Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022
Português›Interpretação de Textos
Código
fc063657
Banca
FCC
Órgão
TCE-GO
Ano
2022
Cargo
Analista de Controle Externo - Contabilidade
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Escravo da razão
O grande pensador Montaigne (1533-1592) foi um conservador, mas nada teve de rígido ou estreito, muito menos de dogmático. Por temperamento e razão foi bem o contrário de um revolucionário; certamente faltaram-lhe a fé e a energia de um homem de
ação, o idealismo e a vontade. Seu conservadorismo pode ser visto, sob certos aspectos, como o que no século XIX viria a ser
chamado de liberalismo. Em sua concepção política o indivíduo é deixado livre dentro do quadro das leis e procura tornar tão leve
quanto possível a autoridade do Estado.
Para Montaigne, o melhor governo seria o que menos se faz sentir e assegura a ordem pública sem pôr em perigo a vida
privada, e sem pretender orientar os espíritos. Um tal tipo de governo é o que convém a homens esclarecidos, conscientes de seus
direitos e deveres, obedientes às leis, homens que agem não por temor, mas por vontade própria.
Escravo da razão, Montaigne transmitiu essa servidão à filosofia que lhe sucedeu e marcou uma linha de desenvolvimento do
pensamento ocidental. Com ela, destruiu verdades dogmáticas e mostrou que todas se contradizem, mas deixou aberta a possibilidade de se concluir que a própria contradição possa encerrar uma verdade.
(Extraído do encarte sem indicação autoral do volume MONTAIGNE, da coleção Os Pensadores. Porto Alegre: Globo, 1972, p. 223)
No contexto do 3º parágrafo, a frase Com ela, destruiu verdades dogmáticas e mostrou que todas se contradizem
Adenota o combate que Montaigne encetou contra a servidão racionalista.
Baponta para uma contradição própria do pensamento de Montaigne.
Cressalta o valor que encontrava Montaigne na potência da razão.
Didentifica aspectos de irracionalidade nesse grande pensador.
Eencarece nesse filósofo o papel de detectar e diluir as contradições.
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GabaritoC — ressalta o valor que encontrava Montaigne na potência da razão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gabarito: letra C. A frase ressalta que Montaigne, ao usar a razão (a "servidão" a ela), foi capaz de demolir dogmas, o que evidencia a potência que ele atribuía à razão. Como se lê no trecho imediatamente anterior: "Escravo da razão, Montaigne transmitiu essa servidão à filosofia… Com ela, destruiu verdades dogmáticas…". O pronome "ela" retoma "servidão" (à razão), e a ação de destruir dogmas é um feito da razão, valorizando-a.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A frase não fala de combate à servidão racionalista; ao contrário, o autor afirma que Montaigne era "escravo da razão" e transmitiu essa servidão. A alternativa contradiz o texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não há contradição no pensamento de Montaigne apontada nesse trecho. A frase diz que ele mostrou que verdades dogmáticas se contradizem, mas isso não é uma contradição dele próprio.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ação de destruir dogmas com o uso da razão exalta o poder dela. O contexto imediato confirma: "Escravo da razão" e "Com ela, destruiu verdades dogmáticas" mostram que a razão é o instrumento que permite esse feito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O trecho exalta a razão, não aspectos de irracionalidade. Nada no texto sugere que Montaigne fosse irracional.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A frase diz "mostrou que todas se contradizem", mas o foco é destruir dogmas, não "detectar e diluir" contradições. Além disso, "encarecer" (exaltar) não se aplica: o texto apenas relata o que ele fez, sem juízo de valor nesse trecho.
NÃO CAIA NESSA!
O pronome "ela" pode ser mal interpretado. Muitos candidatos podem pensar que se refere a "filosofia", mas o antecedente imediato é "essa servidão" (à razão). A banca explora a troca de referente para induzir ao erro.