Questão de Direito Constitucional — Funções Essenciais à Justiça — FCC 2016
- Código
- fc028752
- Banca
- FCC
- Órgão
- DPE-BA
- Ano
- 2016
- Nível
- Superior
- Cargo
- Defensor Público
- AII e IV.
- BI e III.
- CI e II.
- DII e III.
- EIII e IV.
GabaritoE — III e IV.
Gabarito: letra E — estão corretos apenas os itens III e IV. O Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado, firmou o entendimento de que é inconstitucional a norma que obriga a Defensoria Pública Estadual a firmar convênio exclusivo com a OAB, por violar sua autonomia funcional, administrativa e financeira, garantida constitucionalmente (art. 134, § 2º, CF). Já a norma que meramente autoriza tal convênio é constitucional, pois não fere essa autonomia.
A banca testa o conhecimento da jurisprudência consolidada do STF sobre os limites da atuação legislativa em relação à Defensoria Pública. A autonomia da instituição, reforçada pelas Emendas Constitucionais 45/2004 e 80/2014, impede que o legislador imponha vínculos obrigatórios com entidades externas, ainda que relevantes como a OAB.
A inconstitucionalidade não decorre do fato de a OAB não ser entidade pública (a OAB é considerada sui generis pelo STF), mas sim da obrigatoriedade que viola a autonomia da Defensoria. O fundamento apontado é, portanto, equivocado.
Mesmo que prevista na Constituição Estadual, a norma obrigatória invade a autonomia constitucional da Defensoria, que é cláusula pétrea implícita do sistema de funções essenciais à Justiça. A supremacia da CF impede que o constituinte estadual imponha restrições dessa natureza.
A norma que autoriza (faculta) o convênio é constitucional, pois respeita a autonomia da Defensoria, permitindo que ela opte, discricionariamente, por firmar ou não o ajuste com a OAB, sem imposição.
Exato fundamento acolhido pelo STF: a obrigatoriedade do convênio exclusivo fere a autonomia funcional, administrativa e financeira da Defensoria Pública, garantida pelo art. 134, § 2º, da Constituição Federal.
O item I tenta confundir o candidato com um argumento que parece lógico (OAB não é pública), mas o STF não acolheu esse fundamento. O que realmente torna a norma inconstitucional é a violação da autonomia da Defensoria, como corretamente aponta o item IV.
Gabarito: letra E (itens III e IV corretos).
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