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Questão de Direito Administrativo — Utilização dos bens públicos — FCC 2015

Direito AdministrativoUtilização dos bens públicos
Código
fc022712
Banca
FCC
Órgão
TJ-GO
Ano
2015
Nível
Superior
Cargo
Juiz Substituto
Suponha que determinada empresa privada promotora de eventos pretenda utilizar um imóvel público, atualmente sem destinação e cuja propriedade foi adquirida pelo Estado por meio de adjudicação levada a efeito em processo de execução fiscal, para a instalação de um centro de convenções com a finalidade de realizar feiras agropecuárias. Considerando o regime jurídico a que se sujeitam os bens públicos, a utilização do imóvel pelo referido particular, em caráter exclusivo, poderá se dar mediante
  1. Acessão de uso, que pressupõe a transferência do domínio e se dá, necessariamente, a título oneroso.
  2. Bpermissão de uso, em caráter discricionário e precário em razão do interesse no uso beneficiar exclusivamente o particular.
  3. Cautorização de uso, sem prazo determinado e revogável mediante indenização ao particular.
  4. Dpermissão qualificada, onerosa e precedida de licitação, que não admite indenização ao particular no caso de revogação a critério da Administração.
  5. Econcessão de uso, precedida de licitação, com prazo determinado, com direito do particular a indenização caso rescindida antes do termo final.
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GabaritoE — concessão de uso, precedida de licitação, com prazo determinado, com direito do particular a indenização caso rescindida antes do termo final.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Utilização dos bens públicos – Concessão de uso

Gabarito: letra E. Para que um particular utilize imóvel público de forma exclusiva e com caráter estável, o instrumento adequado é a concessão de uso, que exige licitação, tem prazo determinado e assegura direito a indenização em caso de rescisão antecipada por interesse público. As demais alternativas trocam as características essenciais de cada instituto.

O imóvel em questão é bem dominical (sem destinação específica), permitindo sua utilização privativa por particular. O regime jurídico dos bens públicos admite três modalidades principais de uso privativo: autorização, permissão e concessão de uso. A diferença reside no grau de estabilidade, na exigência de licitação e na possibilidade de indenização.

Instrumento

Licitação

Prazo

Indenização em caso de revogação/rescisão

Natureza do ato

Concessão de uso (Gabarito - E)

Exigida

Determinado

Sim, se rescindida antes do termo final

Contrato administrativo

Cessão de uso (A)

Não exige

Indeterminado

Não se aplica (não é revogável)

Ato administrativo (transfere posse, não domínio)

Permissão de uso (B)

Não exige

Precário (indeterminado)

Não

Ato precário e discricionário

Autorização de uso (C)

Não exige

Precário (indeterminado)

Não

Ato precário e discricionário

Permissão qualificada (D)

Exigida

Determinado

Não (conforme a alternativa)

Contrato administrativo (mas sem indenização)

Uso privativo de bem público
  • 1Autorização de uso
    • Precário
    • Sem licitação
    • Sem indenização
  • 2Permissão de uso
    • Simples
      • Precário
      • Sem licitação
      • Interesse público
    • Qualificada
      • Prazo determinado
      • Licitação
      • Indenização
  • 3Concessão de uso
    • Prazo determinado
    • Licitação
    • Indenização
    • Estabilidade
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a cessão de uso transfere o domínio e é necessariamente onerosa. Erro: a cessão de uso transfere apenas a posse e o uso, não a propriedade, e pode ser gratuita ou onerosa. É um contrato de direito público, mas não se confunde com alienação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Descreve a permissão de uso como ato discricionário e precário, mas afirma que é concedida "em razão do interesse no uso beneficiar exclusivamente o particular". Erro: a permissão de uso é outorgada no interesse público, não no interesse exclusivo do particular. Além disso, a permissão simples é precária e não exige licitação. A banca confunde o requisito do interesse público com o fato de o uso ser privativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a autorização de uso é revogável mediante indenização ao particular. Erro: a autorização é ato precário, revogável a qualquer tempo sem direito a indenização, por não gerar estabilidade. Autorização é adequada para usos transitórios e de pequeno vulto, não para um centro de convenções.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Menciona a permissão qualificada (com prazo), onerosa e precedida de licitação, mas nega o direito de indenização em caso de revogação. Erro: a permissão qualificada, embora ainda precária, gera direito à compensação pecuniária se revogada antes do prazo (art. 58, § 2º, Lei 8.666/93 aplicado por analogia). Além disso, a permissão qualificada nem sempre exige licitação (só se houver mais de um interessado).

Alternativa E — ✅ Correta

Correta porque a concessão de uso é contrato administrativo que exige licitação (art. 2º da Lei 8.666/93), tem prazo determinado, é onerosa ou gratuita, e assegura ao concessionário o direito a indenização por benfeitorias e por rescisão antecipada por interesse público (art. 36, § 1º, Lei 8.666/93). A situação descrita – uso exclusivo, de maior vulto, por prazo certo – enquadra-se perfeitamente na concessão de uso.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, lembre-se: concessão de uso = contrato + licitação + prazo + indenização; permissão de uso = ato unilateral + precariedade + interesse público; autorização de uso = ato precário + interesse do particular + sem indenização. A presença de licitação e prazo determinado aponta para concessão.

Gabarito: letra E.

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