Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2018
Português›Interpretação de Textos
Código
fc044053
Banca
FCC
Órgão
DPE-AM
Ano
2018
Cargo
Analista Jurídico de Defensoria - Ciências Jurídicas
A afirmação a ponderação é hoje a mais desmoralizada das virtudes deve ser entendida, no contexto, como
Auma constatação já consensual, a partir da tendência dominante de se afirmar que, se uma coisa é isso, é também aquilo.
Ba valorização do discernimento público que permite distinguir, metaforicamente falando, um abacaxi de um pepino.
Ca constatação de que está ocorrendo uma negação de análises mais equilibradas, por conta da violência dos radicalismos.
Duma forma de repúdio às redes sociais, quando estas expõem sem subterfúgios nossos comportamentos opressivos ancestrais.
Euma crítica violenta, dirigida àqueles que entendem o equilíbrio de julgamento como subproduto da perplexidade.
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GabaritoC — a constatação de que está ocorrendo uma negação de análises mais equilibradas, por conta da violência dos radicalismos.
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Sentido de "a ponderação é hoje a mais desmoralizada das virtudes"
Gabarito: letra C. A frase deve ser entendida como a constatação de que as análises equilibradas (ponderação) estão sendo negadas em virtude do radicalismo e da polarização, conforme o contexto do texto, que defende a reabilitação da ponderação e critica as turbas linchadoras modernas.
O autor, após satirizar a ponderação de forma fácil, afirma que ela é a "mais desmoralizada das virtudes" e que precisamos reabilitá-la. O texto desenvolve essa ideia mostrando como, atualmente, o radicalismo substitui o equilíbrio: tanto nas antigas turbas linchadoras quanto nas novas, que se julgam no direito de punir sem defesa. A exposição de comportamentos opressivos nas redes é um avanço, mas a supressão do direito de defesa é um retrocesso. Tudo isso aponta para a negação de análises ponderadas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a frase é uma "constatação já consensual" sobre a tendência de afirmar que algo é isso e aquilo. O texto, porém, não trata a ponderação como consensual; ao contrário, ela está desmoralizada e precisa ser reabilitada. A tendência satirizada no primeiro parágrafo é justamente a ponderação exagerada ("É isso, mas também aquilo"), mas a frase-chave sobre a desmoralização não se confunde com essa sátira. Erro: extrapolação e confusão entre a sátira e a tese central.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Fala em "valorização do discernimento público" e na metáfora de abacaxi e pepino. O texto não valoriza o discernimento; ele constata que a ponderação está desmoralizada. A metáfora faz parte da sátira inicial, não do sentido da afirmação em questão. Erro: fora do escopo da afirmação analisada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Diz que a frase constata "a negação de análises mais equilibradas, por conta da violência dos radicalismos". Isso corresponde exatamente ao contexto: o autor mostra que a ponderação (equilíbrio) é desmoralizada em meio a radicalismos — as turbas linchadoras, o fogo selvagem que atua hoje sem direito de defesa. A frase é seguida pela defesa da reabilitação da ponderação. Portanto, está de acordo com o texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Interpreta a frase como "repúdio às redes sociais". O texto não repudia as redes; ele reconhece o avanço civilizatório que elas proporcionam (exposição de comportamentos opressivos) e aponta o retrocesso da supressão do direito de defesa. A desmoralização da ponderação não é um repúdio às redes, mas uma crítica ao radicalismo. Erro: contradiz o texto, que vê mérito nas redes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que a frase é uma "crítica violenta" aos que entendem o equilíbrio como subproduto da perplexidade. O texto, porém, propõe que a ponderação seja reabilitada "nem que seja apenas como subproduto da perplexidade". O autor não critica essa visão; ele a endossa como alternativa. Erro: inverte o sujeito da crítica.
Conclusão: A única alternativa que reflete fielmente o sentido da frase no texto é a C, pois capta a negação do equilíbrio diante dos radicalismos, que é o cerne da argumentação do autor.
NÃO CAIA NESSA!
A banca usa a sátira inicial ("abacaxi", "pepino", "É isso, mas também aquilo") e a menção à perplexidade para criar distratores que parecem plausíveis, mas não correspondem à tese central. O candidato deve localizar o trecho exato e perceber que a frase se conecta à defesa da ponderação contra o radicalismo.
PEGA ESSA DICA!
Ao interpretar uma frase no texto, veja o que vem antes e depois dela. Aqui, o autor diz que a ponderação é desmoralizada e logo afirma que é preciso reabilitá-la. O restante do texto explica por que ela foi desmoralizada (radicalismos).