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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2024

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc070837
Banca
FCC
Órgão
MPE-AM
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Agente de Apoio - Especialidade Administrativo
Atenção: Considere a crônica “Tartaruga de arrastão”, de Rachel de Queiroz, para responder à questão..

        O caso deu-se aqui na ilha, numa pescaria de arrastão. Da primeira redada veio um tal peixe que causou espanto: ninguém podia crer que naquele côncavo de mar morasse tanto peixe assim. Havia de ser alguma piracema que ia passando; para lá de trés toneladas de pescado foram apanhadas de uma só vez. Na segunda redada nada veio, ou quase nada — fugira a piracema ou fora toda colhida pela rede. Entretanto, no meio daquele quase nada apareceu um bicho estranho: uma tartaruga do mar. Tartaruga diferente daquelas fluviais que a gente conhece, tartaruga das profundezas salinas, meio peixe, porque em vez de pernas tem nadadeiras.

      Primeiro ela se debateu e tentou de todas as maneiras furar a malha. Depois foi agarrada e atirada ignominiosamente na areia, de barriga para cima. Por fim puseram-na em posição normal; e ela, recuperando imediatamente a compostura, estirou o pescoço enrugado e correu em torno de si um olho temeroso. Não sei se os presentes compreenderam quanto havia de surpresa, terror e pasmo nos olhos da tartaruga. Muito pior que um bicho da terra pego numa rede: este pode estranhar a prisão, mas afinal continua dentro de um elemento conhecido, pisando chão, vendo árvores familiares, sentindo o cheiro da terra. A tartaruga não: para ela, nascida e vivida no mar, aquela era a mais estranha, a mais inacreditável e terrível das aventuras. Para aquela tartaruga era o mesmo que seria para um de nós vermo-nos transportados subitamente, sem dano físico, até o fundo do mar. Imagine que estranho, que portentoso e medonho não parece. As caras desconhecidas de ignorados animais - no caso, homens. E todos, todos, canibais ou pior que isso — pois bem sentia ela sobre o seu casco grosso, sobre a carapaça encaracada, o olhar doce e atento e cobiçoso dos comedores de carne.

       A sorte da coitada foi ninguém chegar a um acordo sobre a forma de abatê-la. E sorte maior o fato de ninguém, pessoalmente, querer se responsabilizar pela carnificina naquela quinta-feira santa. Mas levaram-na para o galinheiro - que ignominia, uma veterana dos sete mares a ser atirada entre as galinhas, na noite que deveria ser a última da sua vida; ela que decerto esperava sepultar-se entre areias claras, nalgum maciço colorido de anêmonas do mar. Mas felizmente para a tartaruga, incerto é o coração do homem, incertos, os seus impulsos. Tanto val para um lado como para o outro, tanto procura devorar hoje o seu irmão bicho, como amanhã o festeja e liberta. O fato é que um coração se apiedou da tragédia e houve mão que abriu a porta da capoeira e encaminhou a marcha rampante do bicho marinho em direção da prala, em direção do mar, sua pátria. Ela também não esperou arrependimento, não hesitou, não agradeceu. Cortou a areia deixando um rastro longo, penetrou na água como um barco a deslizar do estaleiro, mergulhou, emergiu, voltou a cabeça ainda assustada para aquele mundo sujo, escuro, inimigo, onde viviam os homens, onde esperava nunca mais voltar; e mergulhou de novo, abraçando toda a água que podia entre as nadadeiras abertas.

(Adaptado de: QUEIROZ, Rachel de. 100 crônicas escolhidas: um alpendre, uma rede, um açude. Rio de Janeiro: José Olympio, 2021)
Introduz uma oração subordinada a palavra sublinhada no seguinte trecho:
  1. ANão sei se os presentes compreenderam quanto havia de surpresa, terror e pasmo nos olhos da tartaruga. (2º parágrafo)
  2. BO fato é que um coração se apiedou da tragédia. (3º parágrafo)
  3. CE sorte maior o fato de ninguém, pessoalmente, querer se responsabilizar pela carnificina naquela quinta-feira santa. (3º parágrafo)
  4. DPrimeiro ela se debateu e tentou de todas as maneiras furar a malha. (2º parágrafo)
  5. EO caso deu-se aqui na Ilha, numa pescaria de arrastão. (1º parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Não sei se os presentes compreenderam quanto havia de surpresa, terror e pasmo nos olhos da tartaruga. (2º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Palavra que introduz oração subordinada — crônica de Rachel de Queiroz

Gabarito: letra A. Na alternativa A, a palavra "se" (sublinhada no enunciado original) é uma conjunção subordinativa que introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta (indireta interrogativa): "se os presentes compreenderam...". As demais alternativas ou trazem palavras que não são conjunções subordinativas no contexto (B e C) ou não contêm palavra que introduza oração subordinada (D e E).

Por que a alternativa A é a correta?

No trecho "Não sei se os presentes compreenderam quanto havia de surpresa, terror e pasmo nos olhos da tartaruga", a palavra "se" liga o verbo "sei" (da oração principal) à oração que funciona como seu objeto direto. Essa oração é subordinada substantiva, pois exerce a função de complemento. A banca considera que "se" é uma conjunção subordinativa que introduz uma oração subordinada.

"Não sei se os presentes compreenderam..."

Análise das alternativas incorretas

  • Alternativa B — ❌ Incorreta: A palavra "que" em "O fato é que um coração se apiedou" é uma conjunção subordinativa, mas, na estrutura desse trecho, ela inicia uma oração subordinada substantiva predicativa (após o verbo de ligação "é"). Apesar de também ser subordinada, o gabarito elege a alternativa A. Provavelmente, no enunciado original, a palavra sublinhada era apenas o "se" de A, e as demais não estavam sublinhadas. Portanto, fora do contexto da pergunta, a letra B não corresponde ao que se pede.

  • Alternativa C — ❌ Incorreta: A palavra "de" em "o fato de ninguém querer se responsabilizar" é uma preposição, não uma conjunção. Embora introduza uma oração subordinada reduzida de infinitivo (completiva nominal), a classificação tradicional não a considera uma conjunção subordinativa. Além disso, o trecho não contém a palavra sublinhada na questão original.

  • Alternativa D — ❌ Incorreta: A palavra "e" em "Primeiro ela se debateu e tentou de todas as maneiras furar a malha" é uma conjunção coordenativa, que liga orações independentes. Não introduz oração subordinada.

  • Alternativa E — ❌ Incorreta: O trecho "O caso deu-se aqui na ilha, numa pescaria de arrastão" não contém conjunção subordinativa alguma. A vírgula separa adjunto adverbial, não oração.

NÃO CAIA NESSA!

O candidato pode confundir conjunções subordinativas (se, que) com preposições (de) ou conjunções coordenativas (e). Além disso, a banca pode ter sublinhado apenas uma palavra em um dos trechos, e as outras alternativas servem como distratores.

Gabarito: letra A.

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