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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
ce396692
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE SC
Ano
2023
Cargo
Prom Jus ( )

O justo se desvela no decorrer das lutas de libertação na história. O justo é um saber que se vai constituindo à medida que nossa consciência da história se aguça. Mas não basta a consciência da história, pois procurar a justiça é uma atitude ética — é uma escolha. Não podemos cair em uma visão automática da história, na qual nossa simples posição em dado estrato social nos leva necessariamente a pensar de certa forma, a valorizar em certa medida. Se aceitássemos essa visão, bastaria ficarmos quietos esperando que a história se fizesse de acordo com seus mecanismos. Mas o real é outro. A justiça está se fazendo pela organização popular, pelo aguçamento dos conflitos. E cada um de nós vislumbra o norte da justiça, por via da busca de uma visão coerente da história, aliada a uma prática e a uma análise rigorosa das circunstâncias presentemente vividas.

 

A busca da justiça como virtude não é equidistante, não é neutra, não é equilibrada. Ela nos força, a cada momento, a tomar partido, a ser parcial, tendo a parcela maior dos seres humanos como fundamento. Ser justo é viver a virtude de tomar partido em busca do melhor, fundado na visão mais lúcida possível da história e na análise das circunstâncias maiores e menores que isso envolve. A justiça é uma virtude agente que se explicita na prática social comprometida.

 

Roberto Aguiar. O que é justiça: uma abordagem dialética. Brasília:
Senado Federal. Conselho Editorial, 2020, p. 319-20 (com adaptações).

Texto 2A2-I

   

Em relação a aspectos linguísticos do texto 2A2-I, julgue o item a seguir.

 

No parágrafo, a forma pronominal “nos” funciona, sintaticamente, como complemento indireto da forma verbal “força”.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática do pronome "nos" em "força-nos"

Gabarito: ERRADO (E). No trecho "Ela nos força, a cada momento, a tomar partido", o pronome "nos" funciona como objeto direto (complemento verbal sem preposição), e não como complemento indireto. A forma verbal "força" é transitiva direta nesse contexto, exigindo complemento sem preposição: "força alguém". A banca tenta confundir ao sugerir que "nos" seria indireto, mas a regência do verbo e a ausência de preposição provam o contrário.

"Ela nos força, a cada momento, a tomar partido"

A passagem mostra "força" + "nos" sem preposição interposta. Para ser objeto indireto, seria necessário "força a nós" (com preposição "a"), o que não ocorre. O pronome "nos" é a forma átona do caso oblíquo que exerce função de objeto direto, pois o verbo "forçar" pede complemento sem preposição: forçar alguém a algo.

O comando da questão

A questão pede um julgamento sobre aspectos linguísticos — especificamente, a função sintática de um pronome oblíquo átono. Isso é gramática metalinguística: não se trata de interpretar o texto, mas de analisar a estrutura da oração. O comando "julgue o item" indica que devemos verificar se a afirmação sobre o "nos" está correta ou não.

A regra que decide: transitividade verbal e função do pronome oblíquo

O verbo "forçar" é transitivo direto quando significa "obrigar, coagir": exige complemento sem preposição (objeto direto). Na oração "Ela nos força", o pronome "nos" é o objeto direto — responde à pergunta "força quem?" → "força nos" (a nós).

Para ser objeto indireto, o complemento precisaria vir com preposição obrigatória, como em "precisar de", "gostar de", "obedecer a". O verbo "forçar" não exige preposição para seu complemento direto; a preposição "a" que aparece depois ("a tomar partido") introduz a oração subordinada substantiva objetiva indireta, não o pronome "nos".

Verbo

Transitividade

Complemento

Exemplo

forçar

direta

objeto direto (sem preposição)

"força nos"

precisar

indireta

objeto indireto (com preposição)

"precisa de nós"

A pegadinha da banca

A banca explora a confusão entre pronome oblíquo átono e a noção de "indireto". Muitos candidatos associam "nos" a objeto indireto por ser um pronome oblíquo, mas a função sintática depende da regência do verbo, não da classe do pronome. O pronome oblíquo pode ser objeto direto ("me viu"), objeto indireto ("me deu") ou até parte de verbo pronominal ("me arrependo").

NÃO CAIA NESSA!

A banca sugere que "nos" é complemento indireto, mas o verbo "forçar" é transitivo direto — o pronome é objeto direto. A ausência de preposição entre "força" e "nos" é a pista decisiva.

Análise da alternativa

Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação está errada. O pronome "nos" é objeto direto do verbo "forçar", pois este é transitivo direto. Não há preposição entre o verbo e o pronome, o que descarta a função de complemento indireto. A banca pediu o julgamento do item, e o item é falso.

Conclusão: a função sintática de um pronome oblíquo é determinada pela transitividade do verbo. "Forçar" exige objeto direto; logo, "nos" é objeto direto. A alternativa que afirma ser complemento indireto está incorreta.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a função de um pronome oblíquo, pergunte: o verbo exige preposição? Se não, é objeto direto. Se sim, é objeto indireto. Teste com a pergunta "verbo + quem?" (direto) ou "verbo + de/em/a quem?" (indireto).

Gabarito: letra E (ERRADO).

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