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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc070848
Banca
FCC
Órgão
MPE-AM
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Agente de Apoio - Especialidade Administrativo
Atenção: Considere o texto “A irresistível ascensão do boto”, de Marcelo Leite, para responder à questão.

     Diz a lenda amazônica que os botos saem do rio, se transformam em moços formosos e conquistam as donzelas, engravidando-as. Vaidoso, na forma humana leva sempre um chapéu na cabeça, supostamente para cobrir o orifício reminiscente da existência aquática. Pode não ser verdade, mas serve como justificação para barrigas inexplicáveis pela ausência de marido. Bem ao modo da natureza social da Amazônia, onde bichos costumam virar gente, e vice-versa. O trânsito de jabutis, onças, peixes e botos entre o que nós, de fora, enxergamos como dois mundos é um verdadeiro carnaval.

     Mitos e causos à parte, não é que a ciência revela o que os amazônidas já sabiam? Botos machos são mesmo galantes. Como seus primos humanos, muitas vezes partem para atrair fêmeas com um ramalhete — não de flores, mas de plantas aquáticas. Essa imitação barata do comportamento humano é pesquisada por Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), e Tony Martin, do Serviço Antártico Britânico. Não deixa de ser irônico que a instituição de Martin promova estudos em plena região equatorial. Nem, tampouco, que o estudo de Silva se torne público no Brasil por intermédio de uma revista de divulgação britânica, a New Scientist.

     Silva e Martin estudaram bolos-lucuxis por três anos na região amazônica. Avistaram mais de 6.000 grupos em Mamirauá, Tefé (oeste do Estado do Amazonas). Em mais de 200 dessas observações havia um indivíduo carregando objetos com o bico, como um maço de ervas ou um pedaço de pau. Em geral o portador era um macho. Era, portanto, forte a sugestão de que se trata de um comportamento sexual. Para comprovar sua hipótese, Silva e Martin buscaram o socorro da genética. Os resultados preliminares indicam que os mais assíduos portadores de ramos e paus seriam também os reprodutores mais bem-sucedidos. Em português claro, O comportamento seria uma forma de exibicionismo — no bom sentido. Machos exibem objetos vistosos para se valorizar sexualmente aos olhos das fêmeas.

     O curioso é encontrar o expediente só em alguns grupos isolados desses cetáceos. O padrão parece sugerir que O comportamento só faz parte do repertório de alguns bandos, disseminando-se neles, ou para outros, por imitação e aprendizado. Numa única e controversa palavra, cultura. Não faz muito tempo, essa era uma noção que só fazia sentido aplicar a humanos. “Cultura”, afinal, sempre foi entendida como o oposto de “natureza”. A fronteira, tão cara às ciências humanas, foi ficando menos nítida com as sucessivas documentações, por vários grupos de pesquisa, do uso de ferramentas por outros primatas. Pelo visto, O boto está prestes a subir na escala social.

(Adaptado de: LEITE, Marcelo. Ciência: use com cuidado. Campinas: Editora da Unicamp, 2014)
Era, portanto, forte a sugestão de que se trata de um comportamento sexual. (3º parágrafo)



Considerando o contexto, o termo sublinhado acima pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
  1. Aapesar disso
  2. Bno entanto
  3. Calém disso
  4. Dpor conseguinte
  5. Enão obstante
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — por conseguinte

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição do conectivo "portanto" — relação de conclusão

Gabarito: letra D. O termo “portanto” expressa uma relação de conclusão (consequência). A única alternativa que mantém esse sentido, sem prejuízo para o texto, é por conseguinte.

“Era, portanto, forte a sugestão de que se trata de um comportamento sexual.”

No parágrafo anterior, o autor descreve as observações dos pesquisadores (machos carregando objetos) e conclui que isso indica um comportamento sexual. O “portanto” sela essa conclusão. Logo, qualquer substituto deve preservar a ideia de consequência.

1Conclusão (consequência)
portanto
por conseguinte
logo
assim
2Oposição (adversativos)
apesar disso
no entanto
não obstante
contudo
3Adição
além disso
ademais
também
Conectivos
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Conectivos: Conclusão (consequência) (portanto, por conseguinte, logo, assim); Oposição (adversativos) (apesar disso, no entanto, não obstante, contudo); Adição (além disso, ademais, também)

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Apesar disso” é um conectivo de oposição/concessão (equivale a “embora”, “contudo”). Inverte a relação lógica: no texto, não há ideia de contraste, e sim de conclusão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“No entanto” também é adversativo (oposição). Assim como a anterior, quebra o encadeamento conclusivo do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Além disso” é um conectivo de adição (acrescenta informação). O texto, porém, não está somando um novo argumento, mas tirando uma conclusão dos argumentos anteriores.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Por conseguinte” é um conectivo conclusivo (sinônimo de “portanto”, “logo”, “assim”). Mantém perfeitamente a relação de consequência estabelecida pelo autor.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Não obstante” é mais um conectivo adversativo (oposição). Embora seja uma expressão mais formal, carrega o mesmo sentido de “apesar disso” ou “contudo”, não servindo para substituir “portanto”.

PEGA ESSA DICA!

Antes de substituir um conectivo, identifique a relação lógica que ele estabelece no texto. Palavras como “portanto”, “logo”, “por conseguinte”, “assim”, “então” são conclusivas; já “mas”, “porém”, “contudo”, “no entanto”, “não obstante” são adversativas; “além disso”, “ademais”, “também” são aditivas.

Gabarito: letra D.

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