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Questão de Português — Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa) — FCC 2026

PortuguêsVozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Código
fc140708
Banca
FCC
Órgão
MPE AL
Ano
2026
Cargo
Tec ( )

Para a maioria dos brasileiros a pronúncia é “récorde”, proparoxítona, e não, como recomendam dez entre dez sábios, “recorde”, paroxítona. Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil, em que a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios, para o outro.

 

Recorde, termo adaptado do inglês record, pode ser substantivo – significando a melhor marca esportiva, o desempenho a ser superado – ou adjetivo – com sentido equivalente: “tempo recorde”, “velocidade recorde”. Quanto a isso, estamos todos de acordo. A divergência começa na hora de definir a prosódia da palavra. Em seu Dicionário de palavras & expressões estrangeiras, Luís Augusto Fischer observa com irreverência que há “duas pronúncias: a que os gramáticos preferem, ‘recorde’, ou a do resto da humanidade, ‘récorde’”. É mais ou menos isso. Basta trocar, na frase de Fischer, “o resto da humanidade” por “a maioria dos brasileiros” que ela fica perfeita. Em Portugal, a inclinação por “recorde” parece inquestionável. Aqui, ocorre o inverso.

 

Sempre pronunciei “récorde”. Puxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça. Se, como em tantos casos, nossos dicionários e gramáticas ainda se aferram de maneira um tanto acrítica à preferência lusitana, isso é um problema deles, que precisa ser – e certamente será – corrigido um dia. O Houaiss foi o primeiro a abrir a porta. Veja a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete recorde na edição de 2001: “Pelo menos no Brasil, ocorre também como palavra proparoxítona: ‘récorde’.” Mais tarde, o dicionário suprimiu a nota, mas passou a trazer o verbete récorde como variação de recorde.

 

Uma explicação provável para o descompasso: os portugueses tendem a manter a pronúncia que record ganhou na França, de onde importaram o anglicismo por tabela, enquanto os falantes brasileiros estabeleceram ligação direta com o idioma de origem, no qual o acento (no caso em que record é substantivo, e não verbo) recai na primeira sílaba. No dia em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito, é evidente que a grafia será forçada a seguir atrás: escreveremos récorde, com acento. E tudo ficará mais harmônico entre som e traço, como deve ser.

 

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Viva a língua brasileira! São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 73-75.)

o dicionário suprimiu a nota.

 

Ao se transpor a oração acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:

  1. Aseria suprimido.
  2. Bfora suprimida.
  3. Cfoi suprimido.
  4. Dfoi suprimida.
  5. Eseria suprimida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — foi suprimida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transposição para a voz passiva: tempo e concordância

Gabarito: letra D. A forma verbal resultante é "foi suprimida", pois, na transposição para a voz passiva analítica, o objeto direto "a nota" torna-se sujeito paciente, exigindo que o particípio concorde com ele em gênero e número (feminino singular), e o tempo verbal (pretérito perfeito do indicativo) deve ser mantido. Como se lê no texto-base: "o dicionário suprimiu a nota" — o verbo "suprimir" está no pretérito perfeito, e "a nota" é o objeto direto.

O comando

A questão pede a transposição de uma oração da voz ativa para a voz passiva analítica. Isso significa que devemos transformar a estrutura "sujeito + verbo + objeto direto" em "sujeito paciente + verbo ser + particípio + agente da passiva (opcional)". O foco está em dois pontos: manter o tempo verbal e fazer a concordância correta do particípio com o novo sujeito.

O texto e a oração em análise

No texto-base, a oração "o dicionário suprimiu a nota" aparece no trecho: "Mais tarde, o dicionário suprimiu a nota, mas passou a trazer o verbete récorde como variação de recorde." Aqui, temos:

  • Sujeito da ativa: "o dicionário"

  • Verbo: "suprimiu" (pretérito perfeito do indicativo, 3ª pessoa do singular)

  • Objeto direto: "a nota" (feminino singular)

Na voz passiva, o objeto direto vira sujeito paciente, e o sujeito da ativa vira agente da passiva (pode ser omitido). O verbo "suprimir" é transitivo direto, portanto admite a conversão.

A técnica: passos para transpor

  1. Identifique o objeto direto da ativa — ele será o sujeito paciente na passiva.

  2. Mantenha o tempo verbal do verbo principal — aqui, pretérito perfeito do indicativo.

  3. Conjugue o verbo auxiliar "ser" no mesmo tempo e pessoa do sujeito paciente — "foi" (3ª pessoa do singular).

  4. Use o particípio do verbo principal — "suprimida" — concordando em gênero e número com o sujeito paciente.

Assim: "o dicionário suprimiu a nota" → "a nota foi suprimida (pelo dicionário)".

Análise das alternativas

  1. 1Identificar o objeto direto
  2. 2Manter o tempo verbal
  3. 3Conjugar o verbo ser
  4. 4Concordar o particípio
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"seria suprimido" — Erro duplo: o tempo verbal muda para futuro do pretérito (condicional), e o particípio está no masculino. O texto usa pretérito perfeito, e o sujeito paciente é feminino. Erro: troca de tempo e de gênero.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"fora suprimida" — O particípio concorda corretamente (feminino singular), mas o tempo verbal é pretérito mais-que-perfeito composto, não o pretérito perfeito exigido. Erro: troca de tempo verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"foi suprimido" — O tempo verbal está correto (pretérito perfeito), mas o particípio está no masculino singular, enquanto o sujeito paciente "a nota" é feminino. Erro: concordância de gênero.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"foi suprimida" — Mantém o pretérito perfeito do indicativo e concorda em gênero e número com o sujeito paciente "a nota" (feminino singular). É a transposição perfeita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"seria suprimida" — O particípio concorda corretamente, mas o tempo verbal muda para futuro do pretérito (condicional), o que não corresponde ao pretérito perfeito do original. Erro: troca de tempo verbal.

Conclusão

A transposição para a voz passiva exige manter o tempo verbal e fazer o particípio concordar com o sujeito paciente. A única alternativa que atende a ambos é a letra D.

PEGA ESSA DICA!

Na transposição, pergunte-se: "qual é o objeto direto?" e "em que tempo está o verbo?". O particípio sempre concorda com o novo sujeito.

Gabarito: letra D

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