Paradigma da reação social (Labelling Approach)
Gabarito: letra B. Segundo o paradigma da reação social (teoria do etiquetamento ou labelling approach), a atribuição do status de criminoso não depende exclusivamente da prática do ato delitivo em si, mas sim da reação social – especialmente da criminalização secundária, que altera a identidade da pessoa rotulada. É exatamente o que afirma a alternativa B.
A banca cobra a distinção entre o foco nas causas do crime (teorias tradicionais) e o foco nos processos de rotulação e estigmatização. O labelling approach desloca a análise do desvio para a reação social ao desvio.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o estigma deixa de ser determinante e que a pena ganha fundamentos de reabilitação no Estado de bem-estar social. Isso é o oposto do que defende a teoria da reação social: para ela, o estigma é central e a reação social (pena) muitas vezes reforça a identidade desviante, não a reabilita. A alternativa confunde a perspectiva crítica com ideais ressocializadores do welfare state.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. A criminalização secundária – a aplicação concreta do rótulo de criminoso pelas instâncias de controle – é o que efetivamente transforma alguém em criminoso, alterando sua identidade e gerando um estigma que perpetua a conduta desviante (efeito de profecia autorrealizadora). A alternativa reproduz com precisão o núcleo do labelling approach.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Trata do garantismo penal (Ferrajoli) e da limitação do poder punitivo. Embora o garantismo dialogue com a criminologia crítica, não é o paradigma da reação social. A alternativa mistura conceitos de diferentes correntes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Refere-se aos movimentos de Lei e Ordem e Tolerância Zero, que são reações punitivas e securitárias. A teoria da reação social é crítica a esses movimentos, pois eles exacerbam a rotulação e o encarceramento em massa. A alternativa inverte a posição do paradigma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Sustenta que o crime e suas causas retomam a centralidade na explicação das taxas de encarceramento. O labelling approach, ao contrário, descentraliza as causas do crime e enfoca os processos de seleção e rotulação que explicam quem é preso. A alternativa está em desacordo com a ênfase do paradigma.
Gabarito: letra B