A marca indelével da vida na escrita
Gabarito: letra C. O autor reconhece que a agitação das filhas e a reverberação da casa tornaram-se elementos que integram sua produção literária, como se lê no trecho final: "Nesta casa nunca mais haverá solidão, e tudo o que eu escrever aqui trará essa marca indelével". A resposta pede uma inferência (depreende-se), e a única alternativa sustentada pelo texto é a que capta a incorporação dos elementos externos ao ato de escrever.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Quando elas partem, ainda não há solidão: a casa reverbera os seus gritos, recria sua presença em infinitos objetos."
O autor nega que o afastamento das filhas traga solidão produtiva. A alternativa contradiz o texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O texto não afirma que a necessidade de solidão era capricho. Pelo contrário, o autor ainda a busca, mas "desistiu de estar só" por falta de tempo e pelos recursos do mundo para achá-lo. A alternativa extrapola ao inserir um juízo de "frustração" e "capricho" que não está no texto.
Alternativa C — ✅ Correta
"Nesta casa nunca mais haverá solidão, e tudo o que eu escrever aqui trará essa marca indelével."
A força dos elementos externos (filhas, ruídos, memória) agora integra a produção do escritor, que escreve sob a presença constante deles. Inferência legítima.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O autor continua escrevendo, embora com dificuldade: "ignoro minha filha que esmurra a porta e clama pelo pai enquanto não termino a frase". Escrever não se tornou inviável, apenas cruel. A alternativa exagera o sentido do texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O autor se sente cruel ao ignorar as filhas, não demonstra maturidade ou indiferença: "Escrever deixou de ser ato subversivo e passou a ser, por vezes, cruel". A alternativa distorce o tom do parágrafo.
Gabarito: letra C.