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Questão de Direito Administrativo — Atos administrativos — FCC 2022

Direito AdministrativoAtos administrativos
Código
fc065468
Banca
FCC
Órgão
TRT - 22ª Região (PI)
Ano
2022
Cargo
Técnico Judiciário - Área Administrativa
Lucas era responsável pela gestão de um contrato administrativo referente à prestação de serviços de limpeza de caráter contínuo em um órgão público federal. Ao reexaminar o respectivo processo administrativo, deu-se conta de que ele próprio havia, dentro de sua competência legal, aprovado uma apostila de reajustamento dos valores contratuais com erro na fórmula de cálculo, o que iria resultar em prejuízo para a empresa prestadora do serviço.Diante de tal situação, Lucas, na qualidade de gestor, deverá
  1. Amanter o ato como está, pois o princípio da supremacia do interesse público justifica a manutenção da vantagem obtida pela Administração, sem contestação pela empresa contratada.
  2. Brepresentar ao superior hierárquico, para que este anule o apostilamento do reajuste, em observância do princípio da hierarquia.
  3. Cpromover a anulação do referido ato administrativo, com base no princípio da autotutela.
  4. Drevogar o ato administrativo em questão, com base no princípio da discricionariedade.
  5. Epromover a cassação do referido ato administrativo, com base no princípio da boa-fé.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — promover a anulação do referido ato administrativo, com base no princípio da autotutela.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anulação de ato administrativo ilegal – autotutela

Gabarito: letra C. A Administração Pública, com base no princípio da autotutela, pode anular seus próprios atos quando eivados de ilegalidade, sem necessidade de provocação externa ou hierarquia. No caso, a apostila de reajuste continha erro na fórmula de cálculo, tornando o ato ilegal – cabe, portanto, anulação, e não revogação ou cassação. O STF consolidou esse entendimento na Súmula 473: “A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.”

A questão testa a distinção entre as formas de extinção dos atos administrativos: anulação (para atos ilegais), revogação (para atos válidos e inconvenientes) e cassação (sanção por descumprimento de condições). O erro de cálculo configura ilegalidade, logo o remédio é a anulação, que pode ser promovida pela própria Administração, de ofício, nos termos da autotutela.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir anulação com revogação. O candidato pode pensar que, como o ato foi praticado dentro da competência, seria válido, mas o erro na fórmula o torna ilegal. Lembre-se: ato ilegal = anulação (ex tunc); ato válido e inconveniente = revogação (ex nunc). Aqui a ilegalidade é clara, então anulação é o instrumento correto.

Forma de Extinção do Ato Administrativo

Fundamento

Hipótese de Cabimento

Efeitos

Exemplo

Anulação

Autotutela (Súmula 473/STF)

Ilegalidade (vício de legalidade)

Ex tunc (retroativos)

Apostila com erro de cálculo

Revogação

Discricionariedade

Inconveniência ou inoportunidade (ato válido)

Ex nunc (prospectivos)

Contrato desnecessário

Cassação

Boa-fé / Condição

Descumprimento de condições pelo beneficiário

Ex nunc

Permissão de uso descumprida

Extinção de atos administrativos
  • 1Anulação (ato ilegal)
    • Autotutela (Súmula 473 STF)
    • Efeitos ex tunc
    • Ex officio pela própria Administração
  • 2Revogação (ato válido e inconveniente)
    • Conveniência e oportunidade
    • Efeitos ex nunc
  • 3Cassação (ato válido)
    • Descumprimento de condições
    • Sanção
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o ato deve ser mantido porque a supremacia do interesse público justificaria a vantagem para a Administração. Esse raciocínio é equivocado: atos ilegais não produzem efeitos válidos e não podem ser mantidos, independentemente de eventual vantagem para o interesse público. Prevaleceria o princípio da legalidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe que Lucas represente ao superior hierárquico para que este anule o ato. A autotutela permite que a própria autoridade que praticou o ato o anule, dentro de sua competência. Não é necessária a intervenção hierárquica; Lucas, como gestor e dentro da competência legal, pode e deve anular diretamente o ato viciado.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque invoca o princípio da autotutela, que autoriza a Administração a rever seus próprios atos quando ilegais. O ato de apostilamento com erro na fórmula é ilegal (vício no objeto), devendo ser anulado retroativamente (ex tunc). A Súmula 473 do STF é o fundamento clássico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sugere a revogação do ato com base na discricionariedade. Revogação pressupõe ato válido que se tornou inconveniente ou inoportuno. No caso, o ato é inválido (ilegal), portanto o instrumento adequado é a anulação, não a revogação. Confunde-se anulação com revogação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Propõe a cassação do ato com base na boa-fé. Cassação é sanção aplicada quando o beneficiário descumpre condições para manutenção do ato. Aqui não há descumprimento por parte da empresa; há erro da Administração. Cassação é instituto diverso, inadequado à hipótese.

PEGA ESSA DICA!

R3D2

Resoluções, Regulamentos, Regimentos, Decretos, Deliberações

— Espécies de atos administrativos normativos

Gabarito: letra C.

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