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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2018

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc048712
Banca
FCC
Órgão
SEC-BA
Ano
2018
Cargo
Professor Padrão P - Língua Portuguesa
Ao lado daquilo que os críticos da obra de Gregório de Matos qualificam, irrevogavelmente, de plágios, registramos também, em nossas leituras, temas, frases e procedimentos variados que o poeta foi buscar em outros autores. Em grande parte, trata-se de paródias camonianas ou de outros poetas, sendo visível a intenção do autor de estabelecer um canto paralelo ou um contraponto poético, imitando mais por espírito de emulação e sem ocultar seus desígnios, o que seria impossível, até pela projeção dos modelos. Há, contudo, exemplos expressivos de apropriação, mas como era habitual no poeta: partindo de um núcleo tomado de outro autor, reelaborar o restante, criando um novo poema. Outra maneira de que se valeu para criar em cima do texto alheio foi a paródia.(Adaptado de: GOMES, João Carlos Teixeira. Gregório de Matos, o Boca de Brasa (um estudo de plágio e criação). Petrópolis: Editora Vozes, 1985, p. 90-91)A primeira estrofe de soneto de Gregório de Matos em que se pode identificar “a desconstrução de soneto camoniano com a atitude parodística e intuito humorístico” é:
  1. ACarregado de mim ando no mundoE o grande peso embarga-me as passadas;Que, como ando por vias desusadas,Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.
  2. BAlma ditosa, que na empírea corte,Pisando estrelas vais de sol vestida,Alegres com te ver fomos na vida,Tristes com te perder somos na morte.
  3. CSete anos a nobreza da BahiaServia a uma pastora indiana e belaPorém serviu à Índia, e não a ela,Que à Índia só por prêmio pretendia.
  4. DAlegre com a empresa desejosaCorta o Cabo a espessura e busca a viaNão faltando da esquadra criminosaAlgum, que não pudesse neste dia:Marcha triunfando a gente belicosa,Pasmam de ver os filhos da BahiaO sucesso, a prisão, os rebelados,Cam. As armas e os varões assinalados.
  5. ETriste Bahia, oh quão dessemelhanteEstás e estou do nosso antigo estado;Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado,Rica te vi eu já, tu a mim abundante.
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GabaritoC — Sete anos a nobreza da Bahia Servia a uma pastora indiana e bela Porém serviu à Índia, e não a ela, Que à Índia só por prêmio pretendia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Identificação de paródia camoniana em Gregório de Matos

Gabarito: letra C. O texto afirma que Gregório de Matos realizava paródias camonianas com "atitude parodística e intuito humorístico". A estrofe da alternativa C é uma clara paródia do famoso soneto de Camões "Sete anos de pastor Jacob servia", substituindo o pastor Jacob pela nobreza da Bahia e a servidão a uma pastora indiana, com o trocadilho "serviu à Índia, e não a ela" – típico do humor do poeta baiano. O texto-base diz que há "paródias camonianas" e exemplos de "apropriação" e "desconstrução" humorística, o que se aplica perfeitamente à estrofe C.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A estrofe "Carregado de mim ando no mundo..." é um soneto original de Gregório de Matos sobre o peso da existência, sem relação direta com paródia camoniana. Erro: não apresenta desconstrução humorística de Camões.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Alma ditosa, que na empírea corte..." é uma estrofe de tom sério e religioso, possivelmente influenciada por Camões, mas sem paródia ou humor. Erro: falta a atitude parodística e o intuito humorístico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme explicado, esta estrofe parodia o soneto camoniano "Sete anos de pastor Jacob servia" (Camões), trocando o contexto bíblico pelo ambiente baiano e introduzindo o humor no trocadilho "serviu à Índia, e não a ela". É exatamente o que o texto descreve como "desconstrução de soneto camoniano com a atitude parodística e intuito humorístico".

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Alegre com a empresa desejosa..." é uma estrofe épica que imita Camões no estilo, mas sem o humor e a desconstrução – trata-se de uma adaptação séria (canto paralelo), não de paródia. Erro: não há intuito humorístico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Triste Bahia, oh quão dessemelhante..." é um famoso soneto de Gregório de Matos sobre a decadência da Bahia, com influência camoniana no lamento, mas sem humor ou paródia. Erro: tom sério e crítico, não humorístico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca pode confundir o candidato com estrofes que imitam Camões de forma séria (como a D ou E) ou com paródias não humorísticas (B). A chave é identificar o HUMOR e a DESCONSTRUÇÃO, que só aparecem na C.

Conclusão: A única estrofe que atende à descrição "desconstrução de soneto camoniano com atitude parodística e intuito humorístico" é a da alternativa C.

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