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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2022

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc061351
Banca
FCC
Órgão
DPE-AM
Ano
2022
Cargo
Analista Jurídico de Defensoria - Ciências Jurídicas

Atenção: Considere a crônica abaixo para responder à questão.


O estranho ofício de escrever

  Crônica? Nunca a célebre definição de Mário de Andrade (sobre o conto) veio tão a propósito: crônica é tudo aquilo que chamamos de crônica. 

  Nunca me esqueço do dia em que o Carlos Castello Branco me disse, a propósito das crônicas que eu escrevia no falecido Diário Carioca, já se vão muitos anos: 

  − Eu, se fosse você, parava um pouco. Essa sua última crônica estava de amargar

  Parei dois anos por causa disso. Quando recomecei, como todo cronista que se preza, vez por outra recauchutava um escrito antigo, à falta de coisa melhor, confiante no ineditismo que o tempo lhe conferia. Até que chegou o dia em que no meu estoque não restava senão uma, aquela que o Castellinho havia estigmatizado com seu implacável juízo crítico. Vai essa mesmo – decidi, tapando o nariz e escondendo a cara de vergonha.  

   Pois não vem o mesmo Castellinho me dizer, efusivo, a propósito da mesmíssima crônica:

   − É das melhores coisas que você já escreveu.

  Havia-se esquecido, o mandrião. E por causa dele eu passara dois anos no estaleiro. Quando lhe acusei a distração, ele não se perturbou:

  − Agora achei boa. Ou a crônica melhorou, ou eu é que piorei. 

(Adaptado de: SABINO, Fernando. In: Os sabiás da crônica. Antologia. Org. de Augusto Massi. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 152)
Há emprego da voz passiva e adequada correlação entre os tempos verbais na frase:
  1. AO amigo Castellinho revelara-se muito rigoroso quando viesse a julgar a crônica que Fernando Sabino havia escrito.
  2. BFernando Sabino espantara-se quando o amigo elogiaria uma crônica que já tivesse recriminado.
  3. CNão se pode esperar que um cronista pudesse ter escrito todos os dias crônicas de valor incontestável.
  4. DQuando passam a se criticar mutuamente, alguns cronistas terão manifestado um rigor que jamais aplicassem a si mesmos.
  5. ETantas crônicas já foram escritas que não seria possível reconhecer em todas o mesmo grau de excelência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Tantas crônicas já foram escritas que não seria possível reconhecer em todas o mesmo grau de excelência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Voz passiva e correlação temporal nas frases

Gabarito: letra E. A única frase que apresenta emprego da voz passiva ("foram escritas") e adequada correlação entre os tempos verbais é a alternativa E. A passiva é formada por "ser" + particípio, e os tempos (pretérito perfeito + futuro do pretérito) estabelecem relação lógica de causa e consequência.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Não há voz passiva. "Revelara-se" é voz ativa (pretérito mais-que-perfeito). A correlação entre "revelara-se" e "viesse" é inadequada: o primeiro indica ação concluída, o segundo, ação hipotética no passado, sem encadeamento lógico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não há voz passiva. "Espantara-se" é ativo. "Elogiaria" (futuro do pretérito) com "quando" (tempo) é estranho; o correto seria um pretérito imperfeito do subjuntivo. A correlação temporal falha.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Não se pode esperar" – o "se" é indeterminado, não passivo (voz ativa com sujeito indefinido). "Pudesse ter escrito" é ativo. Sem passiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Se criticar" é voz reflexiva, não passiva. "Terão manifestado" (futuro do presente) com "aplicassem" (pretérito imperfeito do subjuntivo) não se correlacionam adequadamente.

Alternativa E — ✅ Correta

"Tantas crônicas já foram escritas que não seria possível reconhecer em todas o mesmo grau de excelência."

A locução "foram escritas" é voz passiva analítica (verbo ser + particípio). A correlação temporal é perfeita: o fato passado ("foram escritas") justifica a consequência no futuro do pretérito ("seria"), indicando impossibilidade hipotética decorrente de uma ação concluída.

Gabarito: letra E

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