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Questão de Português — Orações Subordinadas Adjetivas — FCC 2026

PortuguêsOrações Subordinadas Adjetivas
Código
fc140699
Banca
FCC
Órgão
MPE AL
Ano
2026
Cargo
Tec ( )

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia, imaginem, ela passava na fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha. Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:

 

– Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?

 

A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:

 

– É areia!

 

Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás. Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.

 

Diz que foi aí que o fiscal se chateou:

 

– Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com quarenta anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.

 

– Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:

 

– Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?

 

– O senhor promete que não "espaia"? – quis saber a velhinha.

 

– Juro – respondeu o fiscal.

 

– É lambreta.

 

(Adaptado de: RAMOS, Graciliano et al. Para gostar de ler: contos, v. 8. São Paulo: Ática, 1985, p. 17-18)

Retoma uma expressão mencionada anteriormente no conto a palavra sublinhada em:
  1. ANinguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
  2. BA velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam.
  3. CEu prometo à senhora que deixo a senhora passar.
  4. DAchou que não era areia nenhuma.
  5. EMuito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações subordinadas adjetivas: o pronome relativo que retoma o antecedente

Gabarito: letra B. A palavra sublinhada "que" em "A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam" é um pronome relativo que retoma o substantivo "dentes", introduzindo uma oração subordinada adjetiva restritiva. Nas demais alternativas, o "que" é uma conjunção integrante, que introduz orações subordinadas substantivas, sem retomar nenhum termo anterior.

O comando pede que se identifique a ocorrência em que o "que" retoma uma expressão mencionada anteriormente. Isso é a marca típica do pronome relativo: ele substitui um termo já dito (o antecedente) e o retoma dentro da oração que introduz. Já a conjunção integrante não retoma nada; ela apenas liga uma oração que exerce função de substantivo (sujeito, objeto, etc.) ao verbo ou nome da oração principal. A técnica de verificação é simples: se o "que" puder ser substituído por "o qual/a qual/os quais/as quais", é pronome relativo; se puder ser substituído por "isso", é conjunção integrante.

No conto, a frase da alternativa B aparece logo no início: a velhinha sorri com os poucos dentes que ainda tinha. O "que" se refere diretamente a "dentes", restringindo quais dentes são esses (os que lhe restavam, não outros). Essa é a função adjetiva: a oração "que lhe restavam" qualifica o substantivo "dentes", como um adjetivo faria. Nas outras alternativas, o "que" introduz uma oração que completa o sentido de um verbo (tirar, prometer, achar, ordenar), funcionando como objeto direto — típica oração subordinada substantiva objetiva direta, sem qualquer retomada.

A pegadinha da banca está em confundir as duas funções do "que": pronome relativo (que retoma) e conjunção integrante (que não retoma). A banca adora explorar essa ambiguidade, oferecendo frases em que o "que" é conjunção integrante para ver se o candidato sabe diferenciar. A dica é sempre procurar o antecedente: se houver um substantivo ou pronome logo antes do "que" que ele possa substituir, é relativo; se não houver, é conjunção.

Funções do "que"
  • 1Pronome relativo
    • Retoma antecedente
    • Substituível por "o qual/a qual"
    • Introduz oração adjetiva
  • 2Conjunção integrante
    • Não retoma termo
    • Substituível por "isso"
    • Introduz oração substantiva
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista."

Aqui o "que" é conjunção integrante, introduzindo a oração subordinada substantiva objetiva direta "que a senhora é contrabandista", que completa o sentido do verbo "tirar" (tirar algo da cabeça). Não há retomada de termo anterior; o "que" não substitui nenhum substantivo. Se substituíssemos por "isso", teríamos "Ninguém me tira isso da cabeça", o que confirma a função de conjunção integrante.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam."

O "que" é pronome relativo, retomando o substantivo "dentes". A oração "que lhe restavam" é subordinada adjetiva restritiva, pois restringe quais dentes são esses (apenas os que ainda existiam). Substituindo por "os quais": "os poucos dentes os quais lhe restavam" — perfeito. É a única alternativa em que o "que" retoma uma expressão anterior.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar."

O "que" é conjunção integrante, introduzindo a oração subordinada substantiva objetiva direta "que deixo a senhora passar", que completa o sentido do verbo "prometer" (prometer algo). Não retoma nenhum termo; substituindo por "isso": "Eu prometo isso à senhora" — confirma a conjunção integrante.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Achou que não era areia nenhuma."

O "que" é conjunção integrante, introduzindo a oração subordinada substantiva objetiva direta "que não era areia nenhuma", que completa o sentido do verbo "achar" (achar algo). Não há retomada; substituindo por "isso": "Achou isso" — confirma a conjunção integrante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente."

O "que" é conjunção integrante, introduzindo a oração subordinada substantiva objetiva direta "que fosse em frente", que completa o sentido do verbo "ordenar" (ordenar algo). Não retoma termo anterior; substituindo por "isso": "ordenou isso à velhinha" — confirma a conjunção integrante.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar pronome relativo de conjunção integrante, faça o teste da substituição: se o "que" puder ser trocado por "o qual/a qual", é relativo; se puder ser trocado por "isso", é conjunção integrante. Essa é a técnica infalível para questões de função do "que".

Gabarito: letra B — a única em que o "que" é pronome relativo retomando o antecedente "dentes", formando oração subordinada adjetiva restritiva.

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