Questão de História — História do Brasil — FCC 2018
História›História do Brasil
Código
fc048696
Banca
FCC
Órgão
SEC-BA
Ano
2018
Cargo
Professor Padrão P - História
Segundo pesquisas históricas sobre a escravidão, nos primeiros quatro meses de 1852, de um total de 1660 escravos chegados ao Rio de Janeiro e vindos de outras partes do Brasil, 1376 eram oriundos dos portos da chamada região Norte do Império (que abarcava, à época, o atual Nordeste), sendo 691 provenientes da Bahia.(Dados adaptados de: MOURA, Clóvis (org.). Dicionário da Escravidão no Brasil. Edusp, 2005, p. 396)Entre as causas do crescimento do tráfico interprovincial, no período mencionado e com as características descritas acima, estão
Aa repressão ao tráfico internacional pela Lei Eusébio de Queiróz, a abundância de escravos na Bahia, destino importante na rota do tráfico internacional, e o crescimento da economia cafeeira no Sudeste.
Ba crise da produção canavieira na costa litorânea nordestina, a resistência africana aos traficantes e o baixo preço do escravo oriundo da Bahia.
Co excedente de mão de obra em algumas províncias, como a Bahia, a facilidade da navegação de cabotagem e a necessidade de braços para expansão das ferrovias no eixo Rio-São Paulo.
Do controle exercido pela Inglaterra após a Lei Bill Aberdeen, a mudança do eixo econômico, do nordeste para o sudeste, com a recente descoberta de ouro, e o aumento da procura por escravos urbanos existentes na Bahia.
Eo cumprimento da Lei Feijó, que proibia a compra de escravos ultramar, o interesse do governo imperial em diminuir a população negra baiana e o surgimento de engenhos na região sudeste.
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GabaritoA — a repressão ao tráfico internacional pela Lei Eusébio de Queiróz, a abundância de escravos na Bahia, destino importante na rota do tráfico internacional, e o crescimento da economia cafeeira no Sudeste.
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Tráfico interprovincial de escravos no Brasil Império
Gabarito: letra A. A Lei Eusébio de Queiróz (1850) reprimiu o tráfico internacional de escravos, redirecionando-o para o mercado interno. A Bahia, por ser importante porta de entrada de africanos, acumulava grande contingente de escravos, e o Sudeste, especialmente o Vale do Paraíba, demandava cada vez mais mão de obra para a expansão cafeeira. Esses fatores explicam o crescimento do tráfico interprovincial com origem na Bahia, conforme os dados apresentados.
Alternativa A — ✅ Correta
A alternativa reúne corretamente os três elementos históricos: a repressão ao tráfico internacional pela Lei Eusébio de Queiróz (que reduziu a oferta externa e impulsionou o comércio interno); a abundância de escravos na Bahia (devido à sua posição central no tráfico atlântico); e o crescimento da economia cafeeira no Sudeste (que aumentou a procura por braços escravos). Esses fatores explicam o expressivo número de escravos embarcados da Bahia para o Rio de Janeiro em 1852.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que haveria "crise da produção canavieira na costa litorânea nordestina". Embora a cana-de-açúcar enfrentasse concorrência internacional, não há evidência de crise generalizada no período – e a alternativa omite os fatores centrais (Lei Eusébio de Queiróz e demanda cafeeira). A "resistência africana" não foi causa determinante do tráfico interprovincial, e o "baixo preço do escravo oriundo da Bahia" não se sustenta como dado histórico comprovado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Menciona "excedente de mão de obra em algumas províncias" – conceito adequado –, mas inclui a "facilidade da navegação de cabotagem", que embora existisse, não foi fator decisivo. O maior erro está em associar a demanda à "expansão das ferrovias" no eixo Rio-São Paulo: as ferrovias só se expandiram após a década de 1850, e a principal força motriz do tráfico interprovincial era a cafeicultura, não as ferrovias. Além disso, a alternativa ignora a Lei Eusébio de Queiróz.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Contém anacronismo grave: a "recente descoberta de ouro" no Sudeste ocorreu no século XVIII, e não em meados do XIX. Embora mencione o controle britânico (Bill Aberdeen) e a mudança do eixo econômico, a "procura por escravos urbanos existentes na Bahia" não corresponde à realidade – a demanda era rural, para a lavoura cafeeira. A alternativa mistura fatos descontextualizados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A "Lei Feijó" (1831) proibia o tráfico internacional, mas foi ineficaz e raramente cumprida; atribuir a ela o aumento do tráfico interprovincial é equivocado. A suposição de "interesse do governo imperial em diminuir a população negra baiana" não tem base histórica. O "surgimento de engenhos na região Sudeste" é anacrônico – os engenhos de açúcar já existiam desde o período colonial; a atividade que crescia era o café.
PEGA ESSA DICA!
Ao estudar o tráfico interprovincial, lembre-se do tripé explicativo: (1) fim do tráfico atlântico (Lei Eusébio de Queiróz, 1850), (2) concentração de escravos em províncias do Norte (Bahia, Pernambuco) e (3) demanda crescente do café no Sudeste. Questões sobre o tema frequentemente exploram esses três pilares.