O abandono da convicção sobre a solidão para escrever
Gabarito: letra D. O autor, ao longo do texto, inicialmente defende que a solidão é imprescindível para escrever, mas depois relata que desistiu de estar só e passou a escrever mesmo sem solidão, abandonando a convicção anterior. Isso é confirmado pelo trecho: "A esta altura desisti de estar só. (...) Escrever deixou de ser ato subversivo e passou a ser, por vezes, cruel: ignoro minha filha..." e pela conclusão "Nesta casa nunca mais haverá solidão".
A questão pede o que o autor "assume" considerando o conjunto do texto, ou seja, a posição final ou a evolução de seu pensamento. A alternativa D capta exatamente essa mudança: ele abandona o imperativo da solidão absoluta.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que "só é possível escrever a partir do momento em que se ouvem os reclamos sociais". O texto mostra o contrário: ele escreve apesar de ouvir as filhas, mas não que isso seja condição. Há uma extrapolação (fora do escopo).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Fala em "culto do ócio" e "execra o hábito de quem a ele se rende". O texto não trata de ócio, e sim de solidão para a escrita. É fuga ao tema (fora do escopo).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o autor assume "posição dogmática, pois considera imprescindível a experiência de um retiro". No início ele realmente considera, mas o conjunto mostra que ele abandona essa posição. A alternativa ignora a mudança e contradiz o texto (contradiz_texto).
Alternativa D — ✅ Correta
"O abandono da sua convicção quanto ao imperativo da solidão absoluta para poder escrever." Como visto, ele desiste de buscar solidão e escreve na presença das filhas. A passagem "A esta altura desisti de estar só" comprova.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Desistência progressiva da solidão pela vontade maior de passar a criar num modo de parceria." Ele não cria em parceria; a desistência não é por vontade de parceria, mas por imposição da realidade. O termo "parceria" é uma troca de conceito (troca_conceito).
Gabarito: letra D