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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — FCC 2026

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
fc140697
Banca
FCC
Órgão
MPE AL
Ano
2026
Cargo
Tec ( )

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia, imaginem, ela passava na fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha. Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:

 

– Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?

 

A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:

 

– É areia!

 

Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás. Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.

 

Diz que foi aí que o fiscal se chateou:

 

– Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com quarenta anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.

 

– Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:

 

– Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?

 

– O senhor promete que não "espaia"? – quis saber a velhinha.

 

– Juro – respondeu o fiscal.

 

– É lambreta.

 

(Adaptado de: RAMOS, Graciliano et al. Para gostar de ler: contos, v. 8. São Paulo: Ática, 1985, p. 17-18)

A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu: — É areia!

 

Nesse trecho, o narrador relata alguns fatos ocorridos no passado. Um fato anterior a esse tempo passado está indicado pela seguinte forma verbal:

  1. Arespondeu.
  2. BÉ.
  3. Crestavam.
  4. Dsorriu.
  5. Eadquirira.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — adquirira.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pretérito mais-que-perfeito: o passado do passado

Gabarito: letra E. A forma verbal adquirira (pretérito mais-que-perfeito do indicativo) é a única que indica um fato anterior ao tempo passado em que se situa a narração. No trecho, o narrador conta que a velhinha "sorriu" (pretérito perfeito) e que os dentes "lhe restavam" (pretérito imperfeito) — ambos no passado. A aquisição dos dentes no odontólogo, expressa por "adquirira", é um fato ainda mais antigo, anterior a esse passado narrado. É exatamente essa a função do pretérito mais-que-perfeito: expressar o passado anterior a outro passado.

O comando da questão é claro: "Um fato anterior a esse tempo passado está indicado pela seguinte forma verbal". Isso não pede interpretação de texto, mas reconhecimento de tempo verbal — uma questão de morfologia aplicada ao texto. A banca quer que o candidato identifique, entre as formas verbais do trecho, aquela que expressa anterioridade em relação ao passado da narração. Para isso, é preciso dominar os valores temporais dos pretéritos do indicativo.

Os tempos do passado no modo indicativo formam uma escala de anterioridade. O pretérito perfeito (sorriu, respondeu) indica um fato concluído no passado, simultâneo ao momento da narração. O pretérito imperfeito (restavam) indica um fato habitual, contínuo ou simultâneo a outro no passado — descreve o estado dos dentes no momento em que a velhinha sorriu. O pretérito mais-que-perfeito (adquirira) indica um fato anterior a outro fato passado — é o "passado do passado".

"A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo"

Aqui, a ordem cronológica é: primeiro ela adquiriu os dentes (mais-que-perfeito), depois eles restavam (imperfeito, estado durativo) e, por fim, ela sorriu (perfeito, ação pontual). O mais-que-perfeito é o único que aponta para um momento anterior ao passado em que a cena se desenrola.

  1. 1Mais-que-perfeito (adquirira)mais antigo
  2. 2Imperfeito (restavam)simultâneo/durativo
  3. 3Perfeito (sorriu, respondeu)passado narrado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

respondeu está no pretérito perfeito do indicativo. Indica ação concluída no passado, simultânea ao momento da narração (a velhinha respondeu logo após sorrir). Não expressa anterioridade em relação ao passado narrado — é o próprio passado narrado. Erro: troca de tempo verbal (perfeito por mais-que-perfeito).

Alternativa B — ❌ Incorreta

É está no presente do indicativo. No discurso direto, a fala da velhinha "É areia!" é reproduzida no presente, mas o narrador a insere num contexto passado. O presente não indica anterioridade — indica atualidade ou verdade geral. Erro: troca de tempo verbal (presente por mais-que-perfeito).

Alternativa C — ❌ Incorreta

restavam está no pretérito imperfeito do indicativo. Indica um estado durativo no passado, simultâneo ao momento em que a velhinha sorriu. Não expressa anterioridade — descreve uma circunstância que acompanha o fato principal. Erro: troca de tempo verbal (imperfeito por mais-que-perfeito).

Alternativa D — ❌ Incorreta

sorriu está no pretérito perfeito do indicativo. É a ação principal da cena, concluída no passado. Não há anterioridade — é o marco temporal a partir do qual se mede a anterioridade dos outros fatos. Erro: troca de tempo verbal (perfeito por mais-que-perfeito).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

adquirira está no pretérito mais-que-perfeito do indicativo. Indica um fato anterior a outro fato passado: a aquisição dos dentes ocorreu antes de a velhinha sorrir. É a única forma verbal do trecho que expressa anterioridade em relação ao passado narrado. Correta por definição do tempo verbal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os pretéritos: perfeito (sorriu, respondeu) e imperfeito (restavam) são simultâneos ao passado narrado; apenas o mais-que-perfeito (adquirira) expressa anterioridade.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o mais-que-perfeito, pergunte: "esse fato aconteceu antes de outro fato passado?" Se sim, é mais-que-perfeito. No texto, a aquisição dos dentes é claramente anterior ao sorriso.

Conclusão: a questão testa o reconhecimento do valor temporal do pretérito mais-que-perfeito. A única forma que indica anterioridade é adquirira (letra E). As demais (sorriu, respondeu, restavam) estão no passado, mas simultâneas ao momento narrado; "É" está no presente. Gabarito: letra E.

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