Questão de História e Geografia de Estados e Municípios — História e Geografia do Estado da Bahia — FCC 2021
História e Geografia de Estados e Municípios›História e Geografia do Estado da Bahia
Código
fc059680
Banca
FCC
Órgão
DPE-BA
Ano
2021
Cargo
Defensor (A) Público (A)
Considere os seguintes trechos:
[…] dos fins de 1793 para começo de 1794, até julho, agosto-setembro de 1797, atuou na Cidade do Salvador um pequeno
grupo de “homens de consideração”, brasileiros que repudiavam a exploração colonial e sentiam atração pela França das ideias
democrático-burguesas […].
[…] homens livres, mas socialmente discriminados, mulatos, soldados, artesãos, ex-escravos e descendentes de escravos,
conceberam a ideia de uma república que garantisse igualdade. São eles que estão falando em levante em 1798.
(TAVARES, Luís Henrique Dias. História da Sedição Intentada na Bahia em 1798: A Conspiração dos Alfaiates. São Paulo, Pioneira;
Brasília, INL, 1975, p. 95-96)
O autor faz uma análise da Conjuração Baiana de 1798, também conhecida como Revolta dos Búzios, indicando que existiram duas fases do movimento. Nesse sentido,
Ao mestre alfaiate, João de Deus do Nascimento, foi um rebelde que representou os grupos identificados às duas fases do movimento, pois era pardo, letrado e com uma posição social de destaque nos fins do século XVIII.
Bos “homens de consideração” eram brancos letrados que protagonizaram a primeira fase do movimento rebelde, encampando uma luta explícita pela liberdade e igualdade social na Bahia.
Cas ideias democrático-burguesas defendidas pelos “homens de consideração”, em apoio ao catolicismo e à monarquia, ficaram conhecidas neste contexto baiano como as “francesias”.
Do cirurgião prático e lavrador, Cipriano José Barata de Almeida, foi um legítimo representante do grupo que protagonizou a segunda fase do movimento rebelde baiano de 1798.
Ea condição social e racial influenciou a condenação dos homens que foram mortos na Praça da Piedade, em 8 de novembro de 1799, após a segunda fase do levante.
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GabaritoE — a condição social e racial influenciou a condenação dos homens que foram mortos na Praça da Piedade, em 8 de novembro de 1799, após a segunda fase do levante.
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Conjuração Baiana de 1798
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que acerta ao afirmar que a condição social e racial influenciou a condenação dos executados na Praça da Piedade, em 8 de novembro de 1799, após a segunda fase do levante. O texto de Luís Henrique Dias Tavares mostra duas fases: a primeira, de "homens de consideração" (elite branca atraída por ideias francesas), e a segunda, de homens livres discriminados socialmente (mulatos, soldados, artesãos, ex-escravos) que queriam uma república igualitária. Os líderes da segunda fase foram condenados à morte, e a pena recaiu mais severamente sobre os mais pobres e de cor, como João de Deus e Manuel Faustino.
Luís Henrique Dias Tavares, História da Sedição Intentada na Bahia em 1798:
"[...] dos fins de 1793 para começo de 1794, até julho, agosto-setembro de 1797, atuou na Cidade do Salvador um pequeno grupo de 'homens de consideração', brasileiros que repudiavam a exploração colonial e sentiam atração pela França das ideias democrático-burguesas [...]"
"[...] homens livres, mas socialmente discriminados, mulatos, soldados, artesãos, ex-escravos e descendentes de escravos, conceberam a ideia de uma república que garantisse igualdade. São eles que estão falando em levante em 1798."
1793-17971ª fase: 'homens de consideração'
17982ª fase: homens livres discriminados
8/11/1799Execução na Praça da Piedade
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Alternativa A — ❌ Incorreta
João de Deus do Nascimento, mestre alfaiate pardo, foi um dos executados da segunda fase, não representante das duas fases. A primeira fase era composta por "homens de consideração" – brancos e letrados –, e não por pardos como ele. O texto não o associa à elite inicial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os "homens de consideração" foram os protagonistas da primeira fase, mas sua luta não era explicitamente por "liberdade e igualdade social na Bahia"; esta bandeira foi levantada pela segunda fase, conforme o trecho que fala em "república que garantisse igualdade". A alternativa troca as pautas das fases.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As ideias democrático-burguesas eram atraentes para os "homens de consideração", mas não há indício de que eles as defendessem "em apoio ao catolicismo e à monarquia". Pelo contrário, a França revolucionária era anticlerical e antimonárquica. O termo "francesias" não aparece no texto e é uma caracterização equivocada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Cipriano José Barata de Almeida, cirurgião prático e lavrador, pertencia à elite intelectual e, portanto, à primeira fase do movimento (os "homens de consideração"). A alternativa o coloca como representante da segunda fase, invertendo os grupos.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Após a segunda fase, os líderes foram presos e condenados. Em 8 de novembro de 1799, quatro rebeldes foram enforcados e esquartejados na Praça da Piedade: os alfaiates João de Deus, Manuel Faustino, e os soldados Lucas Dantas e Luís Gonzaga. Todos eram pardos ou negros e de baixa condição social, enquanto os membros da primeira fase tiveram penas mais brandas (prisão, degredo). O texto confirma que a discriminação social e racial marcou a repressão.
PEGA ESSA DICA!
A banca frequenta a separação das duas fases da Conjuração Baiana: a primeira, elitista e moderada; a segunda, popular e radical. Grave que os executados foram todos da segunda fase (mulatos e pobres) e que os "homens de consideração" (brancos) escaparam da forca.