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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce396468
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEE PE
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

Com altos índices de evasão escolar, baixo engajamento e conteúdos pouco conectados à realidade dos alunos, o ensino médio já era, antes da pandemia de covid-19, a etapa mais desafiadora da educação básica. Com o fechamento das escolas e o distanciamento dos estudantes do convívio educacional, os últimos anos escolares passaram a trazer ainda mais dificuldades a serem enfrentadas — reforçadas pelas desigualdades raciais, socioeconômicas e de acesso à Internet.


Nenhuma avaliação diagnóstica precisou os prejuízos totais da pandemia para a aprendizagem dos alunos, mas há alguns estudos que ajudam a entender melhor o cenário. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) apontou que houve piora em todas as séries avaliadas. Segundo a pesquisa amostral, em matemática, o desempenho alcançado no 3.º ano do ensino médio foi de 255,3 pontos na escala de proficiência, inferior aos 261,7 obtidos pelos estudantes ao final do 9.º ano do ensino fundamental no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2019. Em língua portuguesa, os estudantes do 9.º ano apresentaram uma queda de 12 pontos, e os do 3.º ano do ensino médio, de 11 pontos.


Após o retorno presencial, estados e municípios ainda têm muito trabalho para identificar os reais prejuízos, dimensioná-los e encontrar caminhos e soluções para que professores e estudantes possam retomar a aprendizagem.


Para Suelaine Carneiro, coordenadora de educação na Geledés, organização da sociedade civil que se posiciona em defesa de mulheres e homens negros, “há um consenso de que não foi possível atender todos os alunos” na educação pública. “Os dados indicam um baixo número de participação dos estudantes, somado à impossibilidade de os familiares acompanharem a resolução das tarefas”, afirma. Mas não fica apenas nisso. “Em termos de aprendizagem, os dados também mostram dificuldades no que diz respeito à compreensão e à resolução das tarefas.”


De acordo com ela, a situação de alunos negros requer ainda mais atenção. “É preciso prestar atenção nessa condição: a pessoa já estava vulnerável socialmente, sem a possibilidade de realizar um isolamento dentro de casa, pois vive em uma casa pequena ou onde não há cômodos suficientes”, contextualiza Suelaine.

 

Agravada pela pandemia, que engrossou o número de trabalhadores desempregados, a questão econômica foi um dos grandes fatores que impactou a vida dos estudantes do ensino médio. “Temos alunos que estão trabalhando no horário de aula, dizendo que precisam ajudar a família, e aos fins de semana assistem às atividades”, relata a professora Lucenir Ferreira, da Escola Estadual Mário Davi Andreazza, em Boa Vista (RR). Lucenir conta que muitos alunos chegam a falar que não conseguem aprender nada e desabafam por sentir que a aprendizagem foi prejudicada, principalmente os que estão em processo de preparação para o vestibular.


Apesar dos desafios, Suelaine acredita que os impactos não são irreversíveis, como outros especialistas têm apontado. “Você pode recuperar dois anos se houver políticas públicas, compromisso público com a educação, de forma a desenvolver diferentes ações”, diz ela.


Internet: <novaescola.org.br> (com adaptações).

Texto CB1A1-I

 

A respeito dos sentidos e dos aspectos tipológicos e coesivos do texto CB1A1-I, julgue o próximo item.

 

O pronome ‘Você’ (segundo período do último parágrafo) não faz referência a um interlocutor específico.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O pronome “Você” e a referência genérica

Gabarito: letra C (Certo). O pronome “Você”, no segundo período do último parágrafo, não faz referência a um interlocutor específico — ele é usado de forma genérica, como um recurso de impessoalização, comum em textos jornalísticos e argumentativos. A passagem que sustenta isso é a fala de Suelaine Carneiro: “Você pode recuperar dois anos se houver políticas públicas, compromisso público com a educação, de forma a desenvolver diferentes ações”. Nesse contexto, “Você” não se dirige a uma pessoa determinada (o leitor, um aluno, um gestor), mas a qualquer pessoa — funciona como um “a gente” ou “se”, indicando uma possibilidade geral.

O comando: o que a banca pede

A questão é de interpretação de texto com foco em coesão referencial. O enunciado afirma que o pronome “Você” não faz referência a um interlocutor específico, e você deve julgar se isso é certo ou errado. Não se trata de gramática pura (classificação do pronome), mas de efeito de sentido no texto: quem o pronome aponta? A resposta exige observar o contexto de uso, não apenas a classe gramatical.

O texto: onde mora a resposta

O último parágrafo traz a fala de Suelaine Carneiro, coordenadora de educação da Geledés, sobre a possibilidade de recuperação dos prejuízos da pandemia:

“Você pode recuperar dois anos se houver políticas públicas, compromisso público com a educação, de forma a desenvolver diferentes ações”

Aqui, “Você” não se refere a um interlocutor específico — não é o leitor, não é um aluno, não é um gestor público. É um pronome de tratamento usado de forma genérica, equivalente a “a pessoa” ou “qualquer um”. Essa é uma característica típica do “você” em contextos de impessoalização: ele não aponta para ninguém em particular, mas para uma generalidade. O texto não estabelece um diálogo direto com o leitor; a fala é uma declaração geral sobre o que é possível fazer.

A técnica: como identificar a referência genérica

Para resolver, pergunte: quem é o “Você” no texto? Se houvesse um interlocutor específico, o texto teria pistas — por exemplo, um diálogo direto (“Você, aluno, pode recuperar...”) ou uma referência a uma pessoa determinada. No trecho, não há nada disso. O “Você” é vazio de referência específica, funcionando como um recurso de generalização. Compare com outros usos:

Uso

Referência

Exemplo

Específico

Aponta para uma pessoa determinada

“Você, João, precisa estudar.”

Genérico

Não aponta para ninguém em particular

“Você pode recuperar dois anos se houver políticas públicas.”

No texto, o “Você” é genérico, pois a frase expressa uma condição universal: se houver políticas públicas, qualquer pessoa pode recuperar. Não há um destinatário nomeado ou implícito no contexto imediato.

A pegadinha da banca

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na confusão entre o “você” como pronome de tratamento (que normalmente se refere à 2ª pessoa do discurso) e o uso genérico que ele assume aqui. O candidato pode pensar: “Você” sempre se refere a alguém, logo a afirmação está errada. Mas no texto, o pronome é impessoal, sem referente específico.

Conclusão

A afirmação está correta: o pronome “Você” no trecho não faz referência a um interlocutor específico. Ele é usado de forma genérica, como recurso de impessoalização. Portanto, gabarito: letra C (Certo).

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre pronomes, pergunte sempre: quem é o referente? Se o texto não permite identificar uma pessoa específica, o pronome é genérico — e a afirmação sobre ausência de referente específico está correta.

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