A função real da prisão no Brasil: morte em vida e morte real
Gabarito: letra B. A criminologia crítica demonstra que a prisão, no Brasil, não cumpre função ressocializadora, mas sim de controle social violento, com a eliminação simbólica (morte em vida) e física dos custodiados. A notícia sobre o massacre em Manaus exemplifica essa realidade, corroborando a tese de que a morte é uma das funções reais do sistema prisional. As demais alternativas ou idealizam a privatização, ou simplificam as causas, ou distorcem o sentido crítico.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a privatização das prisões se mostrou uma necessidade humanitária para reduzir massacres. No entanto, a criminologia crítica aponta que o modelo privatizado também é marcado por violações e não resolve a falência estrutural do sistema. Além disso, a notícia relata exatamente massacres em prisões privatizadas, desmentindo a suposta humanização.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A assertiva está alinhada com a criminologia crítica e a realidade do sistema prisional brasileiro: a prisão produz morte real e morte em vida (condições degradantes, superlotação, violência institucional). A fala do agente penitenciário – "massacre anunciado" – evidencia que a morte não é acidental, mas consequência previsível e, para muitos, funcional. O encarceramento em massa seleciona e elimina indesejáveis, como denunciam autores como Juarez Cirino dos Santos e Lola Aniyar de Castro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Atribui a omissão dos agentes penitenciários como causa principal do estado de coisas inconstitucional. A criminologia crítica mostra que a causa é estrutural: a seletividade penal, o superencarceramento e a falta de políticas públicas. A omissão individual é sintoma, não raiz do problema.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A guerra entre facções criminosas não demonstra "possibilidade de gestão prisional de neutralizar os indesejáveis"; pelo contrário, revela o fracasso do sistema em controlar a violência e a seletividade que produz a eliminação. A criminologia crítica entende que a "neutralização" não é uma possibilidade de gestão, mas sim a própria função real da prisão – eliminação física e simbólica dos corpos marginalizados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Tratar as mortes como eventos isolados contraria a regularidade dos massacres e a análise crítica. Embora a reinserção social seja prevista legalmente, na prática a prisão brasileira opera como espaço de exclusão e morte, não de reabilitação. A notícia é mais um episódio de um padrão sistêmico.
🎯 Pegadinha: A alternativa D usa linguagem que parece crítica ("neutralizar os indesejáveis"), mas inverte o raciocínio: a guerra de facções não é demonstração de controle, e sim do caos prisional. A banca espera que o candidato identifique que a "morte real" é função real, não mera consequência de gestão falha.
💡 Dica: Em questões de criminologia crítica, lembre-se de que a prisão tem funções ocultas (controle, seletividade, eliminação). Sempre desconfie de alternativas que atribuem causas simplistas (como omissão individual) ou que idealizam soluções (como privatização).
Gabarito: letra B