva em relação à anterior e se ambas são coordenadas à oração inicial. Para resolver, é preciso classificar as orações do período e observar a relação semântica que o conectivo “e” estabelece no contexto.

O texto e a estrutura do período

No primeiro parágrafo, o autor apresenta o desafio da responsabilidade civil diante da IA. O período relevante é:

“Nesse contexto, um dos grandes desafios ético-jurídicos do uso massivo de sistemas de inteligência artificial é a questão da responsabilidade civil advinda de danos decorrentes de robôs inteligentes, uma vez que os sistemas delituais tradicionais são baseados na culpa e essa centralidade da culpa na responsabilidade civil se encontra desafiada pela realidade de sistemas de inteligência artificial.”

Aqui, temos:

  • Oração 1: “um dos grandes desafios ... é a questão da responsabilidade civil ...” (oração principal)

  • Oração 2: “uma vez que os sistemas delituais tradicionais são baseados na culpa” (subordinada adverbial causal, introduzida por “uma vez que”)

  • Oração 3: “e essa centralidade da culpa ... se encontra desafiada ...” (coordenada à oração 2, mas com valor de explicação)

A oração destacada não é coordenada aditiva da oração 2, pois o “e” não soma simplesmente informações; ele introduz uma consequência lógica da ideia anterior: se os sistemas são baseados na culpa, então essa centralidade é desafiada. O “e” aqui equivale a “e por isso”, “e consequentemente”.

A técnica: como identificar a relação correta

Para classificar uma oração coordenada, é preciso observar a conjunção e o sentido que ela estabelece. As conjunções aditivas típicas são “e”, “nem”, “mas também”, “não só... como também”. Porém, o “e” pode ter outros valores, como adversativo (“estudou, e não passou”) ou explicativo/conclusivo (“choveu, e as ruas alagaram”). No trecho, o “e” liga duas orações que mantêm uma relação de causa e consequência: a segunda é uma decorrência da primeira. Portanto, não se trata de adição, mas de explicação.

Além disso, a afirmação diz que “ambas estão coordenadas à oração inicial desse período”. Isso também é impreciso: a oração 2 é subordinada à oração 1 (exerce função de adjunto adverbial de causa), e a oração 3 é coordenada à oração 2, mas não diretamente à oração 1. Assim, a estrutura não é a descrita.

Análise da alternativa

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o item está certo, mas isso é falso. A oração destacada não é coordenada aditiva da anterior, pois o “e” tem valor explicativo, e a relação entre as orações não é de simples adição. Além disso, a oração 2 é subordinada à oração 1, não coordenada. Portanto, a afirmação está errada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que o item está errado, e é exatamente isso. A oração destacada não é coordenada aditiva; ela é coordenada à oração anterior, mas com valor de explicação (equivale a “e por isso”). Além disso, a oração anterior (“uma vez que...”) é subordinada à oração inicial, não coordenada. Portanto, a estrutura descrita no item não corresponde ao texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato achar que todo “e” é aditivo. Mas o “e” pode ter outros valores, como explicativo ou adversativo. Aqui, o “e” liga uma consequência à causa, então não é adição.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar orações, pergunte: “qual é a relação de sentido entre elas?”. Se a segunda é consequência da primeira, não é adição, é explicação/conclusão.

Conclusão: a resposta correta é a letra E, pois a oração destacada não é coordenada aditiva, e a estrutura do período não corresponde à descrita no item. Lembre-se: o “e” nem sempre é aditivo; analise o contexto.

Gabarito: letra E

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