Questão de Filosofia — Conceitos Filosóficos — FCC 2022
Filosofia›Conceitos Filosóficos
Código
fc068069
Banca
FCC
Órgão
SEC-BA
Ano
2022
Na Investigação sobre o Entendimento Humano, escrita em meados do século XVIII, o filósofo escocês David Hume trata, dentre outros temas, da aquisição do conhecimento humano. O príncipe indiano que recusou crédito aos primeiros relatos sobre os efeitos da geada raciocinava com acerto; e, naturalmente, era preciso um testemunho muito forte para levá-lo a admitir fatos decorrentes de um estado da natureza que ele desconhecia por completo e que tão pouca analogia mostravam com os acontecimentos de que tinha experiência constante e uniforme.(Cf. HUME, David. Investigação sobre o Entendimento Humano, § 89)O exemplo do filósofo
Anão se refere à diversidade de conhecimentos entre diferentes povos e culturas.
Bsugere que as trocas culturais também são ocasiões de entretenimento.
Cenfatiza o papel da experiência constante e uniforme na formação do conhecimento acerca das causas e efeitos que explicam os fenômenos naturais.
Dexclui os testemunhos na formação do conhecimento da natureza.
Emostra que quem raciocina com acerto ignora as razões dos outros.
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GabaritoC — enfatiza o papel da experiência constante e uniforme na formação do conhecimento acerca das causas e efeitos que explicam os fenômenos naturais.
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Hume e o conhecimento empírico
Gabarito: letra C. O exemplo do príncipe indiano, narrado por David Hume na Investigação sobre o Entendimento Humano, serve para demonstrar que o conhecimento sobre causas e efeitos (relações de causa e efeito) depende da experiência constante e uniforme. Como o príncipe nunca experimentara o gelo, era racional que exigisse testemunhos fortíssimos para acreditar nos relatos sobre a geada. Isso reflete o núcleo do empirismo humeano: sem experiência, não há inferência causal.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação de que o exemplo “não se refere à diversidade de conhecimentos entre diferentes povos e culturas” é falsa. O exemplo justamente ilustra que indivíduos de diferentes contextos empíricos (Índia tropical vs. regiões geladas) possuem conhecimentos distintos, mas o foco de Hume não é a diversidade cultural em si, sim a base experiencial do saber. A alternativa erra ao negar esse vínculo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa sugere que “trocas culturais são ocasiões de entretenimento”, o que não tem amparo no texto. O trecho não menciona entretenimento; o tema é a aquisição de conhecimento e a resistência a relatos que contradizem a experiência prévia.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme explicitado, o exemplo enfatiza o papel da experiência constante e uniforme na formação do conhecimento sobre causas e efeitos. Hume defende que toda inferência causal deriva da experiência – e o príncipe, por não ter experiência com a geada, agiu corretamente ao desconfiar. A alternativa capta com precisão a tese central do filósofo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Hume não exclui os testemunhos na formação do conhecimento. Pelo contrário, ele afirma que “era preciso um testemunho muito forte para levá-lo a admitir fatos”. Os testemunhos são considerados, mas subordinados à experiência prévia do indivíduo. A alternativa distorce a posição humeana.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A frase “quem raciocina com acerto ignora as razões dos outros” é oposta ao texto. O príncipe considerou o testemunho, mas exigiu fortes evidências por coerência com sua experiência. Ignorar as razões alheias não é raciocinar com acerto – é dogmatismo. Hume elogia o raciocínio do príncipe justamente por ele ponderar as informações recebidas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca pode levar o aluno a confundir o papel do testemunho. O príncipe não o ignora; ele o exige com mais força. Também é comum pensar que o exemplo nega a diversidade cultural, quando na verdade a pressupõe, mas o foco é a experiência como fundamento causal.