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Questão de Filosofia — O Sujeito Moderno — FCC 2022

FilosofiaO Sujeito Moderno
Código
fc068068
Banca
FCC
Órgão
SEC-BA
Ano
2022
No século XVII já eram fabricados autômatos que despertavam interesse e admiração pela complexidade e perfeição de movimentos. O pensador francês René Descartes reflete então sobre a possibilidade de ser fabricado um autômato a tal ponto semelhante a um ser humano que tornasse quase impossível a tarefa de diferenciar o homem da máquina. Para distingui-los, sugere dois critérios. Máquinas poderiam até proferir palavras obedecendo a comandos, mas nunca arranjar as palavras para responder ao sentido de tudo quanto se disser na sua presença. E, do mesmo modo, ainda que máquinas pudessem vir a desempenhar algumas tarefas de modo muito superior aos seres humanos, contudo, falhariam infalivelmente em algumas outras, pelas quais se descobriria que não agem pelo conhecimento.(DESCARTES, René. Discurso do Método, Parte V, § 10)Traduz os argumentos do filósofo para o nosso tempo o que se encontra em:
  1. AOs notáveis desenvolvimentos da Inteligência Artificial permitem mimetizar raciocínios e comportamentos, porém não operam com a plasticidade e inventividade da razão criadora enquanto um atributo exclusivamente humano.
  2. BO funcionamento de máquinas não guarda qualquer semelhança com a mente de seus criadores.
  3. CNo século XVII o conhecimento técnico ainda era restrito, então não seria possível ao filósofo fazer qualquer avaliação sobre a relação entre humanos e máquinas.
  4. DCom os avanços dos conhecimentos em Inteligência Artificial é razoável prever que computadores e robôs eventualmente conseguirão reproduzir todos os aspectos e características do comportamento humano.
  5. ERobôs e computadores devem ser destinados sobretudo ao entretenimento como os autômatos do passado, seus precursores.
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GabaritoA — Os notáveis desenvolvimentos da Inteligência Artificial permitem mimetizar raciocínios e comportamentos, porém não operam com a plasticidade e inventividade da razão criadora enquanto um atributo exclusivamente humano.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Descartes e a distinção entre humanos e máquinas

Gabarito: letra A. Descartes, no Discurso do Método, sustenta que máquinas podem imitar ações humanas, mas jamais agiriam com conhecimento verdadeiro – faltar-lhes-ia a plasticidade e inventividade da razão criadora, atributo exclusivamente humano. Esse argumento é perfeitamente traduzido para os dias atuais pela alternativa A, que reconhece os avanços da Inteligência Artificial, mas ressalva a ausência de razão genuína.

O texto do filósofo apresenta dois critérios: (1) máquinas não conseguem arranjar palavras para responder ao sentido do que se diz; (2) falhariam infalivelmente em algumas tarefas, revelando que não agem por conhecimento. A questão cobra a capacidade de transportar essa ideia para o debate contemporâneo sobre IA.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a IA mimetiza raciocínios e comportamentos, mas não opera com a plasticidade e inventividade da razão criadora humana. Isso corresponde exatamente aos critérios de Descartes: a máquina pode executar tarefas, mas não possui o conhecimento que permite respostas flexíveis e criativas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que máquinas não guardam qualquer semelhança com a mente humana. Descartes admite que máquinas podem imitar movimentos e até proferir palavras, portanto há semelhanças – o erro está em negar toda semelhança.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Alega que Descartes não poderia fazer avaliação sobre homens e máquinas por limitação técnica do século XVII. O próprio texto mostra que ele fez tal avaliação; a alternativa desconsidera o conteúdo do Discurso do Método.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Prevê que a IA reproduzirá todos os aspectos do comportamento humano. Isso contraria frontalmente o argumento cartesiano de que sempre haverá tarefas em que as máquinas falharão por falta de conhecimento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Reduz robôs e computadores ao entretenimento, como os autômatos do passado. Descartes não discute a finalidade das máquinas; seu foco é a impossibilidade de elas agirem com conhecimento, não seu uso recreativo.

Gabarito: letra A.

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