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Questão de Direito Civil — Direito das Coisas / Direitos Reais — FCC 2018

Direito CivilDireito das Coisas / Direitos Reais
Código
fc044899
Banca
FCC
Órgão
DPE-MA
Ano
2018
Cargo
Defensor Público
Fernando recebeu por comodato a posse de uma casa. Entretanto, Flávio, proprietário do imóvel, após alguns meses, notificou extrajudicialmente Fernando para que lhe devolvesse o bem. Caso Fernando recuse a restituição, em afronta à boa-fé objetiva e à proteção da confiança legítima, estar-se-á diante da:
  1. Alegítima defesa da posse, tornando-a em posse de má-fé.
  2. Binterversão da posse, tornando-a em posse injusta em razão da violência.
  3. Cinterversão da posse, tornando-a em posse injusta em razão da clandestinidade.
  4. Dinterversão da posse, tornando-a em posse injusta em razão da precariedade.
  5. Elegítima defesa da posse, por ser a posse de boa-fé
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GabaritoD — interversão da posse, tornando-a em posse injusta em razão da precariedade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Comodato e Interversão da Posse

Gabarito: letra D. No comodato, a posse do comodatário é precária, pois deriva de mera permissão (art. 1.208 CC). Ao recusar a restituição após notificação, o comodatário transforma sua posse em injusta por precariedade, caracterizando a interversão da posse.

A banca testa o conhecimento sobre os vícios da posse e a figura da interversão. O comodato é um contrato gratuito de empréstimo de coisa infungível, em que o comodatário recebe a posse direta, mas com o dever de restituir quando exigido (art. 579 CC – conceito doutrinário). Essa posse é precária, pois decorre de permissão e não se confunde com posse de boa-fé. A recusa em devolver após notificação extrajudicial torna a posse injusta pelo vício da precariedade, operando-se a interversão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A legítima defesa da posse é um meio de autotutela para repelir agressão atual ou iminente. Não se aplica à recusa de restituição em comodato, pois não há agressão; há descumprimento do dever de restituir. A posse não se torna de má-fé por este ato; o que ocorre é a mudança de sua natureza (interversão).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A violência (ato violento) é um vício que ocorre quando a posse é adquirida mediante força ou coação. No comodato, a posse inicial é lícita e pacífica. A recusa posterior não envolve violência, mas sim precariedade – o possuidor continua a usar a coisa após o término da permissão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A clandestinidade é a posse adquirida ocultamente, às escondidas do proprietário. No comodato, a posse é pública e consentida. A recusa em devolver não a torna clandestina, pois o proprietário já tem ciência da localização da coisa.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A posse precária é aquela que decorre de mera tolerância ou permissão e que deve ser restituída quando exigida (art. 1.208 CC – atos de mera permissão não induzem posse, mas no comodato há posse). No comodato, o comodatário possui a coisa com permissão do proprietário; uma vez notificado para devolver e recusando, sua posse torna-se injusta por precariedade, operando-se a interversão. É o que a doutrina chama de "interversão da posse" – mudança do título da posse.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Idem à A: a legítima defesa não se aplica. Além disso, a posse de boa-fé não impede a interversão; o que importa é o vício superveniente (precariedade) que torna a posse injusta.

Gabarito: letra D.

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