Mantendo-se a correção, a supressão da vírgula altera o sentido do segmento que está em:
AEvidentemente, isso não significa que o poeta não faça coisa nenhuma. (5° parágrafo)
BSe eu quiser escrever um ensaio, basta que me aplique... (4° parágrafo)
C... esbanjar o tempo do poeta, que navega ao sabor do poema. (último parágrafo)
D... numa época em que “tempo é dinheiro”, a poesia se compraz... (último parágrafo)
EParadoxalmente, a revolução cibernética de hoje diminuiu ainda mais o tempo livre. (1° parágrafo)
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GabaritoC — ... esbanjar o tempo do poeta, que navega ao sabor do poema. (último parágrafo)
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Supressão de vírgula e alteração de sentido
Gabarito: letra C. A única opção em que retirar a vírgula muda o sentido da frase é o segmento "... esbanjar o tempo do poeta, que navega ao sabor do poema." (último parágrafo). Isso ocorre porque a vírgula antes do pronome relativo "que" marca uma oração adjetiva explicativa – uma informação acessória sobre o poeta. Sem a vírgula, a oração passa a ser restritiva, delimitando qual poeta (apenas aquele que navega ao sabor do poema) tem o tempo esbanjado. O sentido original de que todo poeta navega ao sabor do poema se perde.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a diferença clássica entre oração adjetiva explicativa (com vírgula) e restritiva (sem vírgula). Em C, a vírgula é obrigatória para manter o sentido de explicação geral; suprimi-la altera a referência do termo "poeta".
Oração adjetiva
1Explicativa (com vírgula)
Informação acessória
Refere-se a todo o conjunto
2Restritiva (sem vírgula)
Delimita/especifica
Refere-se a parte do conjunto
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"Evidentemente, isso não significa que o poeta não faça coisa nenhuma."
A vírgula após "Evidentemente" separa um adjunto adverbial curto anteposto. Sua supressão é perfeitamente possível e não altera o sentido – apenas o ritmo da frase. Ainda que o advérbio fique sem pausa, o significado permanece o mesmo: "Evidentemente isso não significa...".
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Se eu quiser escrever um ensaio, basta que me aplique..."
A vírgula separa a oração subordinada condicional da oração principal. Em estruturas como essa, com oração curta e ordem direta, a vírgula é facultativa. Retirá-la não provoca ambiguidade nem muda o sentido lógico da condição. A frase continua clara: "Se eu quiser escrever um ensaio basta que me aplique...".
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"... esbanjar o tempo do poeta, que navega ao sabor do poema."
Aqui a vírgula é essencial para indicar que a oração "que navega ao sabor do poema" é explicativa: acrescenta uma característica do poeta (todo poeta navega ao sabor do poema). Se suprimirmos a vírgula, a oração passa a ser restritiva: "o tempo do poeta que navega ao sabor do poema" (e não de outro poeta). Isso altera o sentido, pois restringe a quem se refere a ação de esbanjar tempo. Portanto, suprimir a vírgula muda o significado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"... numa época em que “tempo é dinheiro”, a poesia se compraz..."
A vírgula separa um adjunto adverbial de longa extensão anteposto. Embora recomendável para clareza, sua supressão não altera o sentido – apenas pode tornar a leitura um pouco menos fluida. A relação temporal permaneceria a mesma: "numa época em que tempo é dinheiro a poesia se compraz...".
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Paradoxalmente, a revolução cibernética de hoje diminuiu ainda mais o tempo livre."
Assim como na alternativa A, a vírgula após o advérbio "Paradoxalmente" é facultativa. Sua retirada não modifica o sentido – a oposição expressa pelo advérbio continua clara. A frase sem vírgula é gramatical e semanticamente equivalente.
Conclusão: apenas o segmento da letra C sofre alteração de sentido com a supressão da vírgula, pois a mudança transforma uma oração adjetiva explicativa em restritiva.