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Questão de Português — Colocação Pronominal — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsColocação Pronominal
Código
ce396087
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE SC
Ano
2023
Cargo
Prom Jus ( )

O ordenamento jurídico vem sendo confrontado com as inovações tecnológicas decorrentes da aplicação da inteligência artificial (IA) nos sistemas computacionais. Não apenas se vivencia uma ampliação do uso de sistemas lastreados em IA no cotidiano, como também se observa a existência de robôs com sistemas computacionais cada vez mais potentes, nos quais os algoritmos passam a decidir autonomamente, superando a programação original. Nesse contexto, um dos grandes desafios ético-jurídicos do uso massivo de sistemas de inteligência artificial é a questão da responsabilidade civil advinda de danos decorrentes de robôs inteligentes, uma vez que os sistemas delituais tradicionais são baseados na culpa e essa centralidade da culpa na responsabilidade civil se encontra desafiada pela realidade de sistemas de inteligência artificial.

 

Perante a autonomia algorítmica na qual os sistemas de IA passam a decidir de forma diversa da programada, há uma dificuldade de diferenciar quais danos decorreram de erro humano e aqueles que derivaram de uma escolha equivocada realizada pelo próprio sistema ao agir de forma autônoma. O comportamento emergente da máquina, em função do processo de aprendizado profundo, sem receber qualquer controle da parte de um agente humano, torna difícil indicar quem seria o responsável pelo dano, uma vez que o processo decisório decorreu de um aprendizado automático que culminou com escolhas equivocadas realizadas pelo próprio sistema. Há evidentes situações em que se pode vislumbrar a existência de culpa do operador do sistema, como naquelas em que não foram realizadas atualizações de software ou, até mesmo, de quebra de deveres objetivos de cuidado, como falhas que permitem que hackers interfiram no sistema. Entretanto, excluídas essas situações, estará ausente o juízo de censura necessário para a responsabilização com base na culpa.

 

B. L. da Anunciação Melo e H. Ribeiro Cardoso. Sistemas de inteligência artificial e

responsabilidade civil: uma análise da proposta europeia acerca da atribuição de

personalidade civil. In: Revista Brasileira de Direitos Fundamentais

& Justiça, 16(1), 2020, p. 93-4 (com adaptações).

Texto 2A1-I

   

Tendo em vista as normas de colocação pronominal, julgue o item subsequente, relativos ao texto 2A1-I.

 

No trecho “Não apenas se vivencia”, a ênclise do pronome “se” à forma verbal — não apenas vivencia-se — comprometeria a correção gramatical do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal: a próclise obrigatória após palavra atrativa

Gabarito: letra C (Certo). A afirmação está correta: no trecho “Não apenas se vivencia”, a ênclise — “vivencia-se” — comprometeria a correção gramatical, pois a palavra “não” é um advérbio de negação, que atrai o pronome para antes do verbo (próclise obrigatória). Como se lê no texto-base, a forma original já emprega a próclise corretamente: “Não apenas se vivencia”.

O comando pede que você julgue, com base nas normas de colocação pronominal, se a troca da próclise pela ênclise no trecho indicado prejudicaria a correção gramatical. Trata-se de uma questão de gramática normativa — não de interpretação de texto —, e a resposta depende exclusivamente da regra de atração de pronomes átonos.

A regra central é: palavras de sentido negativo (não, nunca, jamais, nada, ninguém, etc.) obrigam a próclise — o pronome oblíquo átono deve vir antes do verbo. No trecho, o advérbio “não” exerce exatamente essa função atrativa. Por isso, a forma correta é “não se vivencia”, e não “não vivencia-se”.

A banca explora uma confusão comum: o candidato pode achar que, por haver uma pausa ou por ser início de oração, a ênclise seria aceitável. Mas a presença da palavra atrativa elimina qualquer facultatividade — a próclise é obrigatória, e a ênclise torna o trecho gramaticalmente incorreto.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar um pronome oblíquo átono, verifique imediatamente se há palavra atrativa antes do verbo (negativas, advérbios, pronomes relativos, conjunções subordinativas). Se houver, a próclise é obrigatória — a ênclise estará errada.

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Palavra atrativa
      • Negativas (não, nunca, jamais)
      • Advérbios
      • Pronomes relativos
      • Conjunções subordinativas
    • Obrigatória com atrativa
  • 2Ênclise (depois do verbo)
    • Proibida com palavra atrativa
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Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. No trecho “Não apenas se vivencia”, o advérbio “não” atrai o pronome “se” para antes do verbo, exigindo próclise. A forma “vivencia-se” (ênclise) violaria essa regra, pois a palavra atrativa continua presente. Portanto, a ênclise comprometeria a correção gramatical.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta porque nega o que a regra determina. A ênclise não é aceitável nesse contexto, justamente pela presença do advérbio “não”. A banca tenta fazer o candidato acreditar que a ênclise seria facultativa, mas a palavra atrativa torna a próclise obrigatória.

Conclusão: a resposta é a letra C (Certo). A regra é clara: palavra negativa antes do verbo exige próclise. Sempre desconfie de alternativas que sugerem liberdade de colocação quando há palavra atrativa — a norma é rígida nesse ponto.

Gabarito: letra C

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