Delegação dos Serviços Públicos – Concessão e Permissão
Gabarito: Letra D. A alternativa D está correta porque reflete que quanto maior a essencialidade do serviço público, mais intensas são as restrições impostas ao delegatário, que deve prestar o serviço de forma adequada, como se o próprio Poder Público o fizesse, sendo vedada a rescisão unilateral do contrato (salvo hipóteses legais). Esse entendimento decorre dos princípios da continuidade e da adaptabilidade do serviço público, e está em linha com o art. 175 da Constituição Federal, que impõe ao Poder Público a responsabilidade pela prestação, ainda que delegada. As demais alternativas contêm incorreções: A) não há restrição de essencialidade para delegação; B) o serviço público não se define pelo aporte de recursos públicos; C) trata de poder de polícia, não de delegação de serviços; E) a afirmação sobre interrupção de pagamentos e rescisão unilateral é equivocada.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que apenas serviços não essenciais podem ser delegados, o que contraria o art. 175 da Constituição Federal, que prevê a delegação de serviços públicos em geral, sem essa distinção. O dever constitucional de garantir a contínua e adequada disponibilização aplica-se independentemente da essencialidade e do regime de prestação (direta ou delegada).
Art. 175CF/88
Art. 175 — "Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos."
Alternativa B — ❌ Incorreta
O conceito de serviço público não depende do aporte de recursos públicos durante a fase de investimentos. A natureza jurídica do serviço é determinada pela titularidade estatal e pelo regime de direito público a que se submete. Nas concessões comuns, o investimento é de risco do concessionário; nas PPPs, pode haver aporte público, mas isso não é condição para a configuração como serviço público. Portanto, a afirmação é equivocada.
Alternativa C — ❌ Incorreta (no contexto)
A alternativa trata do poder de polícia, que é uma função administrativa distinta da prestação de serviços públicos. O enunciado versa sobre o controle incidente sobre a prestação de serviços, com intensidade variável conforme a essencialidade. O condicionamento de atividades privadas para fins de desenvolvimento econômico, ainda que se enquadre no conceito contemporâneo de poder de polícia, não completa a frase proposta, pois foge ao tema central da delegação de serviços.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque estabelece uma relação direta entre a essencialidade do serviço e a intensidade das restrições impostas ao delegatário. Este deve prestar o serviço de forma adequada, como se o Poder Público o fizesse, e não pode rescindir unilateralmente o contrato. Tal entendimento decorre dos princípios da continuidade do serviço público e da supremacia do interesse público, e está em harmonia com o art. 175 da CF e com a Lei de Concessões (Lei 8.987/1995), que submete o delegatário a rígido controle.
Art. 2, IVLei-8987
Art. 2º, IV — "permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco."
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmação de que é vedada a interrupção dos pagamentos devidos pelo Poder Público ao delegatário não procede. O inadimplemento do poder concedente não é automaticamente proibido; a consequência é a possibilidade de o contratado buscar a rescisão judicial, não unilateral. Além disso, existem outras hipóteses de extinção da concessão (encampação, caducidade, anulação), não sendo o inadimplemento a única via. Portanto, a alternativa é falsa.
Gabarito: Letra D.