Questão de Pedagogia — Legislação da Educação — FCC 2022
Pedagogia›Legislação da Educação
Código
fc062778
Banca
FCC
Órgão
SEC-BA
Ano
2022
Cargo
Coordenador Pedagógico Padrão P - Grau III - para Escolas Indígenas
Leia o depoimento do professor Karai JekupéValorizar nossa língua e nossa cultura é nossa forma de resistir. As ameaças são muitas. E isso é algo difícil de mudar de uma hora para outra, porque não tem como voltar atrás. O que se pensa é adaptar as coisas, fazer de maneira que a modernidade não prejudique, embora seja uma luta muito grande. Mas não podemos cruzar os braços – temos que pensar nas melhores soluções, sempre com conversas e orientações dos xeramõi [anciãos].(“Onhombo e guarani na metrópole”. Depoimento de Karai Jekupé. In: Línguas Ameríndias − ontem, hoje e amanhã. Organização do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina. São Paulo: Fundação Memorial da América Latina, 2020. p. 42-44)A escola que contribui com a forma de resistência relatada pelo professor Karai Jekupé é baseada em uma educação escolar que
Asubstitui os conhecimentos tradicionais pelos modernos.
Bpromove a integração dos indígenas à sociedade nacional.
Cfortalece o bilinguismo, a interculturalidade e os saberes ancestrais.
Ddesenvolve as habilidades técnicas e profissionais dos estudantes.
Epropicia a assimilação dos jovens às sociedades modernas.
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GabaritoC — fortalece o bilinguismo, a interculturalidade e os saberes ancestrais.
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Educação escolar indígena e resistência cultural
Gabarito: letra C. O depoimento do professor Karai Jekupé defende a valorização da língua e cultura próprias como forma de resistência, rejeitando a substituição dos saberes tradicionais pela modernidade. A escola que contribui com essa resistência é aquela que fortalece o bilinguismo, a interculturalidade e os saberes ancestrais – exatamente o que a alternativa C afirma. Esse modelo está alinhado com os princípios da LDB, especialmente o inciso XII do art. 3º, que estabelece a "consideração com a diversidade étnico-racial" como princípio do ensino.
A banca testa a capacidade de relacionar o texto do depoimento com o conceito de educação intercultural, que respeita e integra as culturas tradicionais ao currículo escolar.
Educação escolar indígena
1Resistência cultural (depoimento)
Valorizar língua e cultura
Adaptar modernidade sem prejudicar
Orientação dos anciãos (xeramõi)
2Modelo que contribui
Bilinguismo
Interculturalidade
Saberes ancestrais
3Modelos rejeitados
Substituir tradição por modernidade
Integração/assimilação forçada
Foco exclusivo em habilidades técnicas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a escola "substitui os conhecimentos tradicionais pelos modernos". O depoimento diz exatamente o contrário: "não tem como voltar atrás... adaptar as coisas, fazer de maneira que a modernidade não prejudique". A escola deve conciliar, não substituir.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe a "integração dos indígenas à sociedade nacional". Essa visão assimilacionista é oposta à resistência cultural mencionada. O depoimento valoriza a manutenção da identidade, não a integração forçada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Corresponde perfeitamente à ideia de resistência: fortalecer o bilinguismo (valorizar a língua), a interculturalidade (diálogo entre culturas) e os saberes ancestrais (orientação dos xeramõi). A LDB, em seu art. 3º, XII, já orienta a consideração com a diversidade étnico-racial, base para essa prática.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Foca em "habilidades técnicas e profissionais". Embora a LDB aponte a qualificação para o trabalho (art. 2º), o depoimento trata especificamente da resistência cultural, não de formação técnica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Fala em "assimilação dos jovens às sociedades modernas". Mais uma vez, é o oposto do que o texto defende: a resistência passa por não se deixar assimilar, mas sim adaptar a modernidade sem perder a cultura.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre educação indígena e intercultural, lembre-se de que a LDB (art. 3º, XII) e a Constituição Federal (art. 210, §2º) garantem a proteção e valorização das culturas e línguas indígenas. O termo-chave é "interculturalidade" – que não significa integração ou assimilação, mas sim o diálogo respeitoso entre diferentes culturas.