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Questão de Português — Vocábulo "Que" — FCC 2026

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
fc140707
Banca
FCC
Órgão
MPE AL
Ano
2026
Cargo
Tec ( )

Para a maioria dos brasileiros a pronúncia é “récorde”, proparoxítona, e não, como recomendam dez entre dez sábios, “recorde”, paroxítona. Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil, em que a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios, para o outro.

 

Recorde, termo adaptado do inglês record, pode ser substantivo – significando a melhor marca esportiva, o desempenho a ser superado – ou adjetivo – com sentido equivalente: “tempo recorde”, “velocidade recorde”. Quanto a isso, estamos todos de acordo. A divergência começa na hora de definir a prosódia da palavra. Em seu Dicionário de palavras & expressões estrangeiras, Luís Augusto Fischer observa com irreverência que há “duas pronúncias: a que os gramáticos preferem, ‘recorde’, ou a do resto da humanidade, ‘récorde’”. É mais ou menos isso. Basta trocar, na frase de Fischer, “o resto da humanidade” por “a maioria dos brasileiros” que ela fica perfeita. Em Portugal, a inclinação por “recorde” parece inquestionável. Aqui, ocorre o inverso.

 

Sempre pronunciei “récorde”. Puxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça. Se, como em tantos casos, nossos dicionários e gramáticas ainda se aferram de maneira um tanto acrítica à preferência lusitana, isso é um problema deles, que precisa ser – e certamente será – corrigido um dia. O Houaiss foi o primeiro a abrir a porta. Veja a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete recorde na edição de 2001: “Pelo menos no Brasil, ocorre também como palavra proparoxítona: ‘récorde’.” Mais tarde, o dicionário suprimiu a nota, mas passou a trazer o verbete récorde como variação de recorde.

 

Uma explicação provável para o descompasso: os portugueses tendem a manter a pronúncia que record ganhou na França, de onde importaram o anglicismo por tabela, enquanto os falantes brasileiros estabeleceram ligação direta com o idioma de origem, no qual o acento (no caso em que record é substantivo, e não verbo) recai na primeira sílaba. No dia em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito, é evidente que a grafia será forçada a seguir atrás: escreveremos récorde, com acento. E tudo ficará mais harmônico entre som e traço, como deve ser.

 

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Viva a língua brasileira! São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 73-75.)

Os termos "que" sublinhados no terceiro e no quarto parágrafos do texto referem-se, respectivamente, a
  1. A"verbete" e "língua".
  2. B"nota" e "dia".
  3. C"nota" e "preconceito".
  4. D"verbete" e "dia".
  5. E"nota" e "língua".
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — "nota" e "dia".

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o pronome relativo "que" e seu antecedente

Gabarito: letra B. Os dois "que" sublinhados são pronomes relativos e retomam, respectivamente, "nota" (terceiro parágrafo) e "dia" (quarto parágrafo). A prova está no próprio texto: no terceiro parágrafo, lê-se "a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete"; no quarto, "No dia em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito". A alternativa B é a única que aponta exatamente esses dois antecedentes.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique o referente de cada ocorrência do pronome relativo "que". Isso é uma tarefa de coesão referencial: descobrir a que termo o pronome se liga, ou seja, qual palavra ele substitui para evitar repetição. Não é uma questão de interpretação ampla, mas de análise pontual — você precisa voltar ao texto, localizar cada "que" e ver qual termo vem imediatamente antes e é retomado por ele.

O texto: onde mora a resposta

No terceiro parágrafo, o autor fala do dicionário Houaiss e menciona uma nota ao pé do verbete. O trecho decisivo é:

"Veja a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete recorde na edição de 2001"

Aqui, "que" retoma "nota" — é a nota que constava. O pronome relativo substitui "nota" e introduz uma oração adjetiva que a caracteriza. O termo "verbete" aparece logo depois, mas não é o antecedente: a oração "que constava ao pé do verbete" explica que a nota estava no verbete, mas quem "constava" é a nota.

No quarto parágrafo, o autor projeta o futuro da língua:

"No dia em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito, é evidente que a grafia será forçada a seguir atrás"

Aqui, "que" retoma "dia" — é o dia em que algo acontecerá. O pronome relativo "que" equivale a "em que" (ou "no qual"), referindo-se a um momento. O termo "preconceito" aparece depois, mas não é o antecedente: a oração "em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito" especifica qual dia, e não qual preconceito.

A técnica: como identificar o antecedente

Para achar o referente de um pronome relativo, pergunte: o que o "que" substitui? No primeiro caso, "que constava" — o que constava? A nota. No segundo, "em que a língua... dissolver" — em que dia? No dia. O antecedente é sempre o termo que o pronome retoma, geralmente o substantivo imediatamente anterior, mas nem sempre — é preciso analisar a relação sintática.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca "verbete" e "preconceito" como distratores porque são palavras próximas e de destaque no texto. Mas o pronome relativo não retoma o termo mais próximo por acaso; retoma o termo que faz sentido na oração adjetiva. Teste sempre: substitua o "que" pelo suposto antecedente e veja se a frase continua lógica.

Análise das alternativas

  1. 1Localize o 'que' no texto
  2. 2Pergunte: o que ele substitui?
  3. 3Teste: troque pelo candidato
  4. 4Veja se a frase faz sentido
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao apontar "verbete" como antecedente do primeiro "que". No trecho "a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete", quem constava é a nota, não o verbete. O "verbete" é apenas o lugar onde a nota estava. Erro: troca de referente — confunde o termo retomado com um termo circunstancial.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Corresponde exatamente aos antecedentes: "nota" (terceiro parágrafo) e "dia" (quarto parágrafo). Como demonstrado, o primeiro "que" retoma "nota" e o segundo retoma "dia". É a única alternativa que acerta os dois referentes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Acerta o primeiro antecedente ("nota"), mas erra o segundo ao indicar "preconceito". No trecho "No dia em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito", o "que" retoma "dia", não "preconceito". O preconceito é o objeto da ação de dissolver, não o termo retomado pelo pronome. Erro: troca de referente no segundo caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra o primeiro antecedente ("verbete" em vez de "nota") e acerta o segundo ("dia"). O mesmo erro da alternativa A: confunde o lugar (verbete) com o termo retomado (nota). Erro: troca de referente no primeiro caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Acerta o primeiro antecedente ("nota"), mas erra o segundo ao indicar "língua". No trecho "No dia em que a língua brasileira dissolver", o "que" retoma "dia", não "língua". A língua é o sujeito da oração adjetiva, não o antecedente do pronome. Erro: troca de referente no segundo caso.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de rastrear a cadeia coesiva do texto. A regra de ouro: o pronome relativo "que" retoma o termo que ele substitui na oração adjetiva — pergunte sempre "o que?" ou "em que?" para achar o referente. A alternativa B é a única que identifica corretamente os dois antecedentes.

Gabarito: letra B

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