Questão de Português — Termos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva) — CESPE / CEBRASPE 2023
Português›Termos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva)
Código
ce396099
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE SC
Ano
2023
Cargo
Prom Jus ( )
O justo se desvela no decorrer das lutas de libertação na história. O justo é um saber que se vai constituindo à medida que nossa consciência da história se aguça. Mas não basta a consciência da história, pois procurar a justiça é uma atitude ética — é uma escolha. Não podemos cair em uma visão automática da história, na qual nossa simples posição em dado estrato social nos leva necessariamente a pensar de certa forma, a valorizar em certa medida. Se aceitássemos essa visão, bastaria ficarmos quietos esperando que a história se fizesse de acordo com seus mecanismos. Mas o real é outro. A justiça está se fazendo pela organização popular, pelo aguçamento dos conflitos. E cada um de nós vislumbra o norte da justiça, por via da busca de uma visão coerente da história, aliada a uma prática e a uma análise rigorosa das circunstâncias presentemente vividas.
A busca da justiça como virtude não é equidistante, não é neutra, não é equilibrada. Ela nos força, a cada momento, a tomar partido, a ser parcial, tendo a parcela maior dos seres humanos como fundamento. Ser justo é viver a virtude de tomar partido em busca do melhor, fundado na visão mais lúcida possível da história e na análise das circunstâncias maiores e menores que isso envolve. A justiça é uma virtude agente que se explicita na prática social comprometida.
Roberto Aguiar. O que é justiça: uma abordagem dialética. Brasília:
Senado Federal. Conselho Editorial, 2020, p. 319-20 (com adaptações).
Texto 2A2-I
Em relação a aspectos linguísticos do texto 2A2-I, julgue o item a seguir.
No parágrafo, o segmento “pela organização popular, pelo aguçamento dos conflitos” constitui o agente da passiva da oração que compõe o período.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Agente da passiva em “pela organização popular, pelo aguçamento dos conflitos”
Gabarito: ERRADO (E). O segmento “pela organização popular, pelo aguçamento dos conflitos” não é agente da passiva, pois não complementa um verbo na voz passiva. No trecho, ele funciona como complemento nominal do substantivo abstrato “fazendo” (ou, mais precisamente, integra a locução verbal “está se fazendo”, mas a análise correta é de complemento nominal do nome “fazendo”). A passagem que decide é: “A justiça está se fazendo pela organização popular, pelo aguçamento dos conflitos.”
“A justiça está se fazendo pela organização popular, pelo aguçamento dos conflitos.”
Aqui, “pela organização popular” e “pelo aguçamento dos conflitos” são termos preposicionados que completam o sentido do substantivo “fazendo” (derivado do verbo “fazer”), com valor semântico passivo: a justiça é feita pela organização popular. Isso é a definição clássica de complemento nominal — termo que completa um nome (substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio) e tem sentido de paciente. Não há locução verbal passiva (ser/estar + particípio) que exija agente da passiva.
O comando
A questão pede para julgar (Certo/Errado) se o segmento destacado é agente da passiva. Isso é uma questão de análise sintática — exige identificar a função do termo dentro da oração, não interpretar o texto. O comando é direto: verificar se a classificação sintática apresentada está correta.
O texto
O texto discute a justiça como construção histórica e ética. No trecho relevante, o autor afirma que a justiça não é automática, mas se faz pela ação popular e pelo conflito. A oração “A justiça está se fazendo pela organização popular” é o ponto central: o verbo “fazer” está na forma pronominal “se fazendo”, que indica voz reflexiva ou passiva sintética, mas o termo preposicionado “pela organização popular” não é o agente dessa ação — ele é o complemento nominal do substantivo “fazendo”.
A técnica que decide
Para identificar o agente da passiva, é preciso encontrar uma voz passiva analítica (verbo auxiliar ser/estar + particípio) ou sintética (verbo + se). No trecho, temos “está se fazendo”, que é uma locução verbal com pronome apassivador “se”. Na voz passiva sintética, não há agente da passiva explícito — o agente é indeterminado ou omitido. O termo “pela organização popular” não é introduzido por “por” como agente de um particípio passivo; ele completa o nome “fazendo”, que é um substantivo deverbal. A prova: se passarmos para a voz ativa, “A organização popular faz a justiça” — o termo vira sujeito, não agente da passiva. E, na voz passiva analítica, seria “A justiça é feita pela organização popular”, onde “pela organização popular” seria agente da passiva. Mas o texto não usa essa construção.
Termo preposicionado com "por"
1Agente da passiva
Exige voz passiva (ser/estar + particípio)
Indica quem pratica a ação
2Complemento nominal
Completa nome (substantivo abstrato)
Valor semântico passivo
Ex.: "fazendo pela organização popular"
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Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmação de que o segmento é agente da passiva está errada. O termo “pela organização popular, pelo aguçamento dos conflitos” é complemento nominal do substantivo “fazendo”, pois:
Completa o sentido de um nome (substantivo abstrato “fazendo”);
É preposicionado (introduzido por “por”);
Tem valor semântico passivo (a justiça é feita pela organização popular).
Se fosse agente da passiva, haveria uma locução verbal passiva (ser/estar + particípio) e o termo indicaria quem pratica a ação. Aqui, o verbo “fazer” está na forma pronominal “se fazendo”, e o termo preposicionado não é o agente, mas o complemento do nome. A banca tenta confundir o candidato ao apresentar um termo preposicionado com “por”, que é a preposição típica do agente da passiva, mas a estrutura sintática não é de voz passiva analítica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a preposição “por” (típica do agente da passiva) para induzir o candidato a classificar o termo como agente, ignorando que ele complementa um nome (substantivo abstrato) e não um verbo na voz passiva. A pegadinha é a troca de conceito: confundir complemento nominal com agente da passiva.
Conclusão
A resposta correta é ERRADO (E), pois o segmento “pela organização popular, pelo aguçamento dos conflitos” é complemento nominal, não agente da passiva. Para acertar questões assim, pergunte: há voz passiva analítica (ser/estar + particípio)? Se não, o termo preposicionado que completa um nome é complemento nominal. O agente da passiva só existe quando há particípio passivo.