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Questão de Português — Morfologia — FCC 2007

PortuguêsMorfologia
Código
fc087245
Banca
FCC
Órgão
MPU
Ano
2007
Nível
Superior
Cargo
Analista de Saúde - Clínica Médica
1 Os mitólogos costumam chamar de imagens demundo certas estruturas simbólicas pelas quais, em todasas épocas, as diferentes sociedades humanas fundamentaram, tanto coletiva quanto individualmente, a experiência5 do existir. Ao longo da história, essas constelações deidéias foram geradas quer pelas tradições étnicas, locais,de cada povo, quer pelos grandes sistemas religiosos. NoOcidente, contudo, desde os últimos três séculos umaoutra prática de pensamento veio se acrescentar a estes10 modos tradicionais na função de elaborar as bases denossas experiências concretas de vida: a ciência. Comefeito, a partir da revolução científica do Renascimento asciências naturais passaram a contribuir de modo cada vezmais decisivo para a formulação das categorias que a15 cultura ocidental empregará para compreender a realidadee agir sobre ela.Mas os saberes científicos têm uma característicainescapável: os enunciados que produzem são necessariamente provisórios, estão sempre sujeitos à superação e à20 renovação. Outros exercícios do espírito humano, como acogitação filosófica, a inspiração poética ou a exaltaçãomística poderão talvez aspirar a pronunciar verdadesúltimas; as ciências só podem pretender formular verdadestransitórias, sempre inacabadas. Ernesto Sábato assinala25 com precisão que todas as vezes que se pretendeu elevarum enunciado científico à condição de dogma, de verdadefinal e cabal, um pouco mais à frente a própriacontinuidade da aplicação do método científico invariavelmente acabou por demonstrar que tal dogma não passava30 senão... de um equívoco. Não há exemplo melhor destetipo de superstição que o estatuto da noção de raça nonazismo(Luiz Alberto Oliveira. “Valores deslizantes: esboço de um ensaio sobre técnica e poder”, In O avesso da liberdade. Adauto Novaes (Org). São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 191)No parágrafo 2,
  1. Aa conjunção Mas (linha 17) foi empregada não para eliminar o que foi dito anteriormente, e, sim, para introduzir uma contrapartida do objeto, fruto de distinta perspectiva de análise.
  2. Bconstrói-se uma relativização das conquistas da ciência, sustentada na crítica de que ela se vale de procedimentos pouco objetivos na busca da verdade.
  3. Cconstata-se o caráter incontrolável das experiências científicas, implicitamente atribuído às condições de descontinuidade em que se realizam.
  4. Da expressão necessariamente provisórios (linhas 18 e 19) compõe uma advertência, dirigida a filósofos, poetas e místicos, que desconsideram a objetividade na produção do saber.
  5. Eincentiva-se a luta do ser para a constante superação de suas fragilidades pessoais, advindas de sua humana condição e permanente sujeição ao erro.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a conjunção Mas (linha 17) foi empregada não para eliminar o que foi dito anteriormente, e, sim, para introduzir uma contrapartida do objeto, fruto de distinta perspectiva de análise.

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