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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FCC 2026

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
fc140690
Banca
FCC
Órgão
MPE AL
Ano
2026
Cargo
Ana ( )

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

 

Palavras de amor

 

Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.

 

Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiam, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autoinduzidas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos que, se não procuram sarna para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adoram coçar as sarnas que têm.

 

Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que eu goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa amada e com as declarações hiperbólicas do meu sentimento.

 

Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. O efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto dos meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.

 

Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo “Declaro a guerra”: essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.

 

(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)

A forma verbal no plural é rigorosamente justificável em:

  1. AA progressão das coceiras em picadas de mosquitos devem-se à nosso própria insistência em coçar.
  2. BNão nos cabem tratar nossos sentimentos como picadas de mosquitos que tanto estimamos coçarem.
  3. CNão satisfazem as condições básicas de um amor verdadeiro o talento natural de declará-lo com bom estilo.
  4. DCostumam derivar das declarações de amor exagerados o efeito colateral da intensificação real de uma paixão.
  5. EAtribuem-se à idealização da literatura os hábitos persistentes de uma declaração de amor romântica.
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GabaritoE — Atribuem-se à idealização da literatura os hábitos persistentes de uma declaração de amor romântica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal com sujeito posposto: a arte de achar o núcleo

Gabarito: letra E. A forma verbal no plural é rigorosamente justificável em E porque o verbo atribuem-se concorda com o núcleo do sujeito hábitos, que está posposto: "Atribuem-se à idealização da literatura os hábitos persistentes de uma declaração de amor romântica". Trata-se de voz passiva sintética (partícula apassivadora se), e o verbo concorda com o sujeito paciente, que é plural. As demais alternativas ou erram o núcleo do sujeito, ou cometem desvios de concordância nominal/verbal, ou usam o plural sem base gramatical.

O comando pede que você identifique a frase em que o plural do verbo é rigorosamente justificável — ou seja, em que a concordância está correta e o verbo está no plural porque o sujeito é plural. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada: você precisa achar o sujeito de cada verbo, mesmo quando ele vem depois (sujeito posposto), e verificar se o plural é obrigatório ou facultativo.

No texto-base, o autor discute como as palavras de amor criam o próprio sentimento — ideia que ecoa na alternativa E, pois o texto afirma que "a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores" e que "o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura". A idealização literária é apresentada como causa dos hábitos de declaração amorosa, exatamente o que a frase E expressa.

A técnica central é: inverta a ordem da frase para achar o sujeito. Em "Atribuem-se à idealização da literatura os hábitos persistentes", a ordem direta seria "Os hábitos persistentes de uma declaração de amor romântica atribuem-se à idealização da literatura". O sujeito é "os hábitos persistentes...", núcleo hábitos (plural), por isso o verbo atribuem vai para o plural. O se é partícula apassivadora: o sujeito paciente recebe a ação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca o sujeito depois do verbo e intercala um adjunto adverbial ("à idealização da literatura") para você se perder. A armadilha é achar que o verbo concorda com o termo mais próximo ("literatura", singular) — mas o núcleo do sujeito é hábitos, plural.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que o verbo vier antes do sujeito, faça a pergunta "quem?" ou "o quê?" ao verbo. Em "atribuem-se...", pergunte: o que se atribui? Resposta: os hábitos. Esse é o sujeito.

Concordância verbal com sujeito posposto
  • 1Técnica
    • Inverter a ordem da frase
    • Perguntar "quem?"/"o quê?" ao verbo
    • Achar o núcleo do sujeito
  • 2Voz passiva sintética (se apassivador)
    • Verbo concorda com o sujeito paciente
    • Ex.: "Atribuem-se os hábitos"
  • 3Erros comuns
    • Concordar com o termo mais próximo
    • Tratar objeto como sujeito
    • Sujeito oracional no plural
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"A progressão das coceiras em picadas de mosquitos devem-se à nosso própria insistência em coçar."

O verbo devem está no plural, mas o sujeito é "A progressão das coceiras...", cujo núcleo é progressão (singular). O plural de "coceiras" e "mosquitos" é apenas adjunto adnominal — não pode puxar o verbo. Além disso, há erro de crase: "à nosso" é impossível, pois nosso é pronome possessivo masculino, não admite artigo feminino; o correto seria "à nossa" (com crase) ou "a nossa". A alternativa contradiz a regra de concordância com o núcleo do sujeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Não nos cabem tratar nossos sentimentos como picadas de mosquitos que tanto estimamos coçarem."

O verbo cabem está no plural, mas o sujeito é a oração "tratar nossos sentimentos..." — sujeito oracional exige verbo na 3ª pessoa do singular: cabe. O plural "cabem" não se justifica. Além disso, o infinitivo coçarem está flexionado sem necessidade: o sujeito de "coçar" é o pronome relativo que (retoma "mosquitos"), então o correto seria "que tanto estimamos coçar" (infinitivo impessoal) ou "que tanto estimamos que cocem". A alternativa troca o conceito de sujeito oracional por sujeito simples.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Não satisfazem as condições básicas de um amor verdadeiro o talento natural de declará-lo com bom estilo."

Aqui o sujeito é "o talento natural de declará-lo com bom estilo", núcleo talento (singular). O verbo satisfazem está no plural, mas deveria concordar com o núcleo singular: satisfaz. O termo "as condições básicas" é objeto direto, não sujeito. A alternativa troca a função sintática: trata o objeto como sujeito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Costumam derivar das declarações de amor exagerados o efeito colateral da intensificação real de uma paixão."

O sujeito é "o efeito colateral da intensificação real de uma paixão", núcleo efeito (singular). O verbo costumam está no plural, mas deveria ser costuma. Além disso, há erro de concordância nominal: exagerados deveria concordar com declarações (feminino plural) — o correto seria exageradas. A alternativa troca o gênero do adjetivo e erra o número do verbo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Atribuem-se à idealização da literatura os hábitos persistentes de uma declaração de amor romântica."

O verbo atribuem-se está no plural porque concorda com o sujeito "os hábitos persistentes de uma declaração de amor romântica", cujo núcleo é hábitos (plural). A partícula se é apassivadora: a frase está na voz passiva sintética, e o sujeito paciente é plural. A ordem direta seria: "Os hábitos persistentes... atribuem-se à idealização da literatura". O plural é rigorosamente justificável — não há outra opção, pois o sujeito é plural. Além disso, a frase dialoga com o texto, que atribui à literatura o poder de idealizar o amor e criar os hábitos de declaração.

Conclusão: a questão testa sua capacidade de achar o núcleo do sujeito mesmo com a ordem invertida. A alternativa E é a única em que o plural do verbo é obrigatório e correto. Nas demais, ou o sujeito é singular, ou há erro de concordância nominal, ou o verbo concorda com termo que não é o núcleo. Gabarito: letra E.

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