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Questão de Português — Colocação Pronominal — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsColocação Pronominal
Código
ce396086
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE SC
Ano
2023
Cargo
Prom Jus ( )

O ordenamento jurídico vem sendo confrontado com as inovações tecnológicas decorrentes da aplicação da inteligência artificial (IA) nos sistemas computacionais. Não apenas se vivencia uma ampliação do uso de sistemas lastreados em IA no cotidiano, como também se observa a existência de robôs com sistemas computacionais cada vez mais potentes, nos quais os algoritmos passam a decidir autonomamente, superando a programação original. Nesse contexto, um dos grandes desafios ético-jurídicos do uso massivo de sistemas de inteligência artificial é a questão da responsabilidade civil advinda de danos decorrentes de robôs inteligentes, uma vez que os sistemas delituais tradicionais são baseados na culpa e essa centralidade da culpa na responsabilidade civil se encontra desafiada pela realidade de sistemas de inteligência artificial.

 

Perante a autonomia algorítmica na qual os sistemas de IA passam a decidir de forma diversa da programada, há uma dificuldade de diferenciar quais danos decorreram de erro humano e aqueles que derivaram de uma escolha equivocada realizada pelo próprio sistema ao agir de forma autônoma. O comportamento emergente da máquina, em função do processo de aprendizado profundo, sem receber qualquer controle da parte de um agente humano, torna difícil indicar quem seria o responsável pelo dano, uma vez que o processo decisório decorreu de um aprendizado automático que culminou com escolhas equivocadas realizadas pelo próprio sistema. Há evidentes situações em que se pode vislumbrar a existência de culpa do operador do sistema, como naquelas em que não foram realizadas atualizações de software ou, até mesmo, de quebra de deveres objetivos de cuidado, como falhas que permitem que hackers interfiram no sistema. Entretanto, excluídas essas situações, estará ausente o juízo de censura necessário para a responsabilização com base na culpa.

 

B. L. da Anunciação Melo e H. Ribeiro Cardoso. Sistemas de inteligência artificial e

responsabilidade civil: uma análise da proposta europeia acerca da atribuição de

personalidade civil. In: Revista Brasileira de Direitos Fundamentais

& Justiça, 16(1), 2020, p. 93-4 (com adaptações).

Texto 2A1-I

   

Tendo em vista as normas de colocação pronominal, julgue o item subsequente, relativos ao texto 2A1-I.

 

No trecho “em que se pode vislumbrar”, a ênclise do pronome “se” ao verbo auxiliar da locução verbal — em que pode-se vislumbrar —preservaria a correção gramatical do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal em locução verbal com palavra atrativa

Gabarito: ERRADO. A ênclise do pronome "se" ao verbo auxiliar da locução — "em que pode-se vislumbrar" — não preservaria a correção gramatical, porque o pronome relativo "que" é palavra atrativa que obriga a próclise (pronome antes do verbo). A forma correta é "em que se pode vislumbrar", como está no texto.

O comando

A questão pede que você julgue se a reescrita "em que pode-se vislumbrar" mantém a correção gramatical. Isso é uma questão de colocação pronominal — mais especificamente, de próclise obrigatória em locução verbal. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicar a regra gramatical ao trecho citado.

A regra que decide

Em locuções verbais (verbo auxiliar + verbo principal), o pronome oblíquo átono pode ficar:

  • Antes do auxiliar (próclise): "se pode vislumbrar"

  • Entre o auxiliar e o principal (próclise ao principal): "pode se vislumbrar"

  • Depois do principal (ênclise ao principal): "pode vislumbrar-se"

Porém, se houver palavra atrativa antes da locução, a próclise é obrigatória — e o pronome não pode ficar enclítico ao auxiliar ("pode-se").

No trecho do texto, a palavra atrativa é o pronome relativo "que":

"Há evidentes situações em que se pode vislumbrar a existência de culpa do operador do sistema"

O "que" (relativo, retomando "situações") atrai o pronome "se" para antes do verbo. Por isso, a forma "em que pode-se vislumbrar" está errada: o pronome, com hífen, estaria em ênclise ao auxiliar, o que viola a regra da próclise obrigatória.

A pegadinha

A banca tenta confundir com a regra da ênclise em início de oração ("Trata-se de..."). Mas aqui não é início de oração: há o pronome relativo "que" antes, que é atrativo. A banca também explora a dúvida sobre locução verbal: como o pronome pode ficar em várias posições, o candidato pode achar que "pode-se" é aceitável. Mas a palavra atrativa elimina essa possibilidade.

Colocação pronominal em locução verbal
  • 1Posições possíveis
    • Próclise ao auxiliar: se pode vislumbrar
    • Próclise ao principal: pode se vislumbrar
    • Ênclise ao principal: pode vislumbrar-se
  • 2Palavra atrativa antes
    • Pronome relativo "que"
    • Ênclise ao auxiliar proibida (pode-se)
    • Próclise obrigatória
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NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a posição do pronome na locução verbal, ignorando que o pronome relativo "que" é palavra atrativa que obriga a próclise. A forma "pode-se" só seria correta se não houvesse palavra atrativa antes.

Conclusão

A reescrita proposta não preserva a correção gramatical. A forma correta é "em que se pode vislumbrar" (próclise obrigatória). Portanto, o item está ERRADO.

Gabarito: ERRADO (letra E).

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