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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc061347
Banca
FCC
Órgão
DPE-AM
Ano
2022
Cargo
Analista Jurídico de Defensoria - Ciências Jurídicas
Atenção: Considere o texto abaixo, do pensador francês Voltaire (1694-1778), para responder à questão.

O preço da justiça 

  Vós, que trabalhais na reforma das leis, pensai, assim como grande jurisconsulto Beccaria, se é racional que, para ensinar os homens a detestar o homicídio, os magistrados sejam homicidas e matem um homem em grande aparato.

 Vede se é necessário matá-lo quando é possível puni-lo de outra maneira, e se cabe empregar um de vossos compatriotas para massacrar habilmente outro compatriota. [...] Em qualquer circunstância, condenai o criminoso a viver para ser útil: que ele trabalhe continuamente para seu país, porque ele prejudicou o seu país. É preciso reparar o prejuízo; a morte não repara nada.

  Talvez alguém vos diga: “O senhor Beccaria está enganado: a preferência que ele dá a trabalhos penosos e úteis, que durem toda a vida, baseia-se apenas na opinião de que essa longa e ignominiosa pena é mais terrível que a morte, pois esta só é sentida por um momento”.

   Não se trata de discutir qual é a punição mais suave, porém a mais útil. O grande objetivo, como já dissemos em outra passagem, é servir o público; e, sem dúvida, um homem votado todos os dias de sua vida a preservar uma região da inundação por meio de diques, ou a abrir canais que facilitem o comércio, ou a drenar pântanos infestados, presta mais serviços ao Estado que um esqueleto a pendular de uma forca numa corrente de ferro, ou desfeito em pedaços sobre uma roda de carroça. 

(VOLTAIRE. O preço da justiça. Trad. Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 18-20)

A frase Não se trata de discutir qual é a punição mais suave, porém a mais útil ganha uma nova redação, na qual se mantêm sua correção e seu sentido em:
  1. ANão se discute que a punição seja mais suave, no caso da mesma ser mais útil.
  2. BUma vez que seja mais útil, não importa que a punição seja ainda mais suave.
  3. CÉ o caso de se discutir qual punição é a mais útil, e não a mais suave.
  4. DUma vez que seja mais útil, não se discuta se a punição é mais suave.
  5. ENão vem ao caso uma punição na qual seja mais suave, porquanto mais útil.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — É o caso de se discutir qual punição é a mais útil, e não a mais suave.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frase sem alteração de sentido

Gabarito: letra C. A única alternativa que mantém o sentido original da frase de Voltaire é a C, pois inverte a estrutura preservando a oposição entre "mais suave" e "mais útil". A frase original afirma que não se trata de discutir qual punição é mais suave, mas sim qual é a mais útil. A alternativa C diz exatamente o contrário? Não: ela coloca em destaque o que deve ser discutido (a utilidade) e afasta a suavidade ("e não a mais suave"), mantendo a ideia de que o foco é a utilidade, não a suavidade.

"Não se trata de discutir qual é a punição mais suave, porém a mais útil."

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Não se discute que a punição seja mais suave, no caso da mesma ser mais útil."

A alternativa insere uma condição ("no caso da mesma ser mais útil") que não existe no original. O original não diz que a discussão sobre suavidade só é descartada se a punição for útil; ele simplesmente contrasta os dois critérios. Erro: acrescenta condição (extrapola).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Uma vez que seja mais útil, não importa que a punição seja ainda mais suave."

Aqui a utilidade é dada como causa para desconsiderar a suavidade ("uma vez que... não importa"), o que transforma a relação adversativa em causal. O original não afirma que uma coisa invalida a outra; apenas diz que o foco deve ser outro. Erro: troca o conectivo adversativo por causal (troca_termo).

Alternativa C — ✅ Correta

"É o caso de se discutir qual punição é a mais útil, e não a mais suave."

Esta alternativa mantém a oposição: discute-se a utilidade, não a suavidade. O "e não" equivale ao "porém" original na função de excluir um termo em favor do outro. A inversão da ordem (afirmar o útil primeiro, depois negar o suave) é uma paráfrase legítima. Correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Uma vez que seja mais útil, não se discuta se a punição é mais suave."

Novamente a utilidade é posta como condição ("uma vez que") e ainda se usa o modo imperativo ("não se discuta"), o que altera o tom e a lógica. O original é uma constatação, não uma ordem condicionada. Erro: condição + imperativo (extrapola e troca o modo verbal).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Não vem ao caso uma punição na qual seja mais suave, porquanto mais útil."

Aqui o "porquanto" (causal) estabelece que a punição é descartada por ser suave porque é útil — relação de causa e efeito invertida. O original apenas contrasta, não estabelece causalidade. Erro: substitui oposição por causa (troca_termo).

Conclusão: A única reescrita que respeita o sentido e a correção gramatical é a letra C. As demais alteram a relação lógica (condição, causa, imperativo) ou acrescentam ideias ausentes no texto.

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