Nos apontamentos do medievalista francês Marc Bloch, reunidos postumamente sob o título Apologia da História ou o Ofício do Historiador, há um relato de uma visita a Estocolmo, na Suécia, em que Bloch acompanhava o notório medievalista Henri Pirenne. O que vamos ver primeiro? Parece que há uma prefeitura nova em folha. Comecemos por ela, sugere Pirenne. E como se quisesse evitar uma reação de surpresa e estranheza com essa proposta, o mestre acrescentou: Se eu fosse antiquário, só teria olhos para as coisas velhas. Mas sou um historiador. É por isso que amo a vida.(Cf. BLOCH, Marc. Apologia da História ou o Ofício do Historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001)Considerando esse relato, selecione a proposição que melhor descreve o ofício do historiador:
AO estudo dos tempos históricos diz respeito ao passado das sociedades humanas, já que o estudo do presente é conduzido por outras ciências da sociedade, como a sociologia e a economia.
BO trabalho do historiador tem como objeto os vestígios do passado do mesmo modo que um antiquário reúne raridades remanescentes de outros tempos.
CAs viagens são ocasião de ampliação de conhecimentos, tanto para estudiosos e cientistas como para o público em geral.
DO historiador pode mobilizar vivências como meio para a compreensão de usos e sentidos imbricados na experiência do tempo passado.
EA historiografia é um ofício, por isso melhor aprendida na relação entre mestre e discípulo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — O historiador pode mobilizar vivências como meio para a compreensão de usos e sentidos imbricados na experiência do tempo passado.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Ofício do Historiador — Marc Bloch
Gabarito: letra D. O relato de Marc Bloch mostra que o historiador não se limita a objetos antigos como um antiquário; ele „ama a vida" e utiliza suas vivências do presente para compreender o passado. A alternativa D capta exatamente essa ideia: mobilizar experiências contemporâneas para entender sentidos do tempo pretérito.
A banca testa a compreensão do papel do historiador a partir da famosa anedota de Bloch sobre Pirenne. A chave está na contraposição entre "antiquário" (que só vê coisas velhas) e "historiador" (que ama a vida e se interessa pelo presente como via de acesso ao passado).
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o estudo dos tempos históricos se restringe ao passado, cabendo o presente a outras ciências. A anedota desmente isso: Pirenne quer ver a prefeitura nova, demonstrando que o historiador se interpela pelo presente e o usa como ferramenta de análise. O presentee vivências são matéria-prima para a reflexão histórica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Compara o trabalho do historiador ao de um antiquário que coleciona raridades do passado. O texto é explícito: "Se eu fosse antiquário, só teria olhos para as coisas velhas. Mas sou um historiador. É por isso que amo a vida." A essência do historiador é justamente não ser antiquário.
NÃO CAIA NESSA!
A banca usa a figura do antiquário para confundir. O candidato pode pensar que o historiador trabalha apenas com "coisas velhas", quando na verdade ele dialoga com o presente. Fique atento: a palavra "antiquário" no texto é a pista para a diferença.
Alternativa C — ✅ Verdadeira, mas não é a mais específica
É verdade que viagens ampliam conhecimentos, porém essa afirmação genérica não capta o cerne do ofício do historiador como descrito no relato. A questão pede a proposição que melhor descreve o ofício, e C foge do foco teórico-metodológico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"O historiador pode mobilizar vivências como meio para a compreensão de usos e sentidos imbricados na experiência do tempo passado." A anedota exemplifica isso: Pirenne, ao sugerir visitar uma prefeitura nova, usa sua experiência presente (a cidade moderna) para enriquecer sua visão histórica. A vida presente alimenta a compreensão do passado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A relação mestre-discípulo está presente no relato (Pirenne como mestre), mas a afirmação de que a historiografia é melhor aprendida nessa relação não é o ponto central. O texto não discute métodos de aprendizagem, e sim a atitude do historiador diante do passado e do presente.
Gabarito: letra D — correta a proposição que vincula o historiador ao uso de vivências para interpretar o passado, em linha com a lição de Marc Bloch.