Características dos Direitos Humanos
Gabarito: letra B. A relatividade é uma das características centrais dos direitos humanos: eles não são absolutos, podem colidir entre si e sofrer restrições legítimas, como a vedação constitucional de associações paramilitares (CF, art. 5º, XVII). As demais alternativas apresentam equívocos teóricos, conforme analisado a seguir.
Característica | Descrição | Exemplo |
|---|
Irrenunciabilidade | Absoluta: não se pode abrir mão da dignidade, mesmo com consentimento | Caso do "arremesso de anões" (Corte Europeia) |
Relatividade | Direitos não são ilimitados; podem sofrer restrições legítimas | Vedação de associações paramilitares (CF, art. 5º, XVII) |
Universalidade | Princípio fundamental, relativizado pelo debate do relativismo cultural | Jus cogens (tortura, escravidão, genocídio) |
Imprescritibilidade | Alcança a pretensão à reparação econômica por violação | Ações indenizatórias por graves violações (tortura, desaparecimento) |
Historicidade | Direitos evoluem no tempo; divisibilidade é tema de debate doutrinário | Independência entre direitos e priorização geográfica (controverso) |
Alternativa A — ❌ Incorreta
A irrenunciabilidade dos direitos humanos é considerada absoluta: a pessoa não pode abrir mão de sua dignidade, ainda que por vontade própria. O caso francês do "arremesso de anões" ilustra exatamente isso — a Corte Europeia de Direitos Humanos entendeu que o consentimento não legitima a violação da dignidade. Portanto, a afirmação de que o indivíduo pode se despojar da proteção é falsa.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A relatividade (ou limitabilidade) significa que os direitos humanos não são ilimitados; podem ser restringidos para proteger outros direitos ou interesses coletivos, desde que haja previsão legal e proporcionalidade. O exemplo da vedação de associações paramilitares (CF, art. 5º, XVII) é adequado: a liberdade de associação é relativa, e o constituinte originário já estabeleceu essa limitação. A alternativa está correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que as normas de direitos humanos não integram o jus cogens, o que é incorreto. Diversos direitos humanos (como a proibição da tortura, escravidão e genocídio) são reconhecidos como normas imperativas de direito internacional geral (jus cogens). Além disso, a universalidade não é relativizada por esse motivo; ao contrário, a universalidade é um princípio fundamental, embora haja debate sobre o relativismo cultural. A premissa da alternativa é falsa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A imprescritibilidade dos direitos humanos alcança também a pretensão à reparação econômica por sua violação. No direito internacional dos direitos humanos e no direito brasileiro, as ações de indenização por graves violações (como tortura e desaparecimento forçado) são imprescritíveis. A inexistência de direito à indenização por violações ocorridas durante o regime militar é afirmada erroneamente; na verdade, a Lei de Anistia não exclui a reparação econômica, e o STF já reconheceu o direito à indenização em diversos casos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O caráter histórico dos direitos humanos não implica divisibilidade. Pelo contrário, o consenso doutrinário contemporâneo é o da indivisibilidade, interdependência e inter-relação de todos os direitos humanos (civis, políticos, econômicos, sociais, culturais). A priorização por espaço geográfico também não é uma característica aceita; a universalidade impõe que todos os direitos sejam exigíveis igualmente, independentemente da localização do titular.
MNEMÔNICOCHIIPE RIICU
CConcorrênciaRRelatividadeHHistoricidadeIImprescritibilidadeIIndivisibilidadeIIrrenunciabilidadeIInalienabilidadeCComplementaridadePProibição de retrocessoUUniversalidadeEEfetividade
Gabarito: letra B.