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Questão de Criminologia — Criminologia Contemporânea: “Bullying”, Justiça Restaurativa e Mediação Penal, Justiça Terapêutica, Justiça Instantânea, Exame Criminológico e Reintegração Social. Teorias da Pena, Reação Social e Prevenção da Criminalidade. — FCC 2022

CriminologiaCriminologia Contemporânea: “Bullying”, Justiça Restaurativa e Mediação Penal, Justiça Terapêutica, Justiça Instantânea, Exame Criminológico e Reintegração Social. Teorias da Pena, Reação Social e Prevenção da Criminalidade.
Código
fc061631
Banca
FCC
Órgão
DPE-CE
Ano
2022
Cargo
Defensor(a) Público(a) de Entrância Inicial
De acordo com a economia política da pena,
  1. Aa prisão moderna nasce da necessidade de humanização das penas, com o abandono das sanções corporais por influência do racionalismo iluminista e seus postulados de um direito penal liberal.
  2. Bos crimes de colarinho branco independem do poder econômico do agente, mas de seu caráter sigiloso, como a corrupção policial.
  3. Ca correta compreensão das funções da prisão deve abandonar razões históricas e concentrar-se em motivações econômicas que se repetem estruturalmente nos diversos locais e períodos.
  4. Da compreensão das variações históricas e contemporâneas do sistema penal deve estar orientada por uma análise estrutural das relações entre tecnologias penais e transformações econômicas.
  5. Eo poder econômico induz a criminalidade das classes subalternas, que praticam mais crimes do que os poderosos.
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GabaritoD — a compreensão das variações históricas e contemporâneas do sistema penal deve estar orientada por uma análise estrutural das relações entre tecnologias penais e transformações econômicas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Economia política da pena

Gabarito: letra D. A economia política da pena, na perspectiva da criminologia crítica, sustenta que a compreensão do sistema penal deve estar ancorada em uma análise estrutural das relações entre as tecnologias penais e as transformações econômicas, considerando as variações históricas e contemporâneas. Essa abordagem, influenciada pelo pensamento de Alessandro Baratta, enfatiza que o direito penal e as práticas punitivas não são neutros, mas sim reflexo e instrumento de reprodução das desigualdades sociais e econômicas.

A banca testa o conhecimento da vertente crítica da criminologia, que se opõe às explicações tradicionais e liberais sobre a origem e as funções da pena. A economia política da pena rejeita visões idealizadas (como a humanização pelo iluminismo) ou reducionistas (como motivações econômicas invariáveis) e defende uma análise concreta das interações entre sistema penal e estrutura econômica em cada contexto histórico.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que a prisão moderna nasce da necessidade de humanização e abandono das sanções corporais por influência iluminista reflete a narrativa liberal clássica. Para a economia política da pena, essa visão é insuficiente e oculta as funções reais da prisão como mecanismo de controle das classes subalternas e de manutenção da ordem econômica capitalista. Autores como Michel Foucault e Georg Rusche & Otto Kirchheimer mostraram que a emergência da prisão está ligada a transformações econômicas e à necessidade de disciplinar a força de trabalho.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Os crimes de colarinho branco, na criminologia crítica, estão intimamente ligados ao poder econômico e à posição social dos agentes, sendo frequentemente invisibilizados ou tratados com leniência pelo sistema penal. A alternativa erra ao afirmar que independem do poder econômico e se baseiam apenas no caráter sigiloso. A seletividade penal é um dos pilares da análise crítica: crimes cometidos por poderosos são menos punidos, não por serem sigilosos, mas por refletirem os interesses da classe dominante.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A economia política da pena não propõe o abandono das razões históricas em favor de motivações econômicas imutáveis e repetitivas. Pelo contrário, ela busca compreender como as formas de punição variam conforme as transformações econômicas e sociais em cada época e lugar. A alternativa reduz o pensamento crítico a um determinismo econômico simplista, o que não corresponde à complexidade da abordagem.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa sintetiza corretamente o núcleo da economia política da pena: a necessidade de uma análise estrutural que relacione as tecnologias penais (como a prisão, as multas, as medidas alternativas) com as transformações econômicas. Ela reconhece a historicidade e a variação dos sistemas penais, mas sempre vinculando-os à estrutura econômica. Esse é o ensinamento central de obras como "Punição e Estrutura Social" de Rusche e Kirchheimer e da criminologia crítica de Baratta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirmar que "o poder econômico induz a criminalidade das classes subalternas, que praticam mais crimes do que os poderosos" é uma visão positivista e estigmatizante. A criminologia crítica questiona os dados oficiais de criminalidade, apontando que eles refletem a seletividade do sistema penal, e não a real distribuição da criminalidade. Não há evidência de que as classes subalternas pratiquem mais crimes; o que ocorre é que seus crimes são mais visíveis e punidos. Além disso, a criminalidade dos poderosos (colarinho branco, ambiental, etc.) causa danos imensos, mas é subnotificada.

Gabarito: letra D

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