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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — FCC 2026

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
fc140709
Banca
FCC
Órgão
MPE AL
Ano
2026
Cargo
Tec ( )

Para a maioria dos brasileiros a pronúncia é “récorde”, proparoxítona, e não, como recomendam dez entre dez sábios, “recorde”, paroxítona. Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil, em que a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios, para o outro.

 

Recorde, termo adaptado do inglês record, pode ser substantivo – significando a melhor marca esportiva, o desempenho a ser superado – ou adjetivo – com sentido equivalente: “tempo recorde”, “velocidade recorde”. Quanto a isso, estamos todos de acordo. A divergência começa na hora de definir a prosódia da palavra. Em seu Dicionário de palavras & expressões estrangeiras, Luís Augusto Fischer observa com irreverência que há “duas pronúncias: a que os gramáticos preferem, ‘recorde’, ou a do resto da humanidade, ‘récorde’”. É mais ou menos isso. Basta trocar, na frase de Fischer, “o resto da humanidade” por “a maioria dos brasileiros” que ela fica perfeita. Em Portugal, a inclinação por “recorde” parece inquestionável. Aqui, ocorre o inverso.

 

Sempre pronunciei “récorde”. Puxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça. Se, como em tantos casos, nossos dicionários e gramáticas ainda se aferram de maneira um tanto acrítica à preferência lusitana, isso é um problema deles, que precisa ser – e certamente será – corrigido um dia. O Houaiss foi o primeiro a abrir a porta. Veja a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete recorde na edição de 2001: “Pelo menos no Brasil, ocorre também como palavra proparoxítona: ‘récorde’.” Mais tarde, o dicionário suprimiu a nota, mas passou a trazer o verbete récorde como variação de recorde.

 

Uma explicação provável para o descompasso: os portugueses tendem a manter a pronúncia que record ganhou na França, de onde importaram o anglicismo por tabela, enquanto os falantes brasileiros estabeleceram ligação direta com o idioma de origem, no qual o acento (no caso em que record é substantivo, e não verbo) recai na primeira sílaba. No dia em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito, é evidente que a grafia será forçada a seguir atrás: escreveremos récorde, com acento. E tudo ficará mais harmônico entre som e traço, como deve ser.

 

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Viva a língua brasileira! São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 73-75.)

Verifica-se o emprego de vírgula para assinalar a supressão de um verbo no seguinte trecho:
  1. AEstamos diante de um caso clássico de desobediência civil, em que a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios, para o outro.
  2. BNo dia em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito, é evidente que a grafia será forçada a seguir atrás: escreveremos récorde, com acento.
  3. CMais tarde, o dicionário suprimiu a nota, mas passou a trazer o verbete récorde como variação de recorde.
  4. DEm Portugal, a inclinação por "récorde" parece inquestionável.
  5. EE tudo ficará mais harmônico entre som e traço, como deve ser.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil, em que a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios, para o outro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula marcando zeugma: a omissão do verbo

Gabarito: letra A. A vírgula em "a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios, para o outro" assinala a supressão do verbo "vai" (zeugma), que já foi expresso na primeira oração e fica subentendido na segunda. É o único trecho em que a vírgula cumpre exatamente essa função de marcar a elipse de um verbo.

"a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios, para o outro"

Aqui, a estrutura completa seria "a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios vai para o outro". O verbo "vai" foi omitido na segunda oração, e a vírgula sinaliza essa omissão — fenômeno chamado zeugma (omissão de termo já mencionado).

O comando e a técnica

A questão pede que você identifique o trecho em que a vírgula é usada para assinalar a supressão de um verbo. Isso é uma questão de pontuação com função sintática: a vírgula não marca apenas pausa, mas substitui um termo omitido. A técnica é: procure a oração em que um verbo já dito anteriormente foi repetido mentalmente para completar o sentido. Se a frase fizer sentido com o verbo subentendido, a vírgula está marcando zeugma.

O texto e a resposta

No trecho da alternativa A, temos duas orações coordenadas: "a língua da vida real vai para um lado" e "a dos sábios, para o outro". Na segunda, o verbo "vai" não aparece, mas é facilmente recuperado pelo contexto — é o mesmo verbo da primeira oração. A vírgula ocupa exatamente o lugar do verbo omitido.

Análise das alternativas

Vírgula marcando zeugma
  • 1Função: assinala omissão de verbo
  • 2Como identificar
    • Verbo já expresso antes
    • Repetição mental completa o sentido
  • 3Exemplo
    • "a língua da vida real vai para um lado"
    • "a dos sábios, para o outro" (vai)
  • 4Outras funções da vírgula (não zeugma)
    • Separar adjunto deslocado
    • Separar orações coordenadas
    • Separar oração subordinada anteposta
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A vírgula em "a dos sábios, para o outro" marca a omissão do verbo "vai", já expresso na oração anterior. Isso é zeugma: a supressão de um termo já mencionado, sinalizada pela vírgula. A estrutura completa seria "a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios vai para o outro". Nenhuma outra alternativa apresenta essa função.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Aqui a vírgula separa uma oração subordinada adverbial anteposta ("No dia em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito") da oração principal. Não há omissão de verbo; o verbo "dissolver" está explícito. A vírgula marca o deslocamento do adjunto adverbial, não zeugma.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A vírgula separa orações coordenadas adversativas introduzidas por "mas". O verbo "passou" está explícito na segunda oração. Não há supressão de verbo; a vírgula apenas separa as orações.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A vírgula isola um adjunto adverbial deslocado ("Em Portugal"). O verbo "parece" está explícito. Não há omissão de verbo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A vírgula separa uma oração subordinada adverbial comparativa ("como deve ser"). O verbo "ficará" está explícito na oração principal. Não há omissão de verbo.

Conclusão

A única alternativa em que a vírgula assinala a supressão de um verbo é a letra A, pois nela o verbo "vai" é omitido na segunda oração e a vírgula ocupa seu lugar. Nas demais, a vírgula exerce outras funções: separar adjunto deslocado, orações coordenadas ou subordinadas.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar zeugma, pergunte: "qual verbo está subentendido aqui?" Se a frase fizer sentido com um verbo já dito antes, a vírgula está marcando a omissão.

Gabarito: letra A

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