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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
ce396097
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE SC
Ano
2023
Cargo
Prom Jus ( )

O justo se desvela no decorrer das lutas de libertação na história. O justo é um saber que se vai constituindo à medida que nossa consciência da história se aguça. Mas não basta a consciência da história, pois procurar a justiça é uma atitude ética — é uma escolha. Não podemos cair em uma visão automática da história, na qual nossa simples posição em dado estrato social nos leva necessariamente a pensar de certa forma, a valorizar em certa medida. Se aceitássemos essa visão, bastaria ficarmos quietos esperando que a história se fizesse de acordo com seus mecanismos. Mas o real é outro. A justiça está se fazendo pela organização popular, pelo aguçamento dos conflitos. E cada um de nós vislumbra o norte da justiça, por via da busca de uma visão coerente da história, aliada a uma prática e a uma análise rigorosa das circunstâncias presentemente vividas.

 

A busca da justiça como virtude não é equidistante, não é neutra, não é equilibrada. Ela nos força, a cada momento, a tomar partido, a ser parcial, tendo a parcela maior dos seres humanos como fundamento. Ser justo é viver a virtude de tomar partido em busca do melhor, fundado na visão mais lúcida possível da história e na análise das circunstâncias maiores e menores que isso envolve. A justiça é uma virtude agente que se explicita na prática social comprometida.

 

Roberto Aguiar. O que é justiça: uma abordagem dialética. Brasília:
Senado Federal. Conselho Editorial, 2020, p. 319-20 (com adaptações).

Texto 2A2-I

   

Em relação a aspectos linguísticos do texto 2A2-I, julgue o item a seguir.

 

A supressão da vírgula empregada logo após a palavra “visão” acarretaria erro gramatical.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Certo; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A vírgula após “visão”: facultativa, não obrigatória

Gabarito: ERRADO (E). A supressão da vírgula empregada logo após a palavra “visão” não acarreta erro gramatical, pois essa vírgula é facultativa — ela isola um adjunto adverbial deslocado de curta extensão, e, nesse caso, a norma culta permite omiti-la sem prejuízo à correção. O trecho do texto é:

“Não podemos cair em uma visão automática da história, na qual nossa simples posição em dado estrato social nos leva necessariamente a pensar de certa forma, a valorizar em certa medida.”

A vírgula após “história” (que o item chama de “após ‘visão’”) separa a oração adjetiva explicativa introduzida por “na qual”. Essa oração é longa e tem caráter explicativo, portanto a vírgula é obrigatória para marcar a pausa e o sentido não restritivo. Já a vírgula que ocorre logo após “visão” — na verdade, após “história” — é a que isola o adjunto adverbial deslocado, e essa é facultativa.

O comando e o trecho exato

O item afirma: “A supressão da vírgula empregada logo após a palavra ‘visão’ acarretaria erro gramatical.” No texto, a palavra “visão” aparece em: “Não podemos cair em uma visão automática da história, na qual...”. A vírgula que ocorre logo após “história” (e não após “visão”) é a que separa a oração adjetiva explicativa. Se o item se refere a essa vírgula, ela é obrigatória — mas o item diz “após ‘visão’”, o que aponta para a vírgula que isola o adjunto adverbial deslocado, que é facultativa.

A regra da vírgula facultativa

A vírgula é facultativa quando separa um adjunto adverbial deslocado de curta extensão (até três palavras, aproximadamente). Exemplo: “Ontem, fui ao cinema” — a vírgula pode ser omitida: “Ontem fui ao cinema”. No trecho, o adjunto adverbial é “na qual nossa simples posição em dado estrato social nos leva necessariamente a pensar de certa forma” — esse adjunto é longo, e, por isso, a vírgula é recomendada, mas não obrigatória. A norma culta permite omiti-la sem erro gramatical, apenas com possível perda de clareza.

Distinção: oração adjetiva explicativa × restritiva

A vírgula que separa a oração adjetiva explicativa é obrigatória — sem ela, a oração se torna restritiva e o sentido muda. Exemplo: “O homem, que estuda muito, vence na vida” (explicativa: todo homem estuda) versus “O homem que estuda muito vence na vida” (restritiva: só os que estudam). No texto, a oração “na qual nossa simples posição...” é explicativa, pois acrescenta uma informação sobre “história” sem restringi-la. Portanto, a vírgula após “história” é obrigatória, mas a vírgula após “visão” (que isola o adjunto) é facultativa.

Vírgula após adjunto adverbial deslocado
  • 1Curta extensão (até ~3 palavras)
    • Facultativa
    • Ex.: "Ontem, fui ao cinema"
  • 2Longa extensão
    • Recomendada, mas não obrigatória
  • 3Vírgula em oração adjetiva explicativa
    • Obrigatória
    • Sem ela, vira restritiva (muda o sentido)
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Análise do item

O item afirma que a supressão da vírgula após “visão” acarretaria erro gramatical. Como a vírgula é facultativa nesse contexto, a supressão não gera erro. Portanto, o item está errado.

Conclusão

A banca tenta confundir o candidato ao chamar de “após ‘visão’” uma vírgula que, na verdade, isola um adjunto adverbial deslocado — e essa vírgula é facultativa. A regra de ouro: vírgula que isola adjunto adverbial curto deslocado é facultativa; vírgula que separa oração adjetiva explicativa é obrigatória. Como a vírgula em questão é facultativa, a supressão não acarreta erro gramatical.

Gabarito: ERRADO (E).

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