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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce396462
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEE PE
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

Com altos índices de evasão escolar, baixo engajamento e conteúdos pouco conectados à realidade dos alunos, o ensino médio já era, antes da pandemia de covid-19, a etapa mais desafiadora da educação básica. Com o fechamento das escolas e o distanciamento dos estudantes do convívio educacional, os últimos anos escolares passaram a trazer ainda mais dificuldades a serem enfrentadas — reforçadas pelas desigualdades raciais, socioeconômicas e de acesso à Internet.


Nenhuma avaliação diagnóstica precisou os prejuízos totais da pandemia para a aprendizagem dos alunos, mas há alguns estudos que ajudam a entender melhor o cenário. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) apontou que houve piora em todas as séries avaliadas. Segundo a pesquisa amostral, em matemática, o desempenho alcançado no 3.º ano do ensino médio foi de 255,3 pontos na escala de proficiência, inferior aos 261,7 obtidos pelos estudantes ao final do 9.º ano do ensino fundamental no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2019. Em língua portuguesa, os estudantes do 9.º ano apresentaram uma queda de 12 pontos, e os do 3.º ano do ensino médio, de 11 pontos.


Após o retorno presencial, estados e municípios ainda têm muito trabalho para identificar os reais prejuízos, dimensioná-los e encontrar caminhos e soluções para que professores e estudantes possam retomar a aprendizagem.


Para Suelaine Carneiro, coordenadora de educação na Geledés, organização da sociedade civil que se posiciona em defesa de mulheres e homens negros, “há um consenso de que não foi possível atender todos os alunos” na educação pública. “Os dados indicam um baixo número de participação dos estudantes, somado à impossibilidade de os familiares acompanharem a resolução das tarefas”, afirma. Mas não fica apenas nisso. “Em termos de aprendizagem, os dados também mostram dificuldades no que diz respeito à compreensão e à resolução das tarefas.”


De acordo com ela, a situação de alunos negros requer ainda mais atenção. “É preciso prestar atenção nessa condição: a pessoa já estava vulnerável socialmente, sem a possibilidade de realizar um isolamento dentro de casa, pois vive em uma casa pequena ou onde não há cômodos suficientes”, contextualiza Suelaine.

 

Agravada pela pandemia, que engrossou o número de trabalhadores desempregados, a questão econômica foi um dos grandes fatores que impactou a vida dos estudantes do ensino médio. “Temos alunos que estão trabalhando no horário de aula, dizendo que precisam ajudar a família, e aos fins de semana assistem às atividades”, relata a professora Lucenir Ferreira, da Escola Estadual Mário Davi Andreazza, em Boa Vista (RR). Lucenir conta que muitos alunos chegam a falar que não conseguem aprender nada e desabafam por sentir que a aprendizagem foi prejudicada, principalmente os que estão em processo de preparação para o vestibular.


Apesar dos desafios, Suelaine acredita que os impactos não são irreversíveis, como outros especialistas têm apontado. “Você pode recuperar dois anos se houver políticas públicas, compromisso público com a educação, de forma a desenvolver diferentes ações”, diz ela.


Internet: <novaescola.org.br> (com adaptações).

Texto CB1A1-I

   

Considerando as informações veiculadas no texto CB1A1-I, julgue o item a seguir.

 

As condições da classe social dos estudantes não foi fator determinante para o prejuízo na aprendizagem, uma vez que, de acordo com o texto, a situação dos alunos negros é a mais preocupante.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de texto: classe social e prejuízo na aprendizagem

Gabarito: letra E (Errado). A afirmação de que as condições da classe social dos estudantes não foi fator determinante para o prejuízo na aprendizagem contradiz o texto, que aponta a questão econômica como um dos grandes fatores que impactaram a vida dos estudantes. A passagem que prova isso está no 6º parágrafo: "Agravada pela pandemia, que engrossou o número de trabalhadores desempregados, a questão econômica foi um dos grandes fatores que impactou a vida dos estudantes do ensino médio".

O comando pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma inferência que o candidato deve validar ou refutar com base nas informações do texto. Não se trata de localizar uma informação literal, mas de verificar se a conclusão proposta é autorizada pelo que está escrito. A banca montou uma armadilha clássica: apresentar uma premissa verdadeira (a situação dos alunos negros é a mais preocupante) para fazer o candidato aceitar uma conclusão falsa (que a classe social não foi determinante).

O texto, na verdade, reforça o peso da condição socioeconômica. No 5º parágrafo, Suelaine Carneiro contextualiza a vulnerabilidade dos alunos negros: "a pessoa já estava vulnerável socialmente, sem a possibilidade de realizar um isolamento dentro de casa, pois vive em uma casa pequena ou onde não há cômodos suficientes". Ou seja, a situação mais preocupante dos alunos negros está diretamente ligada à sua condição social e econômica, e não separada dela.

Além disso, o texto menciona explicitamente que as dificuldades foram "reforçadas pelas desigualdades raciais, socioeconômicas e de acesso à Internet" (1º parágrafo). Isso mostra que a classe social é um fator determinante, pois a desigualdade socioeconômica é citada como um dos elementos que agravam os prejuízos. A conclusão do item, portanto, inverte a relação de causalidade apresentada no texto.

A técnica para resolver esta questão é simples: teste cada afirmação contra o texto. Pergunte: "O texto autoriza esta conclusão?" Se a conclusão contradiz uma passagem explícita, está errada. Aqui, a premissa sobre os alunos negros é verdadeira, mas a conclusão sobre a classe social é falsa, pois o texto afirma o contrário.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A afirmação é falsa porque o texto contradiz a ideia de que a classe social não foi determinante. Veja as evidências:

  • No 1º parágrafo: "reforçadas pelas desigualdades raciais, socioeconômicas e de acesso à Internet" — a desigualdade socioeconômica é citada como fator que agrava as dificuldades.

  • No 6º parágrafo: "a questão econômica foi um dos grandes fatores que impactou a vida dos estudantes do ensino médio" — a questão econômica é explicitamente apontada como um dos grandes fatores.

  • No 5º parágrafo: a situação dos alunos negros é descrita como "vulnerável socialmente", o que liga a questão racial à condição social.

Portanto, a conclusão de que a classe social não foi determinante é contraditória com o texto. O erro é do tipo contradiz_texto: a banca inverteu uma relação de causalidade que o texto afirma explicitamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa uma premissa verdadeira (alunos negros são os mais preocupantes) para fazer você aceitar uma conclusão falsa. Não confunda: o texto diz que a situação dos negros é mais grave porque eles estão vulneráveis socialmente — a classe social é justamente um fator determinante.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de certo/errado, desconfie de afirmações com "não foi fator determinante" quando o texto cita explicitamente fatores. Grife as passagens que mencionam causas e compare com a conclusão proposta.

Conclusão: a assertiva está errada porque contradiz o texto, que aponta a questão econômica e as desigualdades socioeconômicas como fatores determinantes do prejuízo na aprendizagem. Gabarito: letra E.

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