Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2018
- Código
- fc051593
- Banca
- FCC
- Órgão
- DPE-AM
- Ano
- 2018
- Aalcançarem à.
- Bfizerem juz a.
- Cque ocorresse.
- Dlhe sucederem.
- Eque os fosse concedido.
GabaritoC — que ocorresse.
Gabarito: letra C. A única alternativa que pode anteceder a expressão "até sua emancipação" mantendo o sentido, a coesão e a correção gramatical é a C ("que ocorresse"), formando a locução conjuntiva temporal "até que ocorresse sua emancipação".
O texto original diz: "eles ficavam sob tutela estatal e deviam prestar serviços ao Estado ou a particulares por 14 anos até sua emancipação" (2º parágrafo). A banca pergunta qual expressão pode ser inserida imediatamente antes de "sua emancipação" (isto é, entre "até" e "sua") sem alterar o sentido temporal. Analisemos:
"Até que ocorresse sua emancipação" é a construção correta. A conjunção "até" pode ser seguida de "que" + verbo no subjuntivo (tempo passado, aqui imperfeito do subjuntivo) para indicar um limite temporal. A oração "que ocorresse" tem sujeito claro ("sua emancipação") e mantém o sentido original: o serviço prestado duraria até o momento em que a emancipação acontecesse. Gramaticalmente, não há erro de regência ou concordância.
"Até alcançarem à sua emancipação" — o verbo "alcançar" é transitivo direto, não rege preposição "a"; portanto, a crase é indevida (alcançarem a emancipação, sem crase). Além disso, o sentido de "alcançar" (obter) não é exatamente o mesmo de "ocorrer": a emancipação era automática após 14 anos, não dependia de esforço para ser "alcançada". Erro de regência e ligeira alteração de sentido.
"Até fizerem juz a sua emancipação" — a expressão "fazer juz a" significa "ser merecedor de", o que não se aplica ao contexto: a emancipação era concedida por tempo de serviço, não por merecimento. Há, portanto, quebra de sentido (infere-se que a emancipação dependia de merecimento, o que o texto não diz). Além disso, a regência de "juz" exige a preposição "a", mas a construção "fizerem juz a sua emancipação" é gramaticalmente possível, porém inadequada semanticamente.
"Até lhe sucederem" — o verbo "suceder" no sentido de "acontecer" é impessoal (não tem sujeito explícito) ou intransitivo; o pronome "lhe" funcionaria como objeto indireto, mas não há verbo que o exija. A frase ficaria confusa: "até lhe suceder a emancipação" seria estranho, pois "suceder" não rege complemento indireto nessa acepção. A alternativa é agramatical.
"Até que os fosse concedido" — aqui o verbo "conceder" exige dois complementos: algo (objeto direto) e a alguém (objeto indireto). A forma correta seria "até que lhes fosse concedida a emancipação". O uso de "os" (pronome oblíquo direto) no lugar de "lhes" (indireto) e a falta de concordância de gênero ("concedido" em vez de "concedida") tornam a opção gramaticalmente incorreta.
Em questões de substituição de expressões, verifique primeiro a regência e a concordância, depois o sentido. A banca costuma misturar erros de crase, pronomes e regência para confundir. A opção que contém uma oração subordinada temporal com "que" + subjuntivo é quase sempre a mais segura.
Portanto, a única alternativa que preserva integralmente o significado temporal e a correção gramatical é a letra C.
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