Não penso que exista realmente uma introdução para a análise de discurso [...] Haverá sempre [...] muitas maneiras de apresentá-la e sempre a partir de perspectivas que mostram menos a variedade da ciência que a presença da ideologia.(ORLANDI, Eni P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 12. ed. Campinas: Pontes Editores, 2015, p. 7)No fragmento acima, os termos destacados têm respectivamente valor de conjunção integrante e pronome relativo; fato similar ocorre em:
AEmbora a Análise do Discurso, que toma o discurso como seu objeto primário, tenha seu início nos anos 60 do século XX, o estudo do que interessa a ela [...] já se apresentara de forma não sistemática em diferentes épocas e segundo diferentes perspectivas.
BNão há uma verdade oculta atrás do texto. Há gestos de interpretação que o constituem e que o analista, com seu dispositivo, deve ser capaz de compreender. Daí termos proposto que se distinga a inteligibilidade, a interpretação e a compreensão.
C[...] é preciso que o que foi dito por um sujeito específico em um momento particular se apague na minha memória [...].
D[...] para Foucault [...] há discursos, como as conversas, receitas, decretos, contratos, que precisam de quem os assine, mas não de autores. Em meu trabalho desloquei essa noção de modo a considerar, à diferença de Foucault, que a própria unidade do texto é efeito discursivo que deriva do princípio da autoria.
ESe digo ‘Deixei de fumar,’ o pressuposto é que eu fumava antes, ou seja, não posso dizer que ‘deixei de fumar’ se não fumava antes.
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GabaritoC — [...] é preciso que o que foi dito por um sujeito específico em um momento particular se apague na minha memória [...].
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Sequência de "que" (conjunção integrante + pronome relativo)
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que reproduz a mesma sequência de valores do fragmento original: o primeiro "que" é conjunção integrante (introduz oração subordinada substantiva) e o segundo é pronome relativo (retoma um termo antecedente).
No texto fornecido, lê-se: "Não penso que exista realmente uma introdução ... a partir de perspectivas que mostram menos a variedade". O primeiro que liga a oração subordinada substantiva objetiva direta ao verbo "penso" – é conjunção integrante. O segundo que refere-se a "perspectivas" e inicia oração adjetiva – é pronome relativo.
A banca pede a alternativa em que ocorra fato similar, ou seja, mesma ordem: primeiro conjunção integrante, segundo pronome relativo.
Função
Fragmento original
Alternativa C (gabarito)
1º "que"
Conjunção integrante (liga "penso" à oração subjetiva)
Conjunção integrante (liga "preciso" à oração subjetiva)
2º "que"
Pronome relativo (retoma "perspectivas")
Pronome relativo (retoma "o" = aquilo)
Alternativa A – ❌ Incorreta
"Embora a Análise do Discurso, que toma o discurso como seu objeto primário, tenha seu início ... o estudo do que interessa a ela"
O primeiro que é pronome relativo (retoma "Análise do Discurso"); o segundo é também pronome relativo (precedido de preposição, "do que" = "daquilo que"). Não há conjunção integrante. Erro: sequência invertida e ausência de conjunção.
Alternativa B – ❌ Incorreta
"Há gestos de interpretação que o constituem e que o analista ... Daí termos proposto que se distinga"
O primeiro que é pronome relativo (retoma "gestos"); o segundo também é pronome relativo; o terceiro é conjunção integrante. A sequência pedida (1º conjunção, 2º relativo) não aparece. Erro: ordem errada.
Alternativa C – ✅ Correta ⟵ GABARITO
"é preciso que o que foi dito por um sujeito específico em um momento particular se apague"
O primeiro que (depois de "preciso") introduz oração subordinada substantiva subjetiva – conjunção integrante. O segundo que (depois de "o") funciona como pronome relativo, referindo-se ao demonstrativo "o" (equivale a "aquilo"). Exata correspondência com o fragmento original.
Alternativa D – ❌ Incorreta
"há discursos ... que precisam de quem os assine ... de modo a considerar, ... que a própria unidade do texto é efeito"
O primeiro que é pronome relativo (retoma "discursos"); o segundo é conjunção integrante (introduz oração subordinada substantiva objetiva direta). Sequência invertida. Erro: ordem trocada.
Alternativa E – ❌ Incorreta
"o pressuposto é que eu fumava antes ... não posso dizer que ‘Deixei de fumar’"
Ambos os que são conjunções integrantes (o primeiro introduz predicativo, o segundo objeto direto). Não há pronome relativo. Erro: ausência de pronome relativo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as duas funções do "que" e a ordem em que aparecem. Muitas alternativas possuem ambos os valores, mas na sequência inversa à pedida. 💡 Dica: Identifique primeiro o antecedente: se houver um substantivo, adjetivo ou pronome sendo retomado, é pronome relativo; se não houver, e o "que" apenas liga orações, é conjunção integrante. Compare sempre a ordem no enunciado.