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Questão de Português — Orações Reduzidas — FCC 2026

PortuguêsOrações Reduzidas
Código
fc140694
Banca
FCC
Órgão
MPE AL
Ano
2026
Cargo
Tec ( )

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia, imaginem, ela passava na fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha. Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:

 

– Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?

 

A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:

 

– É areia!

 

Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás. Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.

 

Diz que foi aí que o fiscal se chateou:

 

– Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com quarenta anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.

 

– Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:

 

– Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?

 

– O senhor promete que não "espaia"? – quis saber a velhinha.

 

– Juro – respondeu o fiscal.

 

– É lambreta.

 

(Adaptado de: RAMOS, Graciliano et al. Para gostar de ler: contos, v. 8. São Paulo: Ática, 1985, p. 17-18)

[O fiscal] mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco.

 

No contexto em que se insere, o termo sublinhado acima introduz uma oração que expressa ideia de

  1. Aconcessão.
  2. Bconsequência.
  3. Cfinalidade.
  4. Dcondição.
  5. Ecausa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — finalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações reduzidas de infinitivo: o valor de "para" no trecho

Gabarito: letra C. O termo sublinhado "para examinar o saco" introduz uma oração reduzida de infinitivo com valor de finalidade: o fiscal mandou a velhinha saltar com o propósito de examinar o saco. A prova está no próprio texto, quando o fiscal "mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco" — a ação de saltar é o meio para alcançar o objetivo de examinar.

O comando

A questão pede que você identifique a ideia expressa pela oração sublinhada, ou seja, o valor semântico que ela assume no contexto. Não se trata de decorar conjunções, mas de perceber a relação lógica entre as ações: por que o fiscal mandou a velhinha saltar? Para examinar o saco. Essa pergunta — "para quê?" — é a chave para reconhecer a finalidade.

O texto

No conto, o fiscal desconfia da velhinha e decide verificar o conteúdo do saco. O trecho em questão é:

"A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia."

Antes disso, o fiscal "mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco". A oração "para examinar o saco" indica o objetivo da ordem dada. Se o fiscal mandou saltar, foi com a intenção de examinar — não como consequência, causa ou condição.

A técnica

Orações subordinadas adverbiais finais expressam finalidade, propósito, objetivo. São introduzidas por conjunções como "para que", "a fim de que" e, em orações reduzidas, pela preposição "para" + infinitivo. O teste clássico: substitua por "a fim de" ou "com o objetivo de". Se a frase mantiver o sentido, é finalidade.

  • "Mandou a velhinha saltar a fim de examinar o saco." — sentido preservado.

  • "Mandou a velhinha saltar com o objetivo de examinar o saco." — idem.

Compare com os outros valores:

Valor

Teste

Exemplo

Finalidade

"a fim de" / "para que"

"Estudo para passar."

Consequência

"tanto que" / "de modo que"

"Estudou tanto que passou."

Causa

"porque" / "já que"

"Passou porque estudou."

Condição

"se" / "caso"

"Se estudar, passa."

Concessão

"embora" / "apesar de"

"Embora cansado, saiu."

No trecho, não há relação de causa (o exame não é a causa do salto), nem de consequência (o salto não é efeito do exame), nem de condição (o exame não é condição para o salto). A relação é claramente de finalidade.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Concessão expressa ideia de oposição, quebra de expectativa ("embora", "apesar de"). No trecho, não há nenhuma ideia de obstáculo ou ressalva. O fiscal manda saltar para examinar — não "apesar de" examinar. A alternativa tangencia o tema, pois concessão é um valor adverbial, mas não se aplica ao contexto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Consequência seria o efeito de uma ação anterior ("tão... que", "de modo que"). Aqui, o exame não é consequência do salto; é o objetivo do salto. A banca tenta confundir com a relação de causa-efeito, mas a oração responde a "para quê?", não a "o que resultou?". A alternativa contradiz a relação estabelecida no texto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Finalidade é exatamente o valor expresso: o fiscal manda a velhinha saltar com o propósito de examinar o saco. A preposição "para" + infinitivo é a marca típica de oração final reduzida. O texto confirma: "mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco" — a ação de saltar é o meio para alcançar o objetivo de examinar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Condição seria uma hipótese necessária para a realização do fato ("se", "caso"). No trecho, não há condição: o fiscal não diz "se você saltar, examinarei". Ele simplesmente manda saltar para examinar. A alternativa extrapola ao introduzir uma relação que o texto não autoriza.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Causa seria o motivo que origina a ação ("porque", "já que"). O exame não é a causa do salto; é a finalidade do salto. A banca explora a confusão entre causa e finalidade, mas a pergunta "para quê?" resolve: o fiscal quer examinar, e por isso manda saltar. A alternativa contradiz a relação de propósito expressa no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na confusão entre finalidade e consequência/causa. A diferença está na pergunta: finalidade responde a "para quê?", consequência a "o que resultou?", causa a "por quê?". No trecho, "para examinar" responde a "para quê?" — finalidade.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o valor de uma oração, substitua por conectivos típicos: "a fim de" (finalidade), "embora" (concessão), "porque" (causa), "se" (condição), "tanto que" (consequência). Se o sentido for mantido, você encontrou a resposta.

Gabarito: letra C.

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