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Questão de Filosofia — O que é a Filosofia — FCC 2022

FilosofiaO que é a Filosofia
Código
fc062825
Banca
FCC
Órgão
SEC-BA
Ano
2022
Cargo
Professor Padrão P - Grau III - Ciências Humanas: Filosofia
      A diferença entre ele com os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar − o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão [...]. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada [...] mantinha tudo em serena compreensão, separava uma pessoa das outras, as roupas eram claramente feitas para serem usadas e podia-se escolher pelo jornal o filme da noite − tudo feito de modo a que um dia se seguisse ao outro. E um cego mascando goma despedaçava tudo isso.

(LISPECTOR, Clarice. “Amor”, Laços de Família. São Paulo: Rocco, 1998)
Sabemos que Ana não opera mais no senso comum porque
  1. Aacalmou os seus reais medos e temores.
  2. Bexpõe suas crenças pessoais sobre pessoas cegas.
  3. Co que é banal e familiar tornou-se estranho para ela.
  4. Do ato revela o caráter egoísta do seu pensamento.
  5. Edeposita confiança no que seus sentidos revelam.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — o que é banal e familiar tornou-se estranho para ela.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise: A ruptura com o senso comum em "Amor", de Clarice Lispector

Gabarito: letra C. A personagem Ana deixa de operar no senso comum porque o banal e familiar — um cego mascando chicles — torna-se estranho, despedaçando a ordem cotidiana. O texto afirma: "E um cego mascando goma despedaçava tudo isso", referindo-se ao mundo organizado e previsível de Ana. Essa quebra do familiar é o núcleo do estranhamento filosófico-literário.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Ana não acalma seus medos; o texto descreve o coração batendo violento e a sensação de crise. O estranhamento gera angústia, não calmaria.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não se trata de expor crenças pessoais sobre cegos. A reação de Ana é existencial e não reflete uma opinião prévia, mas a desestabilização do seu mundo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Exatamente o que ocorre: objetos e situações antes banais (o cego, o chiclete, a rotina) tornam-se estranhos. O texto mostra que "um cego mascando goma despedaçava tudo", e Ana passa a ver as coisas com "prazer intenso" e "serena compreensão" — uma nova percepção fora do senso comum.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Não há evidência de egoísmo. A crise de Ana é de estranhamento do mundo, não de egocentrismo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Ana não deposita confiança cega nos sentidos; pelo contrário, o que seus sentidos revelam (o cego mascando chiclete) quebra a confiança anterior na ordem familiar. Ela olha "como se olha o que não nos vê" — uma visão que questiona a realidade.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de literatura com viés filosófico, identifique o momento em que o personagem sai da automatização do cotidiano. O estranhamento (ou ostranenie) é um conceito-chave: o familiar torna-se desconhecido, rompendo o senso comum.

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